Arquivo para a categoria 'crítica'

24
dez
10

Repercussão de blog quase rende processo

 

Vinícius Simões afirma ter cautela e procura frequentemente a ocorrência de seu nome

No intuito de promover a militância e o movimento estudantil na época de faculdade, Vinicius Morais Simões criou um blog no qual pudesse colocar artigos de sua autoria, bem como de terceiros Com a participação em fóruns e lista de discussão e os textos com fortes críticas à gestão da reitoria da universidade, não demorou para que seu nome e suas ideias ganhassem grande repercussão, principalmente no meio acadêmico ”Uma delas, que pode ser considerada negativa, foi uma ameaça de processo vinda do assessor do reitor para que eu retirasse do ar a menção que fazia sobre ele”, lembra Simões, que hoje é servidor municipal

 

O conteúdo não foi retirado, nem a ameaça levada adiante Mas a partir desse episódio, ele percebeu que o que é colocado na internet precisa de bastante cautela ”Não me arrependo do que escrevi Faz parte da minha trajetória enquanto indivíduo É diferente da exposição gratuita e sem consciência que os jovens se submetem hoje em dia Mas esta situação me levou a ter mais cuidados”, defende

 

Até mesmo por isso, hoje, Simões evita colocar informações pessoais na rede Seu perfil numa rede social só consta o primeiro nome ”Tudo para dificultar que consigam levantar dados a meu respeito”, diz ele, que confessa procurar frequentemente a ocorrência de seu nome na internet

 

Marian Trigueiros

 

Fonte: Folha de Londrina

03
mai
08

Burocratismo em questão

No dia 11 de Abril de 2008 realizou-se uma Assembléia Geral dos Estudantes da Universidade Estadual de Londrina, ás 17 horas, na sala 103 do CCH. Assembléia essa convocada pelo diretório central dos estudantes da mesma universidade. Os itens que haviam sido propostos como pauta da Assembléia foram a reformulação do estatuto do DCE e a eleição de representantes para o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE). Entretanto, apesar de dois itens de pauta terem sido propostos, apenas o primeiro foi discutido.

Nas primeiras discussões a respeito da realização da reformulação do estatuto aparentemente havia consenso entre a diretoria e os estudantes presentes de que a melhor forma para discutir essa reformulação era através de um congresso. Entretanto, havia a proposta da diretoria de que, após este congresso, fosse realizada uma assembléia para referendar o estatuto proposto. A realização desta última visava atender uma exigência jurídica que seria necessária para a legalização do mesmo. Conforme orientação de alguns estudantes de Direito, essa era uma exigência do Código Civil.

Para explicar as razões por detrás dessa discussão eu gostaria de fazer um resgate histórico. Durante o ano retrasado e boa parte do ano passado, alguns membros da atual gestão do DCE faziam parte de um grupo que se chamava “Coletivo Estudantes em Movimento”. Eu fazia parte desse grupo tendo participado, inclusive, da sua própria formação. Foi através desse grupo, por exemplo, que, no ano retrasado, eu havia participado da campanha de boicote ao ENADE e no ano passado, participei tanto da Semana do Movimento Estudantil – aonde falei sobre Reforma Universitária – quanto da primeira Plenária Nacional da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária.

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13
mar
08

Pergunta – Burocratização do Movimento

Segue abaixo uma cópia da pergunta que elaborei para ser lida no debate que houve ontem, dia 12 de Março de 2008, no Anfiteatro da Morfologia, no CCB, cujo tema era Movimento Estudantil e Reforma Universitária. O debate foi organizado pela gestão Cala a Boca Já Morreu que atualmente ocupa o DCE e contou com a participação de Luiz Alan Kunzle, professor de Ciência da Computação da UFPR, Reinaldo, estudante do curso de História da Fundação Santo André, e de Naiady Piva, estudante do curso de Jornalismo também da UFPR.

Burocratização do Movimento

Não é uma atitude um tanto enviesada por parte dos estudantes que participaram das ocupações das federais no ano passado, se achar no direito de falar que estão defendendo os verdadeiros interesses da sociedade, ao defender o que os próprios estudantes consideram uma verdadeira democratização da universidade, em contraponto ao projeto de reestruturação do governo federal, que também segundo os mesmos estudantes, ainda que pautados pelo ANDES, implicaria em sua massificação?

Pessoalmente eu não questiono o direito dos estudantes de impedir que decisões administrativas que possuem uma influência tão grande sobre suas vidas, sejam tomadas de maneira puramente autocrática, sem a sua participação, sem o menor respeito à sua autonomia, colocando-os na condição de meros objetos sócio-políticos. Assim como não questiono que essa transformação implicaria em uma mudança do caráter da universidade – se afastando ainda mais do caráter de instituição que deveria, em tese, se justificar perante toda a sociedade – e também na sua massificação.

Entretanto, quando eu vejo, ocupando espaços na mídia, discursos que declaram que as lutas protagonizadas pelo Movimento Estudantil são, na verdade, lutas de uma minoria privilegiada buscando garantir esses mesmos privilégios, eu me sinto obrigado a reconhecer que: Se conforme eu entendo, a crise da universidade advém da sua crise de legitimidade, ou seja, do pouco ou quase nenhum reconhecimento que a sociedade tem da sua importância – principalmente em se tratando das classes que não são privilegiadas, e do seu aspecto de Instituição Pública – sou obrigado a reconhecer que o Movimento Estudantil tem sido negligente, ou seja, deixado muito a desejar, na sua tarefa de conquistar essa legitimidade, ou seja, na sua articulação com as bases.

Reconhecido isso, entretanto, quando me questiono a respeito das suas causas, sou obrigado a reconhecer outra coisa: Que, na verdade, após o rompimento com a UNE, e com a aliança com o PSOL – aliança de cúpula, que visou justamente a ampliação da sua força política a partir de entidades – a CONLUTE passou a se afastar da sua articulação com a base, passou a promover um afastamento entre a direção, posição na qual ela mesma se colocou, e essa base. Isso a não ser que reconheçamos a luta pela ocupação de entidades de representação – como o próprio DCE da UEL – como articulação com a base.

Por causa disso não seria justo afirmarmos que a CONLUTE, ou a Frente de Luta – que por mais que seja constituída por uma frente ampla é alvo do dirigismo da aliança PSOL e PSTU – está promovendo um entrave, e não um avanço, e uma rotinização, e não uma superação, das lutas do Movimento Estudantil em nível nacional?

08
mar
08

O Desmonte da Universidade

O Desmonte da Universidade[1]

De alguma forma, a universidade que temos hoje também corresponde – mais ou menos, conforme a avaliação de cada um – a um modelo ideal de universidade. Esse modelo, assim como a democracia, por mais que reflita conquistas históricas de setores da sociedade, obtidas através da luta e de reivindicações, não é um projeto pronto e acabado. Inclusive não deveria, pois, como instituição que deve atender aos anseios da sociedade em diferentes épocas, é até bom que mantenha uma certa independência, ou autonomia, em relação ao estado e outras instituições.

