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	<title>Contra-Informação</title>
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	<description>Se eu não escrever acabo esquecendo ...</description>
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		<title>Contra-Informação</title>
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		<title>Richard Dawkins &#8211; O Evolucionista Irado</title>
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		<comments>http://vsimoes.wordpress.com/2009/10/16/richard-dawkins-o-evolucionista-irado/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 00:51:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[Mais americanos acreditam em anjos que na evolução – e Richard Dawkins não vai mais aceitar isso.
 
Por Richard Dawkins – Nesweek

Publicado originalmente em http://www.newsweek.com/id/216140 no dia 25 de Setembro de 2009

Da edição lançada no dia 05 de Outubro de 2009


Os criacionistas estão profundamente enamorados pelos registros fósseis, por que eles foram ensinados (uns pelos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=130&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><em>Mais americanos acreditam em anjos que na evolução – e Richard Dawkins não vai mais aceitar isso.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">Por Richard Dawkins – Nesweek</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Publicado originalmente em <a href="http://www.newsweek.com/id/216140" target="_blank">http://www.newsweek.com/id/216140</a> no dia 25 de Setembro de 2009</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Da edição lançada no dia 05 de Outubro de 2009</p>
<p style="text-align:justify;"><a rel="attachment wp-att-133" href="http://vsimoes.wordpress.com/2009/10/16/richard-dawkins-o-evolucionista-irado/090927fossil/"><img class="aligncenter size-full wp-image-133" title="090927Fossil" src="http://vsimoes.files.wordpress.com/2009/10/090927fossil.jpg?w=450&#038;h=250" alt="090927Fossil" width="450" height="250" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Os criacionistas estão profundamente enamorados pelos registros fósseis, por que eles foram ensinados (uns pelos outros) a repetir, incansavelmente, o mantra de que o mesmo está cheio de “brechas”: “Mostre-me os intermediários!”. Eles ingenuamente (muito ingenuamente) acreditam que essas “brechas” constituem um embaraço para os evolucionistas. Na verdade, e nós temos sorte de possuirmos registros fósseis, deixe de lado o número massivo deles que hoje possuímos para documentar a história da evolução – grande número os quais, por quaisquer padrões, constituem belos “intermediários”. Nós não precisamos de fósseis para demonstrar que a evolução é um fato. A evidência da evolução seria completamente segura, mesmo se nenhum cadáver tivesse sido fossilizado. É um bônus que nós realmente tenhamos ricos veios de fósseis para minerar, e que mais deles sejam descobertos a cada dia. As evidências fósseis da evolução para a maioria dos grupos de animais é maravilhosamente forte. Entretanto, é claro, eles também possuem brechas, que os criacionistas amam obsessivamente.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Vamos usar a analogia de um detetive que chega à cena de um crime onde não houve testemunhas oculares. A baronesa foi morta a tiros. Impressões digitais, pegadas, DNA de uma mancha de suor na pistola, e um motivo forte, todos apontam para o mordomo. Tem todos os elementos de um caso simples de resolver, e o júri assim como toda a platéia do júri está convencida de que o mordomo realmente é o autor do crime. Mas uma evidência de última hora é encontrada, no curto intervalo de tempo antes do júri se retirar para refletir sobre o que parecia ser o seu inevitável veredicto de culpado; alguém se lembrou que a baronesa instalou câmeras de segurança contra ladrões. Com o fôlego suspenso, o júri assiste aos filmes. Uma cena mostra o mordomo abrindo a gaveta da despensa, tirando uma pistola, carregando-a, e caminhando furtivamente para fora da sala com um brilho sinistro nos olhos. Você poderia pensar que essa cena fortaleceria ainda mais a acusação contra o mordomo. Acompanhe o desfecho, entretanto. O advogado de defesa do mordomo astutamente observa que não havia câmeras de segurança na biblioteca aonde o assassinato foi cometido e de que também não havia câmeras de segurança no corredor que levava à despensa. “Há uma brecha<a href="#_ftn1">[1]</a> nas gravações! Nós não podemos afirmar o que aconteceu depois que o mordomo deixou a despensa. Claramente não existem evidências suficientes para incriminar o meu cliente!”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Em vão, o advogado de acusação declara que havia uma segunda câmera na sala de bilhar, e ela mostra, através de uma porta aberta, o mordomo, de arma em punho, andando furtivamente através do corredor que leva em direção à biblioteca. Isso certamente liga os eventos da gravação em vídeo? Mas não. Triunfantemente o advogado de defesa descarta o seu ás. “Nós não sabemos o que aconteceu antes ou depois que o mordomo atravessou a porta da sala de bilhar. Existem agora <em>dois intervalos</em> na gravação em vídeo. Senhoras e senhores do júri, por aqui encerro. Há agora menos evidências contra o meu cliente do que já houve antes”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O registro fóssil, como a câmera de segurança na estória de assassinato, é um <em>bônus</em>, algo que nós não devíamos contar como garantia. Já existem evidências mais do que suficientes para condenar o mordomo sem a câmera de segurança, e o júri já estava pronto para apresentar o seu veredicto antes da câmera ser descoberta. Semelhantemente, existem evidências mais do que suficientes para comprovar que a evolução é um fato no estudo comparativo das espécies modernas e da sua distribuição geográfica. Nós não <em>precisamos</em> de fósseis. A questão da evolução já era inequívoca sem eles, portanto é paradoxal usar <em>intervalos</em> no registro fóssil como se eles fossem evidências contra a teoria da evolução. Na verdade nós temos sorte de termos registros fósseis.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O que <em>poderia</em> ser uma evidência contra a evolução, e uma evidência muito forte para tal, seria a descoberta de um simples fóssil no estrato geológico errado. Como o eminente biólogo J.B.S. Haldane astutamente respondeu quando lhe pediram para nominar uma observação que poderia refutar a teoria da evolução: “Fósseis de coelhos do pré-cambriano!” Nenhum coelho desse gênero, nenhum fóssil genuinamente anacrônico<a href="#_ftn2">[2]</a> de qualquer tipo, alguma vez foram encontrados. Todos os fósseis que possuímos, que na verdade são muitos e muitos, se apresentam, sem uma exceção autêntica sequer, na seqüência temporal certa. Sim, existem intervalos onde não encontramos um fóssil sequer, e isso é tudo que podemos esperar.  Mas nenhum fóssil solitário já fora encontrado <em>antes</em> do período no qual deveria ter surgido. Esse é um fato amplamente conhecido. Uma boa teoria é uma que é vulnerável à refutação, mas que ainda não foi. A Evolução poderia assim facilmente ser refutada caso um simples fóssil surgisse no período temporal errado. A evolução passa neste teste com louvor. Céticos da evolução que gostariam de comprovar seus pontos de vista deveriam estar diligentemente revirando rochas, desesperadamente tentando encontrar fósseis anacrônicos. É possível que eles encontrem um. Quer apostar?</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O maior intervalo, que é aquele do qual os criacionistas mais gostam, é aquele que precedeu o período conhecido como Explosão Cambriana. Um pouco mais de meio bilhão de anos atrás, no Período Cambriano, a maior parte dos filos animais “subitamente” apareceu no registro fóssil. Subitamente, quero dizer, no sentido de que nenhum fóssil desses grupos animais foram avistados em rochas anteriores ao Cambriano, e não subitamente no sentido de instantaneamente; o período do qual estamos falando a respeito cobre aproximadamente 20 milhões de anos. De qualquer forma, ainda é bastante súbito, e, conforme escrevi em um livro anterior, o Cambriano nos mostra um número substancial da maioria dos filos animais “já em um avançado estado de evolução a primeira vez que aparecem. É como se eles simplesmente tivessem sido plantados lá, sem qualquer história evolucionária. Desnecessário dizer que, esse aparente surgimento súbito têm deleitado os criacionistas”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A última sentença indica que eu fui bastante perspicaz ao perceber que os criacionistas iriam gostar da Explosão Cambriana. Eu não era (nos idos de 1986) perspicaz o suficiente para perceber que eles iriam jubilosamente citar as minhas declarações a seu próprio favor, ardilosamente omitindo minhas cuidadosas palavras de explicação. Por capricho eu fiz uma busca na Web pela sentença “É como se eles simplesmente tivessem sido plantados lá, sem qualquer história evolucionária” e obtive não menos do que 1.250 ocorrências. Como um apressado teste de controle da hipótese de que a maioria destas ocorrências representava citações criacionistas – extraídas, eu tentei fazer uma busca, para fins de comparação, da cláusula que segue imediatamente a citação anterior: “Evolucionistas de todos os matizes acreditam, entretanto, que isso realmente representa um salto muito grande no registro fóssil”. Eu obtive um total geral de 64 ocorrências, comparadas às 1.250 ocorrências da sentença anterior.