Entretanto, essa autonomia, que deveria significar “liberdade para decidir por conta própria como gerir os próprios recursos” cada vez mais tem significado “liberdade para se lançar ao mercado”. De forma que, cada vez mais, a universidade tem tido o rendimento como finalidade, a burocracia como meio e as leis do mercado como condição. De forma que, cada vez mais, a universidade tem perdido o seu caráter de instituição pública e socialmente referenciada.

Sou da opinião de que o único modelo de universidade, que representa um progresso em direção a justiça social – e não apenas à formação de quadros de mão de obra precária[2] – é o da universidade democrática, verdadeiramente autônoma e financiada publicamente. Neste sentido sou da opinião que tanto o governo – seja o federal com o REUNI ou o ENADE, seja o do governo do estado com o não pagamento do reajuste de professores e funcionários – tem provocado justamente o que eu considero um DESMONTE da universidade. Mesmo por que o desmonte é uma transformação como qualquer outra, entretanto ela se diferencia das outras à medida em que caminha na direção contrária de um modelo considerado ideal.

Vinda do alto e a partir do conhecimento do que se passa no alto, a proposta acaba tendo um teor autoritário, pois ignora um outro caminho para essas universidades, caminho que lhes seria sugerido se ouvissem as exigências e as propostas dos professores e dos estudantes envolvidos.Marilena Chauí

Quando o reitor iniciou a sua gestão, eu lembro que ele foi sistematicamente mudando as pessoas que ocupavam determinados postos chave – como o presidente da Coordenadoria de Processos Seletivos, por exemplo. Dentre as várias justificativas que ele utilizava, eu me lembro que ele dizia que o pessoal de antes era “o pessoal do PT” e que agora era “o pessoal dele” e que as razões dele eram “puramente técnicas”. Isso sem contar que, em várias outras declarações eu via ele atribuir a seus adversários de então, “razões políticas”.

Oras, se entendemos que o território político é o território aonde disputam entre si interesses de diferentes setores da sociedade – e aqui dizemos a classe trabalhadora, os setores patronais e mão de obra das classes B e C que buscam no ensino superior uma forma de garantir uma boa colocação no mercado de trabalho – ao dar essa declaração, aparentemente o reitor atribui a si o mérito de tomar decisões que estão “além dessas questões” como se ele sozinho, por conta própria ou através da equipe que ele mesmo contratou pudesse fazer isso.

O primeiro equívoco é que não existem questões “técnicas” que não possuam caráter político. O segundo é que “caráter político” não implica em “caráter partidário”. E terceiro que nenhum dos dois, por si só, é motivo para desqualificação.

Entretanto, a história do Brasil teve, na ditadura militar, exemplos abundantes desse tipo de ideologia. Além do que, o nosso léxico possui uma palavra específica para se referir a ele: a palavra tecnocracia. Que significa a idéia de que os indivíduos que possuem a maior qualificação técnica são os mais – quando não os únicos – autorizados a tomarem as decisões políticas. Entretanto, o problema dessa ideologia, é que ela parte de um recorte bastante parcelar da ciência, como se ela fosse uma coisa única, sem disputas internas, e que não refletissem as contradições da própria sociedade. Como isso não é verdade nem na ciência, que reflete a sociedade e independente da hegemonia de determinadas linhas de pensamento – como o neoliberalismo na economia – deveríamos reconhecer que o fato de uma decisão ser embasada em critérios técnicos, não significa que ela não pode ter motivações nem finalidades políticas, e o fato de ela ser puramente baseada em um critério político, não torna ela ilegítima.

Em parte, esse tipo de ideologia por si só, é reflexo do processo pelo qual vem passando a universidade. Mas mais do que isso, na nossa universidade, eu diria que é a ideologia que o reitor representa[3]. Entretanto, e isso a história também ensina, um dos principais objetivos desse tipo de justificativa é o de dissimular, o de mascarar interesses determinados, via de regra de setores privilegiados da sociedade, como se fossem de interesses gerais.

Foi por causa desse tipo de decisões, por exemplo, que tivemos a dissolução da equipe responsável pela elaboração do vestibular poucos meses antes da realização do mesmo. Assim como a isso devemos a elaboração do vestibular 2007 que, além de ser mal elaborado, contendo várias questões erradas e algumas anuladas, chama de interdisciplinariedade fazer alusão ao escândalo político das sanguessugas ao fazer uma pergunta de Biologia. Talvez, e no momento por falta de evidências eu devo permanecer apenas no terreno das hipóteses, essa decisão (técnica ou política?) guarde alguma relação com os interesses dos donos de cursinhos e colégios particulares de Londrina e região que, sabidamente, foram contrários à mudança do vestibular da UEL de até então.

Outro momento privilegiado para a observação dos verdadeiros interesses da atual administração, que é representada principalmente pelo reitor – por que, afinal de contas, todos os outros pró-reitores e alguns outros membros da atual administração são parte da sua atual “equipe de trabalho” tendo sido eleitos por ele[4] – foi a questão relativa ao Plano de Segurança. E eu digo isso por que, um mês antes de COMEÇAR a discutir o tal Plano com as comunidades do entorno ele já tinha feito essa discussão umas três vezes no Rotary, uma vez no Fórum de Desenvolvimento de Londrina, e também na subseção regional da OAB. Ou seja, na minha interpretação – e por mais que ele tenha dito de que ele fez isso para conversar com a sociedade – a última coisa que ele estava disposto mesmo era fazer isso. A não ser que nós entendamos essas entidades como o retrato da sociedade, coisa que não são. Eles são o retrato de uma parcela bastante determinada da sociedade londrinense: seus setores patronais, sua burguesia, seus empresários.

Ainda a respeito do Plano de Segurança, vale lembrar as declarações feitas pelo reitor à Folha de Londrina no que se refere aos estudantes que participaram da Audiência Pública. De uma forma que eu só posso chamar de dissimulada ele basicamente praticou uma ação conhecida como “desqualificação do interlocutor político” que é uma maneira desonesta de tentar vencer um debate político, apelando não para os argumentos de seu interlocutor, e sim para a sua pessoa. Isso também demonstra, é evidente, a completa falta de diálogo. Primeiro ele afirma que os estudantes que eram contrários ao plano “tinham interesse que a uel ficasse livre para o tráfico”, ou seja, que ou eram viciados, ou eram traficantes. Segundo que ele afirma que, eles só podiam estar sendo financiados por “partidos de ultra esquerda”, partidos esses que ele não esclarece quais são e isso por que eles tinham dinheiro para comprar APITOS, FAIXAS E NARIZES DE PALHAÇO. Como se para esse tipo de coisa fosse necessário um grande financiamento.

Esse ponto em comum, entretanto, não pode apagar as diferenças, pois estas são socialmente determinadas e delas emanam diferentes perspectivas sobre o sentido e os fins da universidade, e, portanto, incidem diretamente sobre projetos para sua reforma. E por que essas perspectivas são pontos de vista de classes sociais, não há como evitar a percepção de seus antagonismos políticos tácitos. – Marilena Chauí

Por outro lado percebe-se que o reitor, em algumas situações, coloca-se na posição de mero aplicador das leis às quais está submetido. E eu digo isso por que duas vezes, quando cortou o passe de muitos servidores, e quando cortou o financiamento dos Centros Acadêmicos de diversos cursos, ele o fez afirmando que estava apenas cumprindo deliberações do Tribunal de Contas. Entretanto, se fôssemos fazer uma análise mais detida, veríamos que isso não é verdade.