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Eu já trabalhei com a Explosão Cambriana por um bom tempo. Aqui eu vou introduzir apenas um novo ponto, ilustrado pelos vermes achatados, os <em>Platelmintos.</em> Este grande filo de vermes inclui os trematódeos e cestodas, que são de grande importância médica. Os meus favoritos, entretanto, são os vermes independentes da classe turbelária, do qual existem mais de 4.000 espécies: isso é tão numeroso quanto todos os mamíferos colocados juntos. Eles são comuns, tanto na água quanto na terra, e presumivelmente tem sido comuns já há um bom tempo. Você esperaria, entretanto, ver um rico legado fóssil. Infelizmente esse legado é praticamente nulo. Além de um punhado de ambíguas impressões, nenhum único fóssil de vermes achatados até hoje foi encontrado. Os <em>Platelmintos</em>, para os vermes, estão “já em um estado avançado de evolução, na primeira vez em que surgem. É como se eles simplesmente tivessem sido plantados lá, sem qualquer história evolucionária”. Mas neste caso, “na primeira vez em que surgem” não é o Período Cambriano mas o hoje. Você entende o que isso significa, ou pelo menos deveria significar para os criacionistas? Criacionistas acreditam que os vermes achatados foram criados todos na mesma semana assim como todas as outras criaturas. Durante todos esses séculos quando todos esses animais ósseos ou calcários estiveram depositando seus fósseis aos milhões, os vermes achatados devem ter vivido felizmente junto com eles, mas sem deixar entretanto o menor vestígio das suas existências nas rochas. O que, portanto, é tão especial a respeito de intervalos no registro desses animais que <em>se</em> fossilizam, dado que o legado histórico dos vermes achatados é <em>um grande vácuo histórico</em>: apesar de os vermes, pelas contas dos próprios criacionistas, terem vivido a mesma quantidade de tempo? Se o vácuo anterior à Explosão Cambriana é usado como evidência de que a maioria dos animais subitamente surgiu no mundo durante a Era Cambriana, exatamente a mesma “lógica” deveria ser usada para provar que os vermes achatados surgiram no mundo ontem mesmo. Todavia isso contraria a crença criacionista de que os vermes achatados foram criados durante a mesma semana criativa na qual todo o resto foi criado. Você não pode ter as duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Esse argumento, de um golpe, completa e finalmente destrói a declaração criacionista de que o vácuo no registro fóssil Pré-Cambriano pode ser usado como evidência contra a evolução.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Por que, sob o ponto de vista evolucionário, existem tão poucos fósseis anteriores ao Período Cambriano? Bem, presumidamente, quaisquer que foram os fatores aplicados aos vermes chatos através do tempo geológico, foram os mesmos fatores aplicados ao resto do reino animal anterior ao Período Cambriano. Provavelmente, a maioria dos animais anteriores ao Cambriano tinham o corpo mole como os modernos platelmintos, provavelmente ainda mais pequenos como as modernas turbelárias – que não constituem um bom material fóssil. E então algo aconteceu há meio bilhão de anos atrás para permitir aos animais se fossilizar livremente – por exemplo, o surgimento de esqueletos duros e minerais.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Um nome antigo para “intervalo no registro fóssil” era “elo perdido”. A expressão entrou em voga na Inglaterra Vitoriana, o que prosseguiu até o Século XX. Inspirada por um mal entendido acerca da teoria de Darwin, ela foi usada como um insulto, de forma próxima a “Neanderthal” é coloquialmente (e injustamente) usado hoje em dia.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O sentido original, que era confuso, implicava em dizer que à Teoria Darwiniana faltava um elo vital entre os humanos e os outros primatas. Negacionistas, presentemente, têm grande apreço em dizer, no que eles imaginam se tratar de um tom reprobatório: “Mas vocês ainda não encontraram o elo perdido”, e eles freqüentemente fazem um escárnio relativo ao Crânio de Piltdown, para completar. Ninguém sabe quem perpetuou o boato de Piltdown, mas essa pessoa têm muito a responder. O fato de que um dos primeiros candidatos a fóssil homem-primata descobertos tenha se tratado de um boato providenciou uma desculpa para os negacionistas ignorar os muitos inúmeros fósseis que não o são; e eles ainda não pararam de exultar com isso. Se eles apenas dessem uma olhadinha nos fatos, logo iriam descobrir que agora nós temos um rico suprimento de fósseis intermediários ligando humanos modernos ao ancestral comum que nós dividimos com os chimpanzés. Do lado humano da história, é claro. Interessantemente, ainda não foram encontrados fósseis ligando esse ancestral (que não era chimpanzé nem humano) aos chimpanzés modernos. Talvez isso aconteça por que chimpanzés vivem em florestas, que não provêm boas condições para a fossilização. De qualquer forma, são os chimpanzés, e não os seres humanos, que hoje têm o direito de reclamar de elos perdidos!</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Outro sentido diz respeito à alegada escassez das tão famosas “formas transicionais” entre grupos maiores como répteis e pássaros, ou peixes e anfíbios. “Apresentem seus intermediários!”. Os evolucionistas geralmente respondem a esse desafio dos negacionistas atirando-lhes ossos do <em>Archaeopteryx</em>, o famoso “intermediário” entre “répteis” e pássaros. Isso é um engano. <em>Archaeopteryx</em> não é a resposta a um desafio, por que não há desafio que valha a pena responder. Levantar um simples fóssil famoso como o <em>Archaeopteryx</em> significa ceder a uma falácia. De fato, para um grande número de fósseis, uma boa discussão pode ser feita a respeito de se cada um deles é ou não um intermediário entre alguma coisa e alguma outra coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O mais tolo desses desafios acerca do “elo perdido” são as seguintes duas (ou variantes delas, as quais tem muitas). Primeiro, “Se as pessoas vieram dos macacos através dos sapos e dos peixes, então por que o registro fóssil não contem um ´sacaco<a href="#_ftn3">[3]</a>´”? E, segundo, “Eu passarei a acreditar na evolução quando eu vir um macaco parir um bebê humano”. Essa última afirmação comete o mesmo erro que todas as outras, além do erro adicional de pensar que uma mudança evolucionária de larga escala acontece do dia para a noite.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Bem, é claro, macacos não descendem de sapos. Nenhum evolucionista são já disse que eles o fizeram, ou disseram que patos descendem de crocodilos ou vice versa. Macacos e sapos dividem um ancestral comum, que certamente não se parecia nada como um sapo nem como um macaco. Talvez ele se parecesse um pouco com uma salamandra, e realmente nós possuímos fósseis parecidos com salamandras datando da época certa. Mas a questão não é essa. Cada uma das milhões de espécies de animais divide um ancestral comum com qualquer outra espécie. Se o seu entendimento acerca da evolução é tão deformado que você pensa que nós deveríamos esperar ver um sacaco ou um crocopato, você deveria também engrandecer o seu sarcasmo sobre a ausência de cachorropótamos ou de elefanzés. Na verdade, por que se limitar apenas aos mamíferos? Por que não pensar em uma kangurata (intermediário entre um canguru e uma barata) ou um octopardo (intermediário entre um óctopus e um leopardo)? Existe um número infinito de nomes de animais que você pode ajuntar da mesma forma. É claro que os hipopótamos não descendem dos cães, ou vice versa. Chimpanzés não descendem dos elefantes ou vice versa, da mesma forma que macacos não descendem de cães. Nenhuma espécie moderna descende de qualquer outra espécie moderna (se deixarmos de fora as separações muito recentes). Da mesma forma que você pode encontrar fósseis que podem aproximá-lo do ancestral comum do macaco e do elefante você também pode encontrar fósseis que o aproxime do ancestral comum dos elefantes e dos chimpanzés.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Já em relação ao segundo desafio, mais uma vez, humanos não descendem dos macacos. Nós na verdade dividimos um ancestral com eles. Conforme isso acontece, o ancestral comum pode se parecer mais com um macaco do que com um humano, e nós iríamos provavelmente chamá-lo de macaco, se o tivéssemos conhecido há 25 milhões de anos atrás. Mas embora humanos tenham evoluído de um ancestral que nós poderíamos chamar de macaco, nenhum animal dá a luz a uma nova espécie instantaneamente, ou pelo menos a nenhuma espécie que seja tão diferente de si mesma quanto um humano de um macaco, ou até de um chimpanzé. Isso não tem nada a ver com evolução. A Evolução não apenas é um processo gradual; ela <em>tem</em> que ser gradual se é para fazer algum trabalho explicativo. Grandes saltos em uma única geração – que é o que seria um macaco dando luz a um ser humano – são tão improváveis quanto a própria criação divina, e são descartadas pela mesma razão: estatisticamente são muito improváveis. Seria tão bom se aqueles que se opõem à evolução enfrentassem um pouco que fosse o desafio de aprender os menores rudimentos daquilo a que se opõem.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Retirado do livro “O Maior Espetáculo da Terra: A Evidência da Evolução”, escrito por Richard Dawkins.</p>