Veja por exemplo o embate relacionado ao aumento de Cargos Comissionados e Funções Gratificadas (os FG´s e CC`s): A reitoria só voltou atrás quando percebeu que independente de eles terem ou não aprovado o reajuste, o Governo do Estado não iria repassar o montante. Montante esse que, inclusive, foi descontado do repasse mensal de Setembro por já estar disponível em caixa. Além do fato curioso de se legislar em causa própria, desde que sabemos que quem concede FG´s e CC´s é a própria reitoria, a defesa do reajuste, baseada no anexo único do decreto 5.695/2005 – que prevê a remuneração pelo exercício de encargos especiais e contempla a administração direta e autarquias do Poder Executivo – se baseou na defesa de que a universidade é uma autarquia. Interpretação essa bastante particular e em flagrante contradição com a interpretação da própria Secretaria de Tecnologia e Ensino Superior, a SETI.

Por outro lado temos a implementação do Ponto Eletrônico que entrava em flagrante contradição com o Artigo 40 do Regulamento de Pessoal da Universidade, que afirmava “cada órgão ou unidade proporá o sistema de registro de freqüência que pretende adotar”. Entretanto a existência desse artigo não foi empecilho para a aprovação da medida no Conselho de Administração – através da resolução 141/07. Nesta ocasião, um membro da atual administração, afirmou que o RPU era obsoleto, como uma forma de justificar o seu não cumprimento. Por outro lado foram justamente as normas desse RPU obsoleto que eles se utilizaram para a contratação de Assessores Especiais passando apenas pelo Conselho Universitário. Medida fortemente questionada, devido ao seu caráter político e devido às altas remunerações envolvidas, o que justificava que a discussão passasse pelo Conselho de Administração, que tem a prerrogativa de decidir sobre todos os custos da universidade.

Percebe-se, portanto, que o modus operandi da atual administração revela um caráter autocrático cuja última preocupação é com a participação nas decisões.

A despeito disso, entretanto, o reitor se acha no direito de criticar os alunos por não terem eleito representantes nos conselhos[5]. Oras, como ele acha que pode dizer isso sendo que ele próprio, através de sua assessoria, indeferiu duas vezes os nomes que foram protocolados? Pois bem, ele afirma que isso foi feito seguindo normas do regimento, que diz que os representantes dos estudantes devem ser eleitos pelo seu diretório. Entretanto, se o estatuto do próprio diretório diz que, na ausência de uma diretoria eleita a gestão provisória representa o DCE, como ele pode indeferir nomes propostos pela própria gestão?

Vinícius Morais Simões


[1] Artigo redigido como resposta à ameaça de processo por difamação feita pelo reitor, Wilmar Marçal, à minha pessoa, através do seu Assessor Jurídico, Sr Rui Carneiro.

[2] A Constituição Federal diz que a finalidade da educação é, primeiro, o desenvolvimento das capacidades do indivíduo, segundo, a qualificação para o trabalho e, terceiro, a preparação para o exercício da cidadania.

[3] Veja por exemplo a aprovação da proposta de que para ser reitor é necessário ser doutor.

[4] Reitor anuncia nova equipe de trabalho na UEL Notícia Publicada no Jornal Londrix dia 08 de Junho de 2006 http://www.londrix.com/noticias.php?id=22621

[5] Segurança e Democracia entrevista veiculada no espaço Opinião do Jornal Notícia do dia 25 de Abril de 2007.

02
mar
08

Sucateamento da Universidade

Sempre me preocupei em conhecer o fundamento das coisas, por mais evidentes que fossem – ou parecessem ser. O constante presenciar de discussão, ou disputas, aonde vemos pessoas proclamar ideologias distintas e tão imiscíveis quanto água e óleo sempre me levaram a perguntar aonde se encontraria o eventual ponto de encontro ou dissensão. Recentemente, e dessa forma, portanto, decidi investigar o que é isso que se chama de “sucateamento das universidades” e a quê se atribui.

A Universidade de onde eu faço parte estar em condições precárias é um fato, mas como péssimo observador que sempre fui, geralmente alheio às coisas, sempre senti carecer de bases para poder afirmar se tratar ou não de algo que abrange apenas a Universidade – ou o Universo – do qual eu faço parte, ou não, se se trata de algo apenas localizado. Dado o fato de estar nesta Universidade já há algum tempo, não posso negar também que houve sim uma precarização de suas condições, mas também não poderia dizer quanto. Não posso negar também estar a par de uma situação a nível nacional aonde diversos estudantes lamentam a direção que vem sendo tomada pelo seu – antes glorioso – órgão de representação que é a UNE.

Agora o que sempre me incomodou foi esse diabo de “sucateamento”. Esse algo posto, criticado como fenômeno e usado como metáfora para explicar o que acontece com as nossas Universidades de todo o país. Atribui-se esse fenômeno a uma política deliberadamente neoliberal. Isso é outra questão que sempre me afligiu muito no debate ideológico: Quem são os neoliberais e por que eles fazem isso. Claro que, inevitavelmente eu teria que entender o que eles acham que estão fazendo quando agem dessa forma, apesar de, consequentemente, os resultados serem esses dos quais tanto reclamamos.

Foi assim que primeiro tomei conhecimento de um artigo escrito pela professora Marilena Chauí em aula inaugural na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na Universidade de São Paulo. Era um artigo a meu ver bastante prescritivo que atribuía o “sucateamento” – termo que prefiro utilizar no sentido de “abandono” – a um desmonte surgido como conseqüência de uma Reforma do Estado – no governo Fernando Henrique Cardoso – aonde a Educação, que antes era reconhecida como um “direito” passou a ser entendida como um “serviço”, além do mais “não exclusivo”.

Alguns de nós pode ter uma posição bastante crítica a esse respeito, ou seja, a respeito de quaisquer tipo de reformas propostas nestes moldes ditos neoliberais. A questão é que eu sempre busco evitar pré-julgar ou pré-condenar alguma coisa apenas em virtude de uma atribuição ou outra mesmo por que, a não ser que tenhamos subsídios para afirmá-lo, sequer podemos considerá-la evidente. E mesmo que a considerássemos evidente, teríamos que lidar com as pessoas que eventualmente não têm uma inclinação ideológica semelhante à nossa e mesmo assim lamentam o estado de precariedade de nossa Universidade hoje. Talvez, eu imagino, esse processo de precarização, enfim, possa inclusive servir como mais um exemplo das conseqüências desse tipo de políticas.

Surge então a necessidade de definir o que são direitos e serviços. Um direito seria uma garantia dada pelo Estado de acordo com um código de Leis, ou norma. Direitos são garantidos de acordo com princípios e geralmente buscam se basear em algum conceito de Justiça. Um direito, por se constituir em uma lei, deveria, na prática, se estender a todas as pessoas. Serviços, pelo menos economicamente falando, seria um setor de atividade econômica que, apesar de não criarem bens materiais, suprem necessidades humanas. Logo, por se constituir em um setor da atividade econômica isso significa que pode ser explorado por empresas privadas, para fins lucrativos. Percebe-se que, desta forma, ao transformar um direito em um serviço, ainda mais em um “serviço não exclusivo” do Estado o mesmo acaba se livrando da obrigação de ser o único prestador desse serviço. Se fosse apenas isso, o problema não seria tão grande. O problema foi que, depois disso, o governo foi cada vez mais adotando medidas que visavam diminuir com os “Gastos Públicos” que, por sua vez, são responsáveis pelo financiamento dos “Serviços Públicos”.