<p style="text-align:justify;">
<hr size="1" />
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> No original “gap” que tem um sentido mais próximo de “intervalo” mas que também pode significar uma “brecha”. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> <strong>Anacrônico</strong> é tudo o que se situa fora de seu devido tempo histórico. Um filme que retratasse o Século XIX e exibisse um computador seria anacrônico, já que os mesmos foram inventados no Século XX. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> No original “fronkey” que é uma palavra composta formada através da junção das palavras “frog” e “monkey”. A idéia é a de uma criatura intermediária e quimérica entre o sapo e o macaco. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<title>Richard Dawkins &#8211; A verdade que os cães revelam acerca da evolução</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 09:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[biologia]]></category>
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		<description><![CDATA[A forma como os lobos se adaptaram ao ambiente para se transformarem em cães lança uma nova luz sobre a evolução

Publicado no The Times em 25 de Agosto de 2009 http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/books/book_extracts/article6808173.ece

Traduzido por Vinícius Morais Simões http://vsimoes.wordpress.com

Nós podemos nos voltar ao exemplo dos cães para algumas importantes lições acerca da seleção natural. Todas as raças de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=106&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;"><em>A forma como os lobos se adaptaram ao ambiente para se transformarem em cães lança uma nova luz sobre a evolução</em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Publicado no The Times em 25 de Agosto de 2009 <a href="http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/books/book_extracts/article6808173.ece">http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/books/book_extracts/article6808173.ece</a></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Traduzido por Vinícius Morais Simões <a href="../../../../../">http://vsimoes.wordpress.com</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a rel="attachment wp-att-107" href="http://vsimoes.wordpress.com/2009/10/11/richard-dawkins-a-verdade-que-os-caes-revelam-acerca-da-evolucao/090825wolf/"><img class="alignleft size-full wp-image-107" title="090825Wolf" src="http://vsimoes.files.wordpress.com/2009/10/090825wolf.jpg?w=385&#038;h=185" alt="090825Wolf" width="385" height="185" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Nós podemos nos voltar ao exemplo dos cães para algumas importantes lições acerca da seleção natural. Todas as raças de cães advêm de lobos domesticados: não de chacais, não de coiotes nem de raposas. Mas eu preciso qualificar isso sob a luz de uma fascinante teoria da evolução dos cães, que foi mais claramente formulada pelo zoólogo americano Raymond Coppinger. A idéia é que a evolução dos cães não se trata apenas de um caso de seleção artificial. Que ela foi um tanto um caso de lobos se adaptando aos caminhos do homem através da seleção natural. Que muito da domesticação inicial foi na verdade autodomesticação, mediada pela seleção natural, e não artificial. Muito antes de colocarmos nossas mãos no cinzel da caixa de ferramentas da seleção artificial, a seleção natural já havia esculpido os lobos no formato de “cães de vila<a href="#_ftn1">[1]</a>” autodomesticados sem qualquer intervenção humana.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Apenas mais tarde os humanos adotaram esses cães de vila e os transformaram, separada e compreensivelmente, no amplo espectro de raças que hoje em dia nos brindam (se brindar é a palavra) com um cortejo suntuoso de realização e beleza canina (se beleza é a palavra certa).</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Coppinger chama a atenção para o fato de que quando os animais domésticos se libertam e se tornam selvagens por muitas gerações, eles geralmente retrocedem a um estado próximo ao do seu ancestral. Nós deveríamos esperar que os cães domésticos que se criaram no meio selvagem<a href="#_ftn2">[2]</a>, entretanto, se tornassem semelhantes aos lobos. Mas isso na verdade não acontece. Ao contrário, cães domésticos criados em meio selvagem parecem se tornar os onipresentes “cães de vila” – cães vira-lata<a href="#_ftn3">[3]</a> &#8211; que rodeiam as instalações humanas em todo o Terceiro Mundo. Isso encoraja a crença de Coppinger de que os cães a partir do qual os criadores passaram a trabalhar não se tratavam mais de lobos. Eles já tinham se transformado em cães: cães de vila, vira-latas, talvez dingos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Lobos de verdade são caçadores de mão cheia. Cães de vila são arruaceiros que freqüentemente remexem e reviram o lixo. Os lobos também podem revirar lixo, mas não são temperamentalmente equipados para revirar detritos humanos por causa da sua longa “distância de decolagem”. Se você vir um animal se alimentando, você pode medir sua distância de decolagem vendo quão perto ele lhe deixa se aproximar antes de se afastar. Para qualquer espécie dada em uma situação dada, haverá uma distância de decolagem ótima, algo entre muito arriscado ou temerário em uma ponta mais curta, e muito confortável ou avesso ao risco em outra ponta mais longa. Indivíduos<a href="#_ftn4">[4]</a> que se afastam tarde demais quando o perigo os ameaça têm maiores chances de serem mortos por aquele mesmo perigo. Menos obviamente, há também uma coisa considerada se afastar cedo demais. Indivíduos apreensivos demais nunca conseguem ter uma refeição completa, por que saem correndo sob a menor sugestão de perigo à vista. É fácil para nós subestimar os perigos de ser avesso demais ao risco. Nós nos sentimos intrigados quando vemos zebras ou antílopes pastando calmamente quando estão sendo observados por leões, mantendo nada mais do que um olhar atento sobre esses mesmos leões.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Nós nos sentimos intrigados por que nossa própria (ou aquela que corresponde ao nosso guia turístico) aversão ao risco nos mantém firmemente dentro do nosso Land Rover mesmo quando não temos razão para pensar que há um leão a milhas de distância. Isso acontece por que não temos nada para compensar o nosso medo. Nós vamos ter a nossa refeição completa assim que chegarmos aos nossos alojamentos. Nossos ancestrais selvagens teriam uma simpatia muito maior com as zebras aventureiras<a href="#_ftn5">[5]</a>. Como as zebras, eles tinham que sopesar o risco de serem comidas com o risco de não poderem comer. Com certeza, o leão poderia atacá-los, mas, dependendo do tamanho da sua tropa, maiores seriam as chances de que ele pegasse algum outro membro dela ao invés de você. E se você nunca se aventurasse em direção aos campos de caça e coleta, ou abaixo em direção aos cursos d´água, você iria morrer de qualquer forma, de fome ou de sede. É uma verdadeira lição de custo de oportunidade.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A questão de fundo deste exemplo é que o lobo selvagem, como qualquer outro animal, irá ter uma distância ótima de decolagem, belamente situada – e potencialmente flexível – entre muito audacioso e muito precipitado. A seleção natural irá agir sobre a distância de decolagem, movendo-a em uma ou em outra direção ao longo do <em>continuum</em> conforme mudarem as condições através do tempo evolucionário. Se uma abundante nova fonte de alimentos na forma de detritos humanos adentrar o mundo dos lobos, isto irá deslocar o ponto ótimo em direção à ponta mais curta do continuum do vôo de decolagem, na direção de uma relutância em se afastar enquanto estiver aproveitando sua nova recompensa.