Isso tem sido feito de maneira sistemática. Primeiro foi feito dessa forma, transformando a educação em “serviço não exclusivo” do estado. Depois, diminuindo o repasse de verbas para a Educação. Agora, além de ter permitido a criação de fundações, o governo também substituiu a criação de um Plano Nacional de Educação por um Sistema Nacional de Avaliação. O problema é que, direitos são garantias historicamente asseguradas de acordo com lutas ideológicas e, principalmente sócio-políticas. Lutas essas que, em virtude de necessidades historicamente enfrentadas, como, por exemplo, a diferença entre as classes, acabaram encontrando nas leis uma forma – pelo menos abstrata – de acabar com as desigualdades para poderem assim viver em paz.

Marilena Chauí afirma que esse processo de sucateamento iniciou-se a partir do momento em que a educação, que antes era considerada um direito (assim como a saúde e o lazer) passa a ser entendida como um serviço. A partir desse momento, em virtude dessa Reforma do Estado proposto durante o governo Fernando Henrique de acordo com moldes considerados neoliberais, o governo passou a entender que deveria relegar a administração da educação brasileira ao Setor Público. E a partir desse momento também, portanto, o estado se absteve de assegurar as garantias sociais, historicamente conquistadas transformando a educação em nada menos do que uma mercadoria.

O problema é que a lógica do capital é excludente, ou seja, enquanto o Estado tem por obrigação garantir o bem estar de todos o capital não, mesmo por que ele não reconhece ninguém sob sua tutela. A única coisa com a qual o capital se preocupa é em se reproduzir. E para isso ele precisa auferir lucro, o que implica em explorar alguma coisa ou alguém. Para obter lucro, nada deve ser oferecido de graça. Não que o estado deva oferecer coisas de graça, mas os recursos auferidos pelo estado são dados por todos os cidadãos em nome de um bem comum e da paz social Além do que esta é uma das obrigações que lhe cabem enquanto uma instância de poder que, em tese, emana do povo. Dessa forma, ele também deveria submeter a economia aos interesses dos cidadãos, o bem estar comum e a paz social – justamente pelo fato de representá-los – e não o contrário, como tem sido feito.

Por causa disso, em virtude das políticas adotadas de acordo com um modelo de crescimento econômico, o Estado Brasileiro se sentiu na necessidade de relegar a Universidade Brasileira ao Setor Público. E de acordo com isso, ele precisava encolher cada vez mais o espaço público, ou o espaço dos direitos, para poder assim aumentar o espaço privado. Portanto, ele precisava de uma reforma nas suas várias instituições. Por causa disso, também, que o governo propõe hoje essa Reforma Universitária. Pode-se notar claramente os moldes dessa política nessa proposta, ou seja, a confusão entre a esfera pública e a privada, o financiamento majoritário do estado, assim como a lógica excludente e subordinada do público diante do privado.

O próprio concurso vestibular é fruto desse tipo de política. O ensino superior deveria ser um direito de todos mas, como o estado não tem capacidade para garantir o ensino superior a todos, ele cria uma seleção para o ingresso na universidade. Acontece que apesar dessa seleção se vestir de meritocrática ela nada mais é do que uma reprodução das desigualdades sociais. Pois a partir do momento em que o estado não reconhece as diferenças fundamentais entre os indivíduos, surgido a partir das diferenças materiais, ele acaba servindo como reprodutor dessas diferenças.

Cursar uma universidade envolve várias questões. Uma delas seria o acesso, outra seria a permanência, outra seria a formação do indivíduo e outra seria a relação entre a Universidade e a Sociedade. Em relação ao ingresso, deveríamos nos preocupar com situações nas quais os indivíduos pudessem concorrer com igualdade de condições, e é justamente nesse sentido que reconheço a política de ações afirmativas. Realmente, reconheço também, que é enviesada a situação de querer comparar meritoriamente indivíduos que já no início concorrem em desigualdade de condições.

Em relação à permanência na Universidade devemos reconhecer que por mais que a universidade seja pública, o curso não é gratuito. Em diferentes situações devemos reconhecer que eventualmente o “cursar uma faculdade” envolve custos que, devido á situação de “coisa pública” dificilmente pode ser garantido pelo estado. Isso pressupõe uma política racional de assistência estudantil, não apenas para indivíduos os casos mais críticos, mas para a universidade como um todo, mesmo por quê, essa nada mais seria do que uma conseqüência da garantia da educação como direito.

Em relação à formação do indivíduo, e em se tratando da sua relação com a sociedade, não devemos cair no engano de subordinar a formação de qualquer profissional única e exclusivamente à lógica do mercado. Deveríamos reconhecer que, como um todo, toda a produção científica se insere em um quadro político-social, e tem conseqüências – por causa disso devem ter em mente – questões éticas e morais.

22
fev
08

O Conservadorismo Burocrático da UEL

Hoje, dia 13 de Fevereiro de 2008 houve reunião ordinária do Conselho de Administração da UEL cujo segundo item de pauta se referia a uma proposta de aumento da tarifa do Restaurante Universitário – RU. Neste artigo gostaria de fazer minhas considerações a respeito da forma como certas discussões foram encaminhadas. Formas essas que, na minha opinião, revelam não apenas a postura ideológica da burocracia acadêmica dessa universidade, como também o caráter limitado da sua perspectiva.

Um discurso que ouço com bastante freqüência nessa universidade é a justificativa de que determinadas decisões são tomadas de acordo com avaliações puramente técnicas. Essa justificativa, generalizada diante da administração da universidade, demonstra que a mesma é influenciada por uma ideologia bastante nociva e ardilosa chamada Tecnocracia.

A primeira coisa que se percebe quando uma pessoa usa uma justificativa de tal ordem é a idéia de uma separação entre a esfera técnica e a esfera política de decisão. Entretanto se entendermos, primeiro, que a política é o espaço social e necessário de discussão nascido do inevitável conflito de interesses de uma sociedade, e, segundo, que em uma sociedade de classes – ou seja, em uma sociedade construída em torno de contradições – não existe neutralidade, percebemos que essa justificativa além de ser uma tentativa de evitar o debate político tem como segunda intenção o interesse de dissimular a própria prática de evitá-lo.

Já há algum tempo que eu venho fazendo uma investigação acerca de dois temas: A Democracia e a Tecnocracia. Entretanto, uma coisa que eu percebi, e é uma coisa bastante evidente nos dias atuais é que, apesar das práticas contraditórias em alguns casos, todo mundo têm a pretensão de ser democrático. Entretanto isso só se tornou possível devido ao completo esvaziamento do que a idéia de “ser democrático” significa.

No caso da UEL eu vejo em duas situações análogas momentos privilegiados para refletir sobre esse tema.

Uma idéia bastante generalizada dos dias atuais é a idéia de que há um aspecto positivo na apatia política. Essa idéia, elitista por natureza, parte do pressuposto de que, como as massas não são instruídas como as elites pensam que deveriam ser, ao absterem-se de participar da vida política estariam relegando-a à responsabilidade de pessoas competentes para isso. Uma das razões seria a de que, pela razão de não possuir a devida instrução, as massas seriam mais influenciáveis e, assim, mais suscetíveis a práticas extremistas e nocivas ao andamento de uma boa sociedade.

É essa razão que está por detrás, por exemplo, da lei relativa à composição dos conselhos (Conselho Universitário, Conselho de Administração, Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) presente na Lei de Diretrizes e Bases.

Recentemente nesta universidade estava havendo uma discussão relativa à composição dos votos nas eleições para reitor. Apesar de, nos conselhos, e conforme o dispositivo das Leis de Diretrizes e Bases a composição ser de 70% para os professores, 15% para os funcionários e 15% para os estudantes, nas eleições para reitor os votos são calculados de forma a 1/3 do universo total de estudantes equivaler a 1/3 do universo total de professores assim como de funcionários. Apesar do pretenso equalitarismo devemos estar atentos ao fato de que, para os votos dos 17.000 estudantes (formados por 14.000 de graduação e 3.000 de pós) tenham o mesmo peso dos 1.600 professores, é necessário que TODOS votem. Se em uma perspectiva bastante utópica imaginarmos a mobilização de todos os estudantes temos uma discriminação aonde o voto de um professor equivale ao voto de 10 estudantes, em uma perspectiva menos utópica, digamos, aonde 8.500 estudantes participem – sempre considerando que todos os 1.600 professores o façam – o voto de um professor equivale ao voto de 20 alunos. Isso que é voto censitário!

Se em relação à composição para as eleições temos um avanço aparente em relação à composição dos conselhos, temos que perceber que por ser muito mais difícil mobilizar 17.000 pessoas do que 1.600 temos um dispositivo ardilosamente montado para diminuir a importância da participação dos estudantes.

Nesta discussão muitos argumentos iam no sentido que, em relação ao aluno, um professor tinha muito mais experiência em relação à vida acadêmica. Justificativa essa problemática, por duas razões. Não que eu aceite a razoabilidade de qualquer um dos argumentos, mas façamos de conta que eu aceito sua lógica, apenas para demonstrar que eles sequer são coerentes consigo mesmos. Como podemos entender experiência sob duas perspectivas: o tempo de permanência e a formação adquirida durante esse tempo, eu gostaria de pontuar três críticas.

A primeira crítica se dá no sentido que, primeiro, a categoria dos professores não inclui apenas os professores efetivos, mas também os professores temporários. E até onde eu sei nem de longe um professor temporário pode ser contratado pelo mesmo tempo em que um estudante realiza o seu curso, cujo mínimo acredito ser de 4 anos. Segundo, como eu acredito que um professor, em média, não fique 40 anos nos bancos da universidade, é um pouco problemático atribuir a diferença de 10x mais poder de voto a isso. Terceiro, afora o fato de, a despeito dessa experiência – enquanto formação – um professor pertence a uma categoria DIFERENTE, ou seja, que já não é mais aluno, que possui interesses que muitas vezes podem ser conflitantes.

Se tivermos essa consciência de que a administração da universidade muitas vezes pode se constituir em um conflito de interesses, como muitas vezes se constitui, a partir do momento em que tivéssemos uma composição tão díspar em relação ao peso de cada agente, teríamos uma universidade, neste caso, que seria completamente alheia aos interesses dos estudantes. Situação essa que, na minha opinião, resume muito bem a nossa universidade.

Caso contrário teríamos os estudantes colocados na condição de meros objetos sócio-políticos, ou seja, enquanto indivíduos desprovidos de poder para influir, ou até participar, de decisões que dizem respeito à sua própria vida acadêmica. E, convenhamos, duas lições importantes que a política ensina são: 1. nunca deixe que os outros tomem decisões que dizem respeito à sua vida e 2. nunca confie nos outros para resolver os seus problemas.

Nestas discussões acerca da democracia uma das questões com a qual me deparei foi, em se tratando do caso concreto dessa universidade, se era justo ou não que uma categoria pudesse ter um poder político tão maior que a outra. Em outras palavras, se a proposta de “uma cabeça – um voto” não promoveria uma distorção nociva entre as categorias, ou em relação à qualidade que as pessoas trazem consigo chamada “categoria”. Eventual e paulatinamente eu fui descobrindo idéias que atribuíam como um dos determinantes da crise da universidade, ou pelo menos da falta de capacidade de sua renovação o fato de que as propostas de renovação partiam do alto, a partir de uma avaliação feita do alto e que propunham, portanto, uma (limitada, quando não retrógrada) democratização do espaço acadêmico.

Dessa forma, ao impedir o avanço representado pela democratização da administração da universidade, ou até retrocedendo ao diminuir ainda mais essa democratização – julgando as pessoas em função da sua qualidade de membros de uma categoria – a universidade estaria apenas cavando ainda mais o fosso da própria crise que, por outro lado, também representa um estrangulamento ainda maior da democratização do acesso ao Ensino Superior.

Entretanto, como eu disse antes, esse Conselho de Administração se constituiu em um momento privilegiado. E eu digo isso em relação ao fato de expor o elitismo da concepção tenocrática, tão comum à nossa universidade.

Analisando os pressupostos por detrás das declarações emitidas pelos diretores de centro, e ardilosamente defendidas pelo próprio vice-reitor – através da sua orientação – pude perceber que a discussão se apresentava como uma espécie de cabo de guerra aonde, independente de todos as justificativas levantadas, se eles partissem de um pressuposto a conclusão seria uma, e se eles partissem de outro pressuposto a conclusão não poderia ser outra que não aquela. De forma que o fundamento da luta deveria passar pelo estabelecimento de uma contra-hegemonia no que dizia respeito ao “senso comum” daquelas pessoas.

Sendo mais claro: Eu percebi que todos eles encaravam o déficit do RU como o problema e o financiamento dos custos pela comunidade universitária (discentes, docentes e servidores) como um dado, de forma que a conclusão deles não poderia ser outra que não o aumento da tarifa. Ou seja, eles já não entendiam a alimentação oferecida por aquele restaurante como uma política de permanência e, portanto, uma extensão do direito à educação. E por que isso? Por que, a partir do momento em que a universidade não oferece condições materiais mínimas para amparar o estudante que carece desses meios, ela estaria simplesmente praticando a sua exclusão.

Por outro lado eu vi alguns discursos que iam no sentido do Restaurante Universitário da UEL ter se constituído em uma referência, e de que não seria possível manter o mesmo nível de qualidade nas condições atuais. Afora o absurdo preciosismo da primeira proposta, a impressão que eu tive era que o relator da proposta – Osvaldo Yokota, Diretor do SEBEC – estava tentando usar a qualidade como uma forma de jogar a maioria da universidade contra a minoria.