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Nós podemos imaginar lobos selvagens remexendo em uma pilha de lixo nos limites de uma vila. A maior parte deles, temerosa de homens que lhes atirem pedras e lanças, tem uma longa distância de decolagem. Eles correm para a segurança da floresta assim que vêem um humano aparecer ao longe. Mas uns poucos indivíduos, por um acaso genético, acontecem de ter uma distância de decolagem ligeiramente menor que a média. A sua prontidão para aceitar pequenos riscos – eles podem ser corajosos, poderíamos dizer, mas não imprudentes – os permite auferir mais comida do que os seus rivais avessos ao risco. Conforme as gerações vão se sucedendo, a seleção natural favorece uma distância de decolagem cada vez menor, até pouco antes de alcançar o ponto onde os lobos são realmente ameaçados por humanos atiradores de pedras. A distância ótima de decolagem teria se deslocado em virtude da recém disponível fonte de alimentos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Algo como este encurtamento evolucionário da distância de decolagem foi, na visão de Coppinger, o primeiro passo em direção à domesticação dos cães, e ele foi alcançado através das vias da seleção natural não da seleção artificial. O decrescimento da distância de decolagem é uma medida comportamental do que pode ser considerada uma crescente domesticação<a href="#_ftn6">[6]</a>. Neste estágio do processo, os humanos não estão deliberadamente escolhendo os indivíduos melhor domesticados para a criação. Neste estado inicial, as únicas interações entre os humanos e esses cães incipientes eram hostis. Se os lobos estavam em vias de se tornar domesticados, isso se deveu à autodomesticação e não à domesticação deliberada pelas pessoas. A domesticação deliberada surgiu mais tarde.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Nós podemos ter uma idéia de como a domesticação, ou qualquer coisa, pode ser esculpida – natural ou artificialmente – olhando para o fascinante experimento dos tempos modernos que é a domesticação de raposas prateadas da Rússia para o uso no mercado de peles. É algo duplamente interessante por causa das lições que nos ensina, acerca das coisas que Darwin já sabia, sob o processo de domesticação, sobre os “efeitos colaterais” da criação de animais de raças, e sobre as similitudes, que Darwin entendeu muito bem, entre a seleção natural e artificial.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A raposa prateada é apenas uma variedade colorida, valorizada pela beleza de sua pele, da familiar raposa vermelha, <em><a href="http://www.naturephoto-cz.eu/pic/ceteri/vulpes-vulpes-7594.jpg" target="_blank">Vulpes vulpes</a>.</em> O geneticista russo Dimitri Belyaev foi empregado para administrar uma fazenda de peles nos anos 50. Mais tarde ele foi demitido por que sua ciência genética entrava em contradição com a ideologia anti-científica de Lysenko, o biólogo charlatão que conseguiu tomar para si os ouvidos de Stalin e, por essa razão, tomar de assalto, e arruinar largamente, toda a agricultura e genética Soviética por aproximados 20 anos. Belyaev manteve o seu amor pelas raposas, e pela verdadeira genética, e mais tarde foi capaz de retomar seus estudos de ambos, como diretor do Instituto de Genética na Sibéria.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">As raposas selvagens são difíceis de lidar, e Belyaev se armou justamente para criá-las com vista à domesticação. Como qualquer criador de animal e planta do seu tempo, o seu método foi explorar a variação natural (não havia engenharia genética naquele tempo) e escolher, para a criação, aqueles machos e fêmeas que mais se aproximavam do ideal que ele estava procurando.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Ao fazer uma seleção orientada à domesticação, Belyaev poderia ter escolhido, para criação, aqueles cães e cadelas<a href="#_ftn7">[7]</a> que tivessem maior apelo para ele, ou olhassem para ele com as mais singelas expressões faciais. Isto também poderia ter o efeito desejado na domesticação das futuras gerações. Mais sistematicamente do que isso, entretanto, ele usou a medida que estava bem próxima da “distância de decolagem” que acabei de mencionar, em conexão com os lobos selvagens, mas adaptado para filhotes. Belyaev e seus colegas (e sucessores, para o programa experimental continuado após sua morte) sujeitaram filhotes de raposas a testes padronizados nos quais um pesquisador oferecia comida a um filhote em sua mão, enquanto tentava acariciá-lo. Os filhotes eram classificados em três gêneros: Os filhotes do Gênero III eram aqueles que se afastavam ou mordiam a pessoa. Os filhotes do Gênero II eram aqueles que permitiam ser acariciados, mas não demonstravam nenhuma resposta positiva aos pesquisadores. Filhotes do Gênero I, os mais domesticados de todos, se aproximavam positivamente dos pesquisadores, abanando suas caudas e choramingando. Quando os filhotes cresceram, os pesquisadores sistematicamente reproduziam apenas espécimes desse gênero mais domesticado.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Após meras seis gerações desse processo de criação seletiva orientado à domesticação, as raposas mudaram tanto que os pesquisadores se sentiram obrigados a criar uma nova categoria, o gênero da “elite domesticada”, que eram “ávidos para estabelecer contato humano, choramingando para atrair a atenção e que cheiravam e lambiam os pesquisadores como fazem os cães”. No começo do experimento, nenhuma das raposas era do gênero de elite. Após dez gerações de criação orientada à domesticação, 18% da espécie pertencia à “elite”; após 20 gerações, 35%, e após 30 a 35 gerações, os indivíduos da “elite domesticada” constituíam de 70 a 80% da população experimental.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Tais resultados talvez não sejam tão surpreendentes, exceto pela espantosa magnitude ou velocidade do efeito. Trinta e cinco gerações passariam inadvertidamente na escala de tempo geológica. Ainda mais interessante, entretanto, foram os inesperados efeitos colaterais da criação seletiva orientada à domesticação. Eles são genuína e fascinantemente imprevistos. Darwin, o aficcionado por cães, ficaria extasiado.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">As raposas não apenas se comportavam como cães domésticos, elas se pareciam com eles. Elas perderam sua pelagem de raposa e se tornaram malhadas, como <a href="http://fc01.deviantart.com/fs7/i/2005/270/0/8/Welsh_Collies_by_WildSpiritWolf.jpg" target="_blank">Collies Gauleses[8]</a>. Suas orelhas pontudas de raposa foram substituídas por orelhas moles de cachorro. Suas caudas viraram para cima nas pontas como o rabo de um cachorro, ao invés de para baixo, como no “rabo de escova” de uma raposa. As fêmeas passaram a entrar no cio a cada seis meses como uma cadela, ao invés de em um ano. De acordo com Belyaev, elas inclusive soavam como cães.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Estas características caninas eram efeitos colaterais. Belyaev e sua equipe não deliberadamente as selecionaram, apenas a domesticação. Essas outras características caninas aparentemente pegaram carona na rabeira dos genes para a domesticação. Para os geneticistas, isso não é uma surpresa. Eles reconhecem nisso um fenômeno bastante difundido chamado “pleiotropia”, onde os genes têm mais de um efeito, aparentemente sem correlação alguma. A atenção deve ser dada à palavra “aparentemente”. O desenvolvimento embrionário é uma questão complexa. Conforme aprendemos cada vez mais sobre isso, os detalhes que são “aparentemente sem correlação alguma” se transformam em “conectados através de uma via que antes não entendíamos, mas agora entendemos”. Presumivelmente os genes para as orelhas moles e para a pelagem malhada estão pleiotropicamente ligados a genes para a domesticidade, tanto em raposas quanto em cães. Isso ilustra uma questão bastante importante acerca da evolução. Quando você percebe uma característica em um animal e se pergunta qual é o seu valor darwiniano de sobrevivência, você pode estar se fazendo a pergunta errada. Pode ser que a característica que você escolheu não é uma caracerística determinante. Ela pode ter “vindo de carona” e sido agregada durante o processo evolutivo a alguma outra característica à qual ela foi pleiotropicamente ligada.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A evolução do cachorro, portanto, se Coppinger estiver certo, não foi apenas uma questão de seleção artificial, mas uma mistura complexa de seleção natural (que predominou nos estágios iniciais do processo de domesticação) e seleção artificial (que tomou a dianteira recentemente). A transição teria simplesmente sido contínua, o que novamente evidencia a semelhança – como o próprio Darwin reconheceu – entre a seleção natural e a artificial.