Apenas concluindo, gostaria de justificar por que eu havia dito que eu chamei essa reunião de momento privilegiado. Eu disse isso por que, se no primeiro caso, na discussão sobre as eleições para reitor, o caráter de oposição, de disputa entre os diferentes interesses da universidade – e que em parte nada mais faziam do que refletir a disputa entre os interesses e as concepções da própria sociedade – podia ser recoberto pelo discurso elitista, no segundo caso, na discussão sobre um tema de tamanha importância para as condições de permanência da vida estudantil essa oposição foi simplesmente revelada. Ficou evidente que enquanto a estrutura acadêmica for gerida dessa maneira tão hierarquizada, tão elitista, será praticamente impossível imaginar que essa universidade caminhe na direção concreta de uma verdadeira democratização, seja do acesso, seja da permanência.

15
out
07

Jornalismo Mentiroso

Na edição do Jornal de Londrina do dia 24/04/07 foi apresentada matéria de primeira capa referente às manifestações que ocorreram no Restaurante Universitário. É justamente nesse tipo de situação que nós podemos perceber a quem a ideologia por detrás da mídia corporativa serve. A minha intenção nesse post é revelar justamente isso.

A matéria pode ser encontrada no seguinte endereço: http://canais.rpc.com.br/jl/geral/conteudo.phtml?id=655559 e é escrita por Glória Galembeck. Não sei por que cargas d´água no site aparece Stella Meneghel.

As duas primeiras coisas que eu gostaria de evidenciar são as seguintes:

A primeira se refere ao afirmado apoio da reitoria, e da administração do SEBEC (Serviço de Bem Estar à Comunidade) – órgão ao qual o Restaurante Universitário está ligado – à suposta paralisação dos servidores. Qualquer pessoa com o mínimo senso crítico, na minha opinião, perceberia que essa só pode se tratar de uma jogada da própria administração da Universidade com a clara intenção de denegrir a imagem do Movimento Estudantil.

A segunda se refere à própria paralisação em si, e à matéria veiculada. Primeiro que, para que os servidores do Restaurante Universitário tivessem tomado uma decisão dessas eles teriam que estar minimamente mobilizados, ou seja, que eles tivessem se organizado e tivessem discutido entre si. Eles precisariam de espaço e de tempo que, normalmente, eles não têm. Além do que eles deveriam acreditar que teriam um mínimo de autonomia, que a administração da Universidade não dá para eles, para praticarem esse tipo de ação. E para a matéria ser veiculada seria necessário que, além disso, eles tivessem o interesse e a autonomia de recorrer aos órgãos de imprensa para cuidar da repercussão do encaminhamento tirado.

De forma alguma estou questionando a capacidade dos servidores do RU. Apenas gostaria de deixar claro que duvido muito de que seja isso que tenha acontecido. Por que, como eu disse, a exploração que eles sofrem não lhes dá tempo, espaço e nem autonomia para tal. Eu acredito piamente de que essa matéria foi simplesmente fabricada pela administração da Universidade.

Depois existem os méritos da própria matéria em si.

Basicamente a matéria diz que, se os estudantes voltarem a invadir o Restaurante Universitário, os funcionários iriam parar. E isso por que, com as invasões os funcionários se sentiam coagidos. Primeiro que o Restaurante Universitário se trata de um espaço público. Por causa disso é uma atitude ilegítima do jornal dizer que o estávamos invadindo. Segundo que em nenhum momento nenhum manifestante ameaçou qualquer funcionário. A única ameaça que eu vi que teve foi feita por um estudante pagante que estava na fila, o que não justifica a matéria.

Existem ainda outras questões ainda relativas à manifestação em si. As manifestações ocorreram Quinta e Sexta-Feira e se seguiram à reunião do Conselho de Administração da UEL que aprovou a redução de vagas da Moradia Estudantil, o aumento das taxas administrativas, e a expulsão dos vendedores ambulantes. Portanto, as manifestações começaram Quinta-Feira justamente por se tratar do dia imediatamente posterior à votação.

Muitas das pessoas que residem na Moradia Estudantil, eu acredito que sejam a maioria, simplesmente não poderiam estudar na Universidade se não fossem essas parcas políticas de Assistência, materializadas tanto na Moradia quanto no crédito mais barato. Percebam que, se não fosse esse socorro prestado pela Universidade a essas pessoas, elas simplesmente não estariam fazendo a Universidade, o que deveria ser um direito de todos. Tudo bem que, a educação, por se tratar por um direito, não deveria ser desvinculado de políticas de acesso e permanência entretanto, na absoluta falta dessas, espera-se que, pelo menos, o estado assista às pessoas que mais precisam. É justamente para isso que existem as triagens sócio-econômicas, como as que o SEBEC pratica na hora de selecionar os estudantes para a Moradia Estudantil.

Se uma universidade não pratica essas políticas ela está simples e claramente promovendo uma exclusão social. E é exatamente isso que a UEL vêm fazendo através da diminuição das suas políticas de assistência.

Pois bem, isso tudo foi para explicar a razão das pessoas, na manifestação, terem comido de graça. O que só aconteceu na Quinta-Feira, por que na Sexta-Feira, os funcionários, por ordem do Diretor do SEBEC, retiraram a comida da mesa assim que os manifestantes começaram a pegar as bandejas.

A manifestação na Quinta-Feira teve a seguinte dinâmica: as pessoas entraram pulando pelas roletas de saída, se aglomeraram em volta das mesas e algumas pessoas começaram a discursar. Acabado o discurso, a manifestação, gritando palavras de ordem, se dirigiu ao outro refeitório aonde repetiu o mesmo procedimento. Depois disso os manifestantes entraram na fila da bandeja e começaram a pegar comida.

Eu já disse que é simplesmente uma mentira dizer que os funcionários se sentiram coagidos com a manifestação por que nenhum manifestante, em momento algum, ameaçou os funcionários. Entretanto, gostariam que entendessem o porquê de um estudante pagante, que estava na fila, ter feito isso.

A razão simples é por que a fila estava parada, e a fila estava parada por que os funcionários se recusavam a servir. Entretanto isso se deve ao como a manifestação se desenvolveu naquele dia.

Na Sexta-Feira, saímos bem mais tarde do que na Quinta. Então tinha bem menos gente no refeitório. Como as catracas estavam sendo vigiadas por seguranças, entramos pela porta da frente, abrindo a portinhola de entrada de funcionários.

Fizemos a manifestação no refeitório da esquerda como de costume. Depois disso, alguns manifestantes, eu inclusive, tentamos pegar almoço. Como os funcionários rapidamente tiraram a comida da mesa, nós simplesmente abandonamos nossa bandeja mais à frente. Enquanto isso um grupo de manifestantes tentava atravessar de um refeitório a outro.

Percebam, a manifestação, se fosse seguir como no dia anterior, simplesmente iria discursar em um refeitório, passar para o outro, discursar no outro, e como não ia poder almoçar, ia embora. Entretanto, naquele dia não foi possível passar livremente de um refeitório a outro por que na hora que fomos fazer isso, tinha um cordão de seguranças impedindo a passagem. Quer dizer, a responsabilidade da manifestação ter se estendido além do previsto é da própria administração do SEBEC.