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A seleção – na forma de seleção artificial realizada por criadores humanos – pode tornar um vira-latas em um pequinês, ou um repolho selvagem em uma couve-flor, em poucos séculos. A diferença entre duas raças de cães pode nos dar uma pequena idéia acerca da quantidade de mudança evolucionária que pode ser atingida em menos de um milênio.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A próxima questão que deveríamos nos perguntar é, quantos milênios nós temos disponíveis para nós na contagem de toda a história da vida? Se nós imaginarmos a distância evolutiva<a href="#_ftn9">[9]</a> que separa um vira-lata de um pequinês, o que tomou apenas uns poucos séculos de evolução, quão mais distante é o tempo que nos separa do começo da evolução ou, digamos, do surgimento dos mamíferos? Ou da época na qual os peixes emergiram à terra? A resposta é que a vida começou não apenas a alguns séculos, mas a dezenas de milhões de séculos atrás. A idade medida do nosso planeta é de 4,6 bilhões de anos, ou aproximadamente 46 milhões de séculos. O tempo que se passou desde que o ancestral comum de todos os mamíferos andou sobre a terra é de aproximadamente dois milhões de séculos. Um século parece um tempo muito longo para nós. Você pode imaginar dois milhões de séculos, de ponta a ponta? O tempo que se passou desde que nossos ancestrais aquáticos rastejaram para a terra é de aproximadamente três e meio milhões de séculos: é, para se dizer, aproximadamente 20.000 vezes maior que o tempo levado para criar todas as diferentes – realmente muito diferentes – raças de cachorros a partir do ancestral comum que todos eles compartilhavam.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Mantenha em mente uma imagem aproximada da diferença entre um pequinês e um vira-latas. Nós não estamos falando de medidas precisas aqui: isso ajudaria tanto quanto pensar sobre a diferença entre quaisquer duas raças de cachorros, por que isso representa na média o dobro da quantidade de mudança realizada, pela seleção artificial, a partir do ancestral comum. Guarde na lembrança essa ordem da mudança evolucionária, e então extrapole-a para trás 20.000 vezes em direção ao passado. Isso torna muito mais fácil aceitar que a evolução poderia realizar a quantidade de mudança necessária para transformar um peixe em um ser humano.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">© Richard Dawkins 2009</p>
<p style="text-align:justify;">Extraído do livro <a href="http://vsimoes.wordpress.com/2009/09/26/richard-dawkins-o-maior-espetaculo-da-terra/" target="_self"><strong>O Maior Espetáculo da Terra</strong></a>, a ser publicado pela Bantam Press em 10 de Setembro.</p>
<p style="text-align:justify;">
<hr size="1" />
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> Essa é uma palavra que poderia ser adotada no português. Entretanto a nossa tradução mais próxima é “cachorro de rua”. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> No original “break free and go feral” que têm uma tradução muito próxima de “se tornar selvagem”. Entretanto, como os cães selvagens são uma espécie diferente de cães, dei preferência para a forma mais prolixa “cães domésticos que se criaram em meio selvagem”. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> No original “pye-dogs”. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref4">[4]</a> O autor usa a expressão “individuals” para se referir a membros de uma espécie. Não confundir com indivíduos no sentido de seres humanos. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref5">[5]</a> No original “risk-taking” ou, que gostam de correr riscos. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref6">[6]</a> No original “increasing tameness” como em “Lion tamer” ou,  “domador de leões”. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref7">[7]</a> Aparentemente é um engano do autor, já que ele vai tratar da criação de raposas e não de cães. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref8">[8]</a> A partir da observação das suas orelhas pontudas e do seu rabo peludo nós bem que poderíamos dizer que o Collie Gaulês se parece com uma raposa. Veja a imagem visualizada no dia 10 de Outubro de 2009: <a href="http://farm4.static.flickr.com/3207/3038482742_31dbde3cc3.jpg">http://farm4.static.flickr.com/3207/3038482742_31dbde3cc3.jpg</a> N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref9">[9]</a> Tempo que demora para um ancestral comum dar origem a duas espécies diferentes. N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;">
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		<title>Hamas nega apoio a casamentos infantis em massa</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Oct 2009 14:46:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Vídeo na internet denuncia o “impressionante casamento de 450 meninas”
Publicado em 04 de Agosto de 2009 por Aaaron Klein
2009 WorldNetDaily
O Hamas veementemente negou os rumores da Internet e as matérias publicadas em blogs que denunciam que o grupo Islâmico Palestino realizou uma cerimônia em massa nas quais eram celebrados os casamentos de crianças.
Um vídeo que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=102&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Vídeo na internet denuncia o “impressionante casamento de 450 meninas”</p>
<p>Publicado em 04 de Agosto de 2009 por Aaaron Klein</p>
<p>2009 WorldNetDaily</p>
<p>O Hamas veementemente negou os rumores da Internet e as matérias publicadas em blogs que denunciam que o grupo Islâmico Palestino realizou uma cerimônia em massa nas quais eram celebrados os casamentos de crianças.</p>
<p>Um vídeo que circula na Internet intitulado “Hamas shocking mass wedding for 450 little girls” (Impressionante casamento em massa de 450 crianças financiado pela Hamas) exibe crianças que aparentam ter de 8 a 10 anos de idade supostamente se casando em uma cerimônia em massa realizada pelo Hamas na última semana. Pequenas garotas vestindo o que se parecem ser vestidos de noiva foram filmadas chegando em carros e então descendo em um corredor com os noivos.</p>
<p>O vídeo e as imagens relacionadas por sua vez foram responsáveis pela criação de inúmeros posts fazendo declarações semelhantes de que o Hamas estava realizando o casamento de centenas de crianças.</p>
<p>A agência WND recebeu um grande volume de e-mails solicitando à organização de notícias que investigasse o assunto.</p>
<p>O Hamas realmente realizou uma cerimônia em massa na última Quinta-Feira na qual aproximadamente mil palestinos celebraram seus casamentos. Muitas das famílias envolvidas disseram que não tinham condições para realizar sua própria festa. Cada noivo recebeu um presente de aproximadamente US$ 500,00 do HAMS, que disse que seus trabalhadores também contribuíram com 5% da sua remuneração mensal para contribuir com o presente de casamento.</p>
<p>Ahmed Jarbour, o oficial do Hamas em Gaza responsável pela realização da atividade, disse à WND que a garota mais nova a se casar na cerimônia tinha 16 anos. Disse também que a maioria das noivas eram maiores de 18 anos de idade.</p>
<p>Jarbour, assim como dois outros oficiais de alto escalão contactados pela WND, se sentiu ofendido pela sugestão de que o Hamas estava financiando o casamento de crianças.</p>
<p>Ele explicou que as menores vistas no vídeo faziam parte da família do noivo ou da noiva. Ele disse que se trata de uma tradição as menores se vestirem de vestidos semelhantes aos das noivas. Disse que as meninas que aparecem no vídeo descendo um corredor com os noivos são membros da família do noivo ou da noiva.</p>
<p>Uma análise do vídeo feita pela WND encontrou algumas garotas, falando em árabe, declarando que iam participar do casamento de um membro da família. As garotas entrevistadas não disseram coisa alguma a respeito de elas mesmas estarem se casando.</p>
<p>Em múltiplas ligações realizadas para os palestinos que participaram do casamento os mesmos afirmaram que as garotinhas não eram elas mesmas as noivas.</p>
<p>O Hamas, entretanto, celebraram o casamento como uma vitória.</p>
<p>“Nós estamos dizendo ao mundo e à América que eles não podem nos negar a alegria e a felicidade”, Mahmoud al-Zahar, Chefe do Hamas em Gaza, disse aos noivos no evento.</p>
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		<title>Richard Dawkins &#8211; O Maior Espetáculo da Terra</title>
		<link>http://vsimoes.wordpress.com/2009/09/26/richard-dawkins-o-maior-espetaculo-da-terra/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 02:13:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[ciências]]></category>
		<category><![CDATA[darwinismo]]></category>
		<category><![CDATA[evolução]]></category>

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		<description><![CDATA[Criacionistas, agora eles estão vindo pegar suas crianças
As pessoas que rejeitam a teoria da evolução deveriam ser colocadas lado a lado com aquelas que negam o holocausto, declara o autor do novo e controverso livro.