Para quem não sabe, no RU da UEL você tem dois refeitórios, um à esquerda e um à direita. Para escolher um ou outro refeitório, você pode pegar a fila do respectivo refeitório que, de qualquer maneira, são paralelas até chegar às bandejas. Quando você chega às bandejas você segue da esquerda para a direita no refeitório da direita ou da direita para a esquerda no refeitório da esquerda, ao longo de um corredor, aonde você pega os pratinhos com comida.

Pois bem, como estávamos no refeitório da esquerda, atravessando para o da direita, em uma determinada altura do campeonato o cordão de isolamento se desfez e o grupo começou a atravessar para o outro lado. Isso até encontrar com o diretor do SEBEC no fim do corredor do RU. Por causa disso a manifestação ficou aglomerada no corredor (ocupando todo o espaço em frente ao local as pessoas se servem).

Nessa discussão, o tal diretor do SEBEC, o Sr Oswaldo Yokota, afirmou que se os manifestantes se deslocassem para o refeitório da direita, ele liberaria o da esquerda. Por comum acordo nós aceitamos a proposta simplesmente por que não tínhamos interesse algum em prejudicar as pessoas que estavam na fila. Entretanto, enquanto os manifestantes se deslocavam, um dos manifestantes ainda estava discutindo com o Sr Yokota chamou todo o pessoal para ir lá fora discutir. Bem, como isso não foi proposto ao e discutido pelo coletivo dos manifestantes, apenas algumas pessoas foram. Enquanto isso os manifestantes não estavam mais ocupando o corredor.

Eu estava lá dentro. E enquanto estava lá dentro, veio uma moça lá do fundo dizendo que tinha um estudante tentando invadir a cozinha. Eu fui pessoalmente lá ver se isso era verdade, para não permitir que uma mentira dessas fosse inventada e imputada a nós. Pois bem, foi nessa ocasião que eu vi que era um rapaz, pagante, que estava na fila, que estava “coagindo” os funcionários. E isso justamente por que os funcionários se recusavam a servir a comida.

Percebam, portanto, que além de a manifestação se estender além do esperado devido justamente à medida adotada pela administração do SEBEC, o dissabor criado com os outros estudantes deveu-se ao desleal não cumprimento de sua própria proposta praticada pelo Sr Oswaldo Yokota.

Portanto, acho que está claro o quanto essa matéria e esse jornal são mentirosos e indignos de qualquer credibilidade.

04
jun
07

A controvertida matéria do Jornal Laboratório

Eu gostaria de aproveitar o espaço para fazer uma crítica a uma matéria do Jornal Laboratório (intitulado Imprensando) do 4º ano noturno, escrita por Jean Delefrati intitulada “A Controversa Luta dos Estudantes”. Gostaria de fazer críticas referentes tanto à forma quanto ao conteúdo.

 

De forma simples, a minha opinião é de que a matéria é tecnicamente ruim. Me reservo ao direito de fazer tal julgamento independente de não ser um jornalista e nem um estudante de jornalismo. Aceitem ou não eu tanto tenho direito a ter essa opinião quanto tenho razões para tal, que serão devidamente expostas logo abaixo.

 

Quando nos perguntamos qual é a relação entre a matéria e o título, logo percebemos que a intenção é a de evidenciar a diversidade de opiniões acerca do que poderíamos chamar de “Movimento Estudantil” na UEL. Isso explica, por exemplo, tanto as primeiras linhas quanto as opiniões que foram apresentadas. Entretanto, percebam, e gostaria que soubessem, que a matéria inteira foi feita a partir de uma entrevista feita através do Orkut e, no caso da matéria menor, ao lado, através de um questionário via e-mail.

 

No Orkut temos pessoas que, além de não fazerem a mínima questão de se informar acerca do Movimento Estudantil da UEL, não participarem, e também não apoiarem, pelo contrário, fazem questão de se aproveitar do espaço da Internet, onde todos sabemos que as pessoas se sentem mais livres para fazer o que não fariam pessoalmente, para criticar. E fazem isto mesmo sem buscarem o mínimo de informações assim como de forma preconceituosa, ou seja, sem o mínimo de consideração. Por isso, na minha opinião, foi uma atitude bastante cômoda e pouco recomendável da parte desse estudante de jornalismo, buscar escrever uma matéria acerca do Movimento Estudantil se baseando tão somente em pesquisas através da Internet, ainda mais publicando comentários preconceituosas (em uma parte da matéria ele escreve a opinião de um estudante, que não se identifica, e que afirma que “as pessoas usam o movimento como desculpa para matar aula e fumar maconha”).

 

Eu mesmo não vi esse estudante em nenhuma Assembléia assim como não o vi em nenhuma manifestação.

 

Quanto ao conteúdo, eu fico impressionado com o sem número de erros cometidos por esse estudante. Primeiro que eu não faço Ciências Contábeis, como está escrito, e sim Ciências Econômicas. Segundo que a ocupação da reitoria não foi no começo deste ano, e sim perto do fim do ano passado. Terceiro, talvez na época em que eu havia respondido o autor eu ainda fosse filiado ao P-Sol, entretanto, não o sou mais, P-Sol significa “Partido Socialismo e Liberdade” (e não Partido da Solidariedade) e a afirmação de que há outros militantes ligados a CAs que também são filiados ao P-Sol é improcedente.

 

Por último gostaria de expor que, se algum estudante de Jornalismo estiver afim de escrever acerca do Movimento Estudantil, o que é bem vindo, eu me coloco à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários. Minha posição particular é a de que é fundamental para o movimento a veiculação de suas lutas, propostas e discussões através de todos os meios possíveis, e que, por causa disso, a participação de estudantes de Jornalismo é fundamental.

17
mai
07

Jornalismo Mentiroso

Na edição do Jornal de Londrina do dia 24/04/07 foi apresentada matéria de primeira capa referente às manifestações que ocorreram no Restaurante Universitário. É justamente nesse tipo de situação que nós podemos perceber a quem a ideologia por detrás da mídia corporativa serve. A minha intenção nesse post é revelar justamente isso.

A matéria pode ser encontrada no seguinte endereço: http://canais.rpc.com.br/jl/geral/conteudo.phtml?id=655559 e é escrita por Glória Galembeck. Não sei por que cargas d´água no site aparece Stella Meneghel.

As duas primeiras coisas que eu gostaria de evidenciar são as seguintes:

A primeira se refere ao afirmado apoio da reitoria, e da administração do SEBEC (Serviço de Bem Estar à Comunidade) – órgão ao qual o Restaurante Universitário está ligado – à suposta paralisação dos servidores. Qualquer pessoa com o mínimo senso crítico, na minha opinião, perceberia que essa só pode se tratar de uma jogada da própria administração da Universidade com a clara intenção de denegrir a imagem do Movimento Estudantil.

A segunda se refere à própria paralisação em si, e à matéria veiculada. Primeiro que, para que os servidores do Restaurante Universitário tivessem tomado uma decisão dessas eles teriam que estar minimamente mobilizados, ou seja, que eles tivessem se organizado e tivessem discutido entre si. Eles precisariam de espaço e de tempo que, normalmente, eles não têm. Além do que eles deveriam acreditar que teriam um mínimo de autonomia, que a administração da Universidade não dá para eles, para praticarem esse tipo de ação. E para a matéria ser veiculada seria necessário que, além disso, eles tivessem o interesse e a autonomia de recorrer aos órgãos de imprensa para cuidar da repercussão do encaminhamento tirado.