 

Richard Dawkins

Traduzido por Vinícius Morais Simões: http://vsimoes.wordpress.com



Imagine que você é um professor de História Romana ou de Latim, ansioso para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=93&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><h2 style="text-align:justify;">Criacionistas, agora eles estão vindo pegar suas crianças</h2>
<p style="text-align:justify;"><em>As pessoas que rejeitam a teoria da evolução deveriam ser colocadas lado a lado com aquelas que negam o holocausto, declara o autor do novo e controverso livro.</em></p>
<div id="attachment_97" class="wp-caption alignright" style="width: 235px"><em><em><a rel="attachment wp-att-97" href="http://vsimoes.wordpress.com/2009/09/26/richard-dawkins-o-maior-espetaculo-da-terra/richard-dawkins/"><img class="size-full wp-image-97" title="Richard Dawkins" src="http://vsimoes.files.wordpress.com/2009/09/090824rd.jpg?w=225&#038;h=359" alt="Richard Dawkins" width="225" height="359" /></a></em></em><p class="wp-caption-text">Richard Dawkins</p></div>
<p><em> </em></p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Richard Dawkins</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Traduzido por Vinícius Morais Simões: <a href="../../../../../">http://vsimoes.wordpress.com</a></p>
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<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Imagine que você é um professor de História Romana ou de Latim, ansioso para transmitir o seu entusiasmo pela Antiguidade Clássica – pelas elegias de Ovídio e pelas odes de Horácio, pela vigorosa economia da gramática latina como exibida na oratória de Cícero, as belezas estratégicas das Guerras Púnicas, o gênio estratégico de Júlio César e os excessos voluptuosos dos últimos imperadores. Este seria um grande empreendimento que tomaria muito tempo, concentração e dedicação. Ainda assim você encontraria o seu tempo continuamente prejudicado, a atenção da sua classe distraída, pelos latidos de uma matilha de <em>ignoramuses</em> (que como professor de latim você entenderia que seria o jeito certo de declinar <em>ignorami</em>) <a href="#_ftn1">[1]</a> que, com apoio político e especialmente financeiro, espalham aos quatro ventos que os romanos nunca existiram. Que nunca houve um Império Romano. Que o mundo inteiro veio a existir apenas um pouco antes do tempo de que temos memória. Que o espanhol, o italiano, o francês, o português, o catalão, o ocittânico e o romanche, todas essas línguas e os dialetos que as constituem surgiram espontânea e separadamente, e que nada devem a um ancestral chamado latim.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Ao invés de devotar toda a sua atenção para a nobre vocação de ser um erudito e professor, você é obrigado a investir parte do seu tempo e energia para a retrógrada defesa do pressuposto de que os romanos realmente existiram: uma defesa contra a exibição de um preconceito ignóbil que poderia fazê-lo chorar caso você não estivesse tão ocupado lutando contra ele.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Se a minha analogia sobre o Professor de Latim lhe pareceu por demais irreal, aqui está um exemplo mais realista. Imagine-se um professor de história mais recente, e que as suas lições sobre a Europa do Século XX são boicotadas, impedidas ou interrompidas de outra forma por grupos bem organizados e bem financiados assim como grupos políticos musculosos de negadores do holocausto. Diferente dos meus improváveis negadores do Império Romano, os negadores do Holocausto realmente existem. Eles se expõem razoavelmente, são superficialmente preparados e adeptos do aprendizado aparente<a href="#_ftn2">[2]</a>. Eles recebem apoio do presidente de pelo menos um grande estado atual, e contam com o apoio de pelo menos um bispo da Igreja Católica. Imagine que, como professor de História da Europa, você é continuamente encarado com exigências beligerantes tais como a de “ensinar a controvérsia” e a dar “tempos iguais” para a “teoria alternativa” de que o Holocausto nunca aconteceu e que foi inventado por um bando de farsários sionistas.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Os adeptos da moda do relativismo intelectual seguem o rastro afirmando que não existe verdade absoluta: que acreditar que o Holocausto aconteceu ou não é uma questão de crença pessoal, que ambos os pontos de vista são igualmente válidos e, portanto, devem ser igualmente “respeitados”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O fardo que muitos professores de ciência têm que carregar hoje em dia não é necessariamente mais leve. Quando eles tentam expor o princípio fundamental e norteador da biologia, quando tentam honestamente colocar o mundo dos seres vivos em seu contexto histórico – que é o contexto da evolução; quando exploram e explicam a verdadeira natureza da própria vida, eles são assolados e impedidos, importunados e achincalhados, e até ameaçados com a perda de seus empregos. No mínimo têm o seu tempo desperdiçado todas as vezes. É comum eles receberem cartas ameaçadoras de pais e terem de suportar os gracejos sarcásticos assim como as atitudes resilientes dos seus alunos vítimas de lavagem cerebral. Eles são providos com o fornecimento de livros-texto aprovados pelo Estado nos quais a palavra “evolução” foi sistematicamente expurgada, ou esvaziadas em “mudança através do tempo”. Há um tempo atrás nós nos sentimos tentados a rir um bocado disso como se fosse um fenômeno peculiarmente estadunidense. Agora os professores da Grã Bretanha e da Europa enfrentam os mesmos problemas, em parte por causa da influência estadunidense, mas mais particularmente por causa do crescimento da presença islâmica nas salas de aula – em cumplicidade com o comprometimento oficial com a “diversidade cultural” e o terror de ser visto como racista.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Frequente e pertinentemente tem se afirmado por aí que padres e teólogos não têm desavenças com a teoria da evolução e que, em muitos casos, efetivamente apóiam cientistas que tratam desse assunto. Isso geralmente é verdade, como tive a oportunidade de testemunhar em uma experiência positiva de colaboração com o antigo Bispo de Oxford, agora conhecido como Lord Harries, em duas diferentes ocasiões. Em 2004 nós escrevemos um artigo conjunto no <em>The Sunday Times</em> cujas palavras de conclusão foram: “Hoje em dia não há o que se debater. A Evolução é um fato e, de uma perspectiva cristã, um dos maiores trabalhos de Deus”. A última sentença foi escrita por Richard Harries, mas nós concordamos a respeito de todo o resto do artigo. Dois anos antes, o Bispo Harries e eu tínhamos redigido uma carta conjunto endereçada ao Primeiro Ministro da Inglaterra, Tony Blair.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">[Na referida carta, cientistas e religiosos eminentes, incluindo sete bispos, expressaram suas preocupações relativas ao ensino da evolução e o seu alarme relativo à exposição desse ensino como uma “questão de fé” na Universidade Tecnológica da Cidade de Emmanuel, em Gateshead.] O Bispo Harries e eu elaboramos essa carta às pressas. Se não me falha a memória, os signatários da carta constituíam 100% das pessoas às quais pedimos apoio. Não houve desacordo tanto por parte dos cientistas quanto dos bispos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O Arcebispo de Canterbury não possui desacordos com a evolução, assim como o Papa também não possui (tirando ou pondo a estranha hesitação a respeito do instante paleológico onde a alma humana teria sido inserida), sequer possuem os educados padres e professores de teologia. <em>O Maior Espetáculo da Terra</em> é um livro que trata da evidência positiva de que a evolução é um fato. Não tem a pretensão de ser um livro anti-religião. Eu já fiz isso, essa é a estampa de outra camiseta, e não é a hora nem o lugar para vesti-la novamente. Os Bispos e Teólogos que atenderam ao chamado das evidências da evolução na verdade desistiram de lutar contra elas. Alguns deles podem fazer isso de maneira relutante, alguns, como Richard Harries, entusiasticamente, mas todos exceto os lamentavelmente desinformados são obrigados a aceitar a existência da evolução.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Eles podem pensar que Deus tem sua parte nisso ao dar o pontapé inicial, e talvez tenha retirado sua mão ao invés de guiar seu progresso futuro. Eles provavelmente pensam que em primeiro lugar Deus criou o universo e, depois disso, solenemente celebrou o seu nascimento instituindo um conjunto de leis e constantes físicas devidamente calculadas para preencher a algum propósito inescrutável no qual nós eventualmente representamos algum papel.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O que nós não devemos fazer é complacentemente assumir que, por que bispos e teólogos devidamente educados aceitam a teoria da evolução, assim o fazem suas congregações. Inclusive amplas pesquisas de opinião provam justamente o contrário. Mais de 40% dos americanos não aceitam a afirmação de que os humanos podem ter evoluído a partir de outros animais e pensam que nós – e por conseqüência toda a vida – fomos criados por Deus dentro dos últimos 10.000 anos. Essa estatística não é tão alta na Grã Bretanha, mas ainda assim é preocupantemente alta. E deveria ser tão preocupante às igrejas quanto o é para cientistas. Este livro é simplesmente necessário. Eu deveria usar o nome “negacionistas” <a href="#_ftn3">[3]</a> para me referir às pessoas que negam a evolução: aqueles que acreditam que a idade do mundo pode ser medida em apenas milhares de anos, ao invés de bilhões de anos, assim como quem acredita que os humanos viveram à mesma época dos dinossauros.