De forma alguma estou questionando a capacidade dos servidores do RU. Apenas gostaria de deixar claro que duvido muito de que seja isso que tenha acontecido. Por que, como eu disse, a exploração que eles sofrem não lhes dá tempo, espaço e nem autonomia para tal. Eu acredito piamente de que essa matéria foi simplesmente fabricada pela administração da Universidade.

Depois existem os méritos da própria matéria em si.

Basicamente a matéria diz que, se os estudantes voltarem a invadir o Restaurante Universitário, os funcionários iriam parar. E isso por que, com as invasões os funcionários se sentiam coagidos. Primeiro que o Restaurante Universitário se trata de um espaço público. Por causa disso é uma atitude ilegítima do jornal dizer que o estávamos invadindo. Segundo que em nenhum momento nenhum manifestante ameaçou qualquer funcionário. A única ameaça que eu vi que teve foi feita por um estudante pagante que estava na fila, o que não justifica a matéria.

Existem ainda outras questões ainda relativas à manifestação em si. As manifestações ocorreram Quinta e Sexta-Feira e se seguiram à reunião do Conselho de Administração da UEL que aprovou a redução de vagas da Moradia Estudantil, o aumento das taxas administrativas, e a expulsão dos vendedores ambulantes. Portanto, as manifestações começaram Quinta-Feira justamente por se tratar do dia imediatamente posterior à votação.

Muitas das pessoas que residem na Moradia Estudantil, eu acredito que sejam a maioria, simplesmente não poderiam estudar na Universidade se não fossem essas parcas políticas de Assistência, materializadas tanto na Moradia quanto no crédito mais barato. Percebam que, se não fosse esse socorro prestado pela Universidade a essas pessoas, elas simplesmente não estariam fazendo a Universidade, o que deveria ser um direito de todos. Tudo bem que, a educação, por se tratar por um direito, não deveria ser desvinculado de políticas de acesso e permanência entretanto, na absoluta falta dessas, espera-se que, pelo menos, o estado assista às pessoas que mais precisam. É justamente para isso que existem as triagens sócio-econômicas, como as que o SEBEC pratica na hora de selecionar os estudantes para a Moradia Estudantil.

Se uma universidade não pratica essas políticas ela está simples e claramente promovendo uma exclusão social. E é exatamente isso que a UEL vêm fazendo através da diminuição das suas políticas de assistência.

Pois bem, isso tudo foi para explicar a razão das pessoas, na manifestação, terem comido de graça. O que só aconteceu na Quinta-Feira, por que na Sexta-Feira, os funcionários, por ordem do Diretor do SEBEC, retiraram a comida da mesa assim que os manifestantes começaram a pegar as bandejas.

A manifestação na Quinta-Feira teve a seguinte dinâmica: as pessoas entraram pulando pelas roletas de saída, se aglomeraram em volta das mesas e algumas pessoas começaram a discursar. Acabado o discurso, a manifestação, gritando palavras de ordem, se dirigiu ao outro refeitório aonde repetiu o mesmo procedimento. Depois disso os manifestantes entraram na fila da bandeja e começaram a pegar comida.

Eu já disse que é simplesmente uma mentira dizer que os funcionários se sentiram coagidos com a manifestação por que nenhum manifestante, em momento algum, ameaçou os funcionários. Entretanto, gostariam que entendessem o porquê de um estudante pagante, que estava na fila, ter feito isso.

A razão simples é por que a fila estava parada, e a fila estava parada por que os funcionários se recusavam a servir. Entretanto isso se deve ao como a manifestação se desenvolveu naquele dia.

Na Sexta-Feira, saímos bem mais tarde do que na Quinta. Então tinha bem menos gente no refeitório. Como as catracas estavam sendo vigiadas por seguranças, entramos pela porta da frente, abrindo a portinhola de entrada de funcionários.

Fizemos a manifestação no refeitório da esquerda como de costume. Depois disso, alguns manifestantes, eu inclusive, tentamos pegar almoço. Como os funcionários rapidamente tiraram a comida da mesa, nós simplesmente abandonamos nossa bandeja mais à frente. Enquanto isso um grupo de manifestantes tentava atravessar de um refeitório a outro.

Percebam, a manifestação, se fosse seguir como no dia anterior, simplesmente iria discursar em um refeitório, passar para o outro, discursar no outro, e como não ia poder almoçar, ia embora. Entretanto, naquele dia não foi possível passar livremente de um refeitório a outro por que na hora que fomos fazer isso, tinha um cordão de seguranças impedindo a passagem. Quer dizer, a responsabilidade da manifestação ter se estendido além do previsto é da própria administração do SEBEC.

Para quem não sabe, no RU da UEL você tem dois refeitórios, um à esquerda e um à direita. Para escolher um ou outro refeitório, você pode pegar a fila do respectivo refeitório que, de qualquer maneira, são paralelas até chegar às bandejas. Quando você chega às bandejas você segue da esquerda para a direita no refeitório da direita ou da direita para a esquerda no refeitório da esquerda, ao longo de um corredor, aonde você pega os pratinhos com comida.

Pois bem, como estávamos no refeitório da esquerda, atravessando para o da direita, em uma determinada altura do campeonato o cordão de isolamento se desfez e o grupo começou a atravessar para o outro lado. Isso até encontrar com o diretor do SEBEC no fim do corredor do RU. Por causa disso a manifestação ficou aglomerada no corredor (ocupando todo o espaço em frente ao local as pessoas se servem).

Nessa discussão, o tal diretor do SEBEC, o Sr Oswaldo Yokota, afirmou que se os manifestantes se deslocassem para o refeitório da direita, ele liberaria o da esquerda. Por comum acordo nós aceitamos a proposta simplesmente por que não tínhamos interesse algum em prejudicar as pessoas que estavam na fila. Entretanto, enquanto os manifestantes se deslocavam, um dos manifestantes ainda estava discutindo com o Sr Yokota chamou todo o pessoal para ir lá fora discutir. Bem, como isso não foi proposto ao e discutido pelo coletivo dos manifestantes, apenas algumas pessoas foram. Enquanto isso os manifestantes não estavam mais ocupando o corredor.

Eu estava lá dentro. E enquanto estava lá dentro, veio uma moça lá do fundo dizendo que tinha um estudante tentando invadir a cozinha. Eu fui pessoalmente lá ver se isso era verdade, para não permitir que uma mentira dessas fosse inventada e imputada a nós. Pois bem, foi nessa ocasião que eu vi que era um rapaz, pagante, que estava na fila, que estava “coagindo” os funcionários. E isso justamente por que os funcionários se recusavam a servir a comida.

Percebam, portanto, que além de a manifestação se estender além do esperado devido justamente à medida adotada pela administração do SEBEC, o dissabor criado com os outros estudantes deveu-se ao desleal não cumprimento de sua própria proposta praticada pelo Sr Oswaldo Yokota.

Portanto, acho que está claro o quanto essa matéria e esse jornal são mentirosos e indignos de qualquer credibilidade.




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