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Para enfatizar, essas pessoas constituem mais de 40% da população estadunidense. A estatística equivalente possui índices maiores em alguns países, menores em outros, mas 40% é uma boa média e eu posso porventura me referir a esses negacionistas como membros do “time dos quarenta por cento”.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Voltando aos iluminados bispos e teólogos, seria interessante se eles também se esforçassem um pouco para combater todas as afirmações <em>nonsense</em> e pseudo-científicas que eles mesmos reprovam. Todos os bons religiosos, ao mesmo tempo em que concordam que a teoria da evolução é verdadeira e que Adão e Eva na verdade nunca existiram, alegremente vão aos seus púlpitos realizar alguma exposição moral ou intelectual a respeito das histórias de Adão e Eva em seus sermões mas se esquecem de mencionar, vejam vocês, que Adão e Eva na verdade nunca existiram! Quando são desafiados, eles irão protestar dizendo que a passagem possui uma conotação puramente “simbólica”, talvez relativa a um “pecado original”, ou relativa às “virtudes da inocência”. Eles poderiam timidamente acrescentar que, obviamente, nenhuma pessoa seria tão tola a ponto de interpretar literalmente suas palavras. Mas será que suas congregações sabem disso? Como pode a pessoa do banco da igreja, ou do tapete de orações saber quais partes das escrituras ela deve interpretar literalmente e quais deve interpretar metaforicamente? Será que é realmente fácil para um fiel adivinhar isso? Em muitos casos a resposta é simplesmente não, e qualquer pessoa pode ser perdoada por se sentir confusa quanto a isso.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Pense nisso, Bispo. Seja cauteloso, Vigário. Vocês estão brincando com dinamite, fazendo brincadeiras com um mal entendido que está prestes a se revelar – algumas pessoas diriam que obrigatoriamente iriam acontecer a não ser que fossem previamente impedidas. Não deveriam vocês tomarem maiores cuidados, ao falar em público, para o seu sim ser entendido como sim e o seu não como não? Para não cair em condenação, não deveriam vocês mudar suas trajetórias para esclarecer o já amplamente divulgado mal entendido e emprestar apoio entusiástico e ativo aos cientistas e professores de ciências? Os próprios negacionistas fazem parte do grupo de pessoas que estou tentando alcançar. Mas, talvez mais importante, eu tenho por objetivo dar instrumentos a aqueles que não são mas conhecem negacionistas – talvez membros da sua própria família ou igreja – e que se encontram insuficientemente preparados para discutir a questão.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A Evolução das Espécies é um fato. Além do benefício da dúvida razoável, além do benefício da dúvida séria, além da dúvida sã, inteligente e informada a evolução é um fato. A evidência para a evolução é pelo menos tão forte quanto as evidências para o Holocausto, mesmo que consideremos testemunhas oculares do Holocausto. É uma verdade cristalina que nós somos primos dos chimpanzés, primos algo mais distantes dos macacos, primos ainda mais distantes dos aardvarks<a href="#_ftn4">[4]</a> e peixes-boi, e primos ainda mais distantes das bananas e dos nabos &#8230; continue a lista como desejar. Isso não precisava ser verdade. Não é auto evidente, tautológica ou obviamente verdadeiro, e houve um tempo onde a maioria das pessoas, mesmo as pessoas mais educadas, pensavam que não era. Isso não precisava ser verdade, mas é. Nós sabemos disso por que um rio transbordante de evidências assim o diz. A Evolução é um fato, e o [meu] livro irá demonstrá-lo. Nenhum cientista que tenha o mínimo de reputação contesta essa afirmação, e nenhum leitor que faça uma leitura imparcial irá fechar o livro duvidando dela.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Por que então falamos da “<em>Teoria</em> Darwiniana da Evolução”, dando, portanto, um conforto espúrio para a persuasão criacionista – como os negacionistas, ou membros do “time dos quarenta por cento” – que pensam que a palavra “teoria” é uma concessão, entregando lhes algum tipo de presente ou vitória? A evolução é uma teoria da mesma forma que o heliocentrismo o é. Em nenhum dos casos a palavra “apenas” deveria ser usada como na sentença “apenas uma teoria”. Para aqueles que afirmam que a evolução nunca foi “provada” é bom saber que a prova é uma noção que os próprios cientistas tratam com desconfiança.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Inclusive alguns filósofos influentes nos dizem que na ciência não podemos provar coisa alguma.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Matemáticos podem provar algumas coisas – de acordo com uma visão bastante estrita, eles são as únicas pessoas que podem – mas o melhor que cientistas podem fazer é fracassarem na tentativa de negar hipóteses enquanto chamam a atenção para o fato de quão arduamente tentaram fazer isso. Até a não disputada teoria de que a Lua é menor do que o Sol não pode, para a satisfação de certos tipos de filósofos, ser provada da mesma forma que, por exemplo, o Teorema Pitagórico pode ser provado. Mas o acréscimo massivo de evidências apóiam a teoria tão bem que negar a ela o status de “fato científico” parece ridículo a todas as pessoas com exceção dos pedantes. O mesmo é verdade para a evolução. A evolução é um fato da mesma forma que é um fato que Paris se situa no hemisfério norte. Apesar das navalhas lógicas<a href="#_ftn5">[5]</a> dominarem a cidade, algumas teorias estão além da dúvida sensível, e nós as chamamos de fatos. Quanto mais enérgica e meticulosamente você tentar refutar uma teoria, se ela sobrevive ao assalto, mais ela se aproxima daquilo que o senso comum alegremente chama de fato.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Nós somos como detetives que chegam à cena do crime momentos depois do mesmo ter sido cometido. As ações do assassino simplesmente se perderam no passado.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O detetive não tem esperança alguma de testemunhar o verdadeiro crime com seus próprios olhos. O que o detetive realmente tem são vestígios que perduram, e é um bom negócio acreditar nesses vestígios. Existem as pegadas, as digitais (e hoje em dia também as assinaturas genéticas), as marcas de sangue, cartas, diários. O mundo é exatamente da forma que deveria ser caso essa e essa história, e não aquela e aquela, tivessem nos trazido até o presente.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">A evolução é um fato inescapável, e nós deveríamos celebrar o seu surpreendente poder, simplicidade e beleza. A evolução está dentro de nós, ao nosso redor, e seus trabalhos estão gravados nas pedras das eras passadas. Dado isso, em muitos casos, nós não vivemos o suficiente para assistir à evolução acontecendo diante de nossos olhos, nós devemos revisitar a metáfora do detetive que chega à cena do crime depois do ocorrido e tirando conclusões. Os instrumentos de análise que levam os cientistas a concluir que a evolução é um fato são de longe mais numerosos, mais convincentes, mais incontroversos do que o relato de qualquer testemunha ocular que já foi usado em qualquer tribunal, em qualquer século, para a comprovação de culpa em qualquer crime. Provas além da dúvida razoável? Dúvida <em>razoável</em>? Esse é o maior eufemismo de todos os tempos.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">© Richard Dawkins 2009</p>
<p style="text-align:justify;">Retirado do livro <em>O Maior Espetáculo da Terra</em>, a ser publicado na Inglaterra pela editora Bantam Press no dia 10 de Setembro pelo preço de 20 libras.</p>
<p style="text-align:justify;">Leia também <strong><a href="http://vsimoes.wordpress.com/2009/10/11/richard-dawkins-a-verdade-que-os-caes-revelam-acerca-da-evolucao/" target="_self">A verdade que os cães revelam acerca da evolução</a> </strong>retirado do segundo capítulo do livro <strong>O Maior Espetáculo da Terra</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">
<hr size="1" />
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref1">[1]</a> Que significa <strong>ignorantes</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref2">[2]</a> No original <em>adept at seeming learned</em></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref3">[3]</a> Como o vocábulo já existente relativo a pessoas que negam determinados fatos históricos N. do T.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref4">[4]</a> O aardvark (nome científico <em>Orycteropus afer</em>) é um mamífero africano, único representante vivo da ordem Tubulidendata, da família Orycteropodidae e do seu gênero. Fonte: Wikipédia.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="#_ftnref5">[5]</a> Uma passagem retirada de algum livro do poeta inglês W. B. Yeats que aparece no original como <em>logic choppers</em>. Na versão original do texto o autor declara não ser essa uma das passagens prediletas de Yeats mas ainda assim apropriada à situação. N do T.</p>
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		<title>O Currículo das Seis Lições</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 00:16:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[professor]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
De John Taylor Gatto, o Professor do Ano do estado de Nova Iorque de 1991
Traduzido por Vinícius Morais Simões http://vsimoes.wordpress.com
Por favor me chame de Mr Gatto. Há vinte e seis anos atrás, não tendo encontrado nada melhor para fazer, eu decidi trabalhar como professor. Meu diploma me dá licença para trabalhar como um professor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=87&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="center"><strong> </strong></p>
<p align="center">De John Taylor Gatto, o Professor do Ano do estado de Nova Iorque de 1991</p>
<p>Traduzido por Vinícius Morais Simões <a href="../../../../../">http://vsimoes.wordpress.com</a></p>
<p>Por favor me chame de Mr Gatto. Há vinte e seis anos atrás, não tendo encontrado nada melhor para fazer, eu decidi trabalhar como professor. Meu diploma me dá licença para trabalhar como um professor de Língua e Literatura Inglesa, mas isso na verdade não tem nada a ver com o que eu realmente faço. Na verdade eu ensino sobre como as escolas funcionam, sendo que inclusive ganho prêmios fazendo isso.</p>
<p>Ensinar pode significar muitas coisas diferentes, mas existem seis regras pedagógicas que são comuns desde o Harlem até Hollywood. Você paga por essas lições por mais maneiras do que você imagina, portanto é bem possível que você reconheça que lições são essas:</p>
<p><strong>A primeira</strong> lição que eu ensino é: “Mantenha-se à classe à qual você pertence”. Eu não sei quem é a pessoa que decide qual aluno pertence a qual classe mas também não tenho nada a ver com isso. As crianças recebem números de forma que se qualquer uma resolver fugir poderá ser devolvida para a sua respectiva classe. Através dos anos a variedade de formas que as crianças podem ser classificadas e enumeradas aumentou dramaticamente, de forma inclusive a tornar difícil perceber o ser humano por detrás da montanha de números que cada estudante carrega. Classificar e enumerar crianças é um negócio grande e lucrativo, apesar de não ser muito claro o objetivo por detrás de tal negócio.</p>
<p>De qualquer forma, eu também não tenho nada a ver com isso. Minha função é fazer as crianças gostarem – de ficar trancadas juntas, quero dizer &#8211; ou ao menos, suportarem isso. Se as coisas prosseguirem de acordo, as crianças não se imaginarão em nenhum outro lugar ; elas irão invejar e temer as melhores turmas e terão desprezo pelas piores turmas. Assim a classe se mantém em boa ordem. Essa é a verdadeira lição de qualquer arena de competição como a escola. Você acaba conhecendo o seu devido lugar.</p>
<p>Entretanto, apesar do esboço desenhado, eu faço um esforço para incentivar as crianças a alcançarem os maiores resultados nos testes, prometendo uma possível promoção inter-classe como recompensa. Eu insinuo que chegará um dia no qual o empregador irá contrata-los com base nos resultados desses testes, mesmo apesar da minha experiência pessoal dizer que os empregadores são (acertadamente) indiferentes a tais coisas. Eu nunca minto descaradamente, mas acabei chegando à conclusão de que verdade e educação escolar são coisas incompatíveis.</p>
<p>A lição por detrás da enumeração das turmas é a de que não há forma de escapar de sua classe a não ser por mágica. Até isso acontecer você deve permanecer aonde foi colocado.</p>
<p><strong>A segunda</strong> lição que eu ensino às crianças é a de se ligarem e se desligarem como tivessem interruptores. Eu solicito que elas se envolvam completamente com as minhas aulas, pulando de suas cadeiras por antecipação, competindo vigorosamente umas com as outras pelos meus favores. Mas quando toca o sinal eu insisto que eles abandonem o trabalho logo de uma vez e se dirijam o quanto antes à próxima estação de trabalho. Nada de importante é acabado nas minhas aulas, ou em qualquer outra classe da qual eu tenha ouvido falar.</p>
<p>A lição por detrás dos sinais é a de que já que nenhum trabalho é digno de ser terminado, por que se preocupar profundamente a respeito de qualquer coisa? Os sinais são a lógica secreta do período escolar; o seu argumento é inexorável; os sinais destroem o passado e o futuro, convertendo todo e qualquer intervalo em uma mesmice, da mesma forma como um mapa abstrato tornam iguais a todo rio e montanha, apesar de na verdade não serem. Os sinais atenuam os efeitos de qualquer comprometimento através da indiferença.</p>
<p><strong>A terceira lição</strong> que eu ensino é a de submeter todos os seus desejos a uma pré-destinada cadeia de comando. Direitos podem ser garantidos ou tolhidos, pelas autoridades, sem direito a apelação. Como um professor de escola eu intervenho em muitas decisões pessoais, garantindo um passe livre para aquelas que eu julgo legítimas, ou para os estudantes que iniciam um confronto contra todo e qualquer comportamento que soe como uma ameaça ao meu controle. Meu julgamento vem rápido e afiado, por que a individualidade está constantemente tentando se auto afirmar na minha sala de aula. Individualidade é uma maldição para todos os sistemas de classificação, uma contradição à teoria das turmas escolares.</p>
<p>Aqui estão alguns exemplos de como a coisa se apresenta: algumas vezes os alunos dão uma escapadinha para o banheiro sob o pretexto de satisfazer suas necessidades de forma a garantir um momento a sós; eles me surrupiam um momento a sós no corredor sob o pretexto de que precisam tomar água. Algumas vezes a vontade própria aparece bem na minha frente na forma da raiva, depressão e revigoradas por coisas além da minha alçada. Em tais situações, para alunos, não existem direitos e sim apenas privilégios, que podem ser retirados.</p>
<p><strong>A quarta</strong> lição que eu ensino é que quem determina o currículo do que você irá estudar sou eu. (Preferivelmente eu apoio decisões transmitidas a mim pelas pessoas que pagam meu salário). Este poder me permite separar os bons alunos dos maus alunos instantaneamente. Bons alunos realizam as tarefas que eu proponho com um mínimo de conflito e talvez até uma demonstração mínima de entusiasmo. Das milhões de coisas valorosas que uma pessoa poderia aprender, sou eu quem decide para quais delas nós vamos ter tempo. As escolhas são minhas. Não há espaço para a curiosidade no meu trabalho, apenas para a conformidade.</p>
<p>Os maus garotos lutam contra isso, é claro, tentando aberta ou dissimuladamente tomar decisões por conta própria a respeito do que eles irão aprender. Como nós podemos fazer isso e sobreviver como professores? Afortunadamente existem procedimentos que servem justamente para vencer a força de vontade daqueles que resistem.</p>
<p>Essa é outra forma através da qual eu ensino a lição de dependência. Boas pessoas esperam que um professor lhes diga o que fazer. Essa é a lição mais importante de todas, a de que nós devemos esperar que outras pessoas, melhor qualificadas do que nós, nos ditem o sentido de nossas existências. Não é exagero nenhum dizer que toda a nossa economia depende do aprendizado dessa lição. Pense no prejuízo que adviria do fato das crianças não serem devidamente treinadas a respeito da lição de dependência: A indústria do serviço social dificilmente conseguiria sobreviver, incluindo a crescente indústria do aconselhamento; a indústria de todos os tipos de entretenimento, incluindo a televisão, iriam sucumbir caso as pessoas se lembrassem sobre como se divertir por conta própria, o serviços de alimentação, os restaurantes e os armazéns de comida instantânea iriam encolher se as pessoas readquirissem o hábito de preparar as próprias refeições ao invés de depender de que estranhos cozinhem para eles. Boa parte do Direito, Medicina e Engenharia modernas também iriam sucumbir – assim como a indústria da confecção – a não ser que todos os anos pingue das escolas um suprimento garantido de casos perdidos. Nós construímos um modo de vida que depende de pessoas que esperam que os outros lhes digam o que fazer por que elas não saberiam agir de outra forma. Pelo amor de Deus, não vamos virar essa canoa!</p>
<p><strong>Na quinta lição</strong> eu ensino que o seu respeito próprio deveria depender da avaliação de um observador. Meus alunos são continuamente avaliados e julgados. Um relatório mensal, impressionante por sua precisão, é mandado para a casa de todos os estudantes para espalhar a aprovação, ou demarcar exatamente – com a precisão de um ponto percentual – o quão insatisfeito os pais devem ficar com seus filhos. Apesar de algumas pessoas se surpreenderem com o pouco tempo e reflexão que são gastos na elaboração de tais relatórios, o peso cumulativo de tais documentos aparentemente objetivos estabelece um perfil de imperfeição que induz um estudante a chegar a certas decisões a respeito de si e do seu futuro baseados no julgamento casual de estranhos.</p>
<p>A auto-avaliação – o ingrediente principal de todo grande sistema filosófico que já surgiu no mundo – nunca é um fator considerado nessas situações. A lição por detrás das notas, dos boletins e das avaliações é que as crianças não deveriam confiar em si mesmas nem em seus próprios pais, mas devem acreditar na avaliação de um profissional qualificado. As pessoas precisam ouvir das outras o quanto realmente elas valem.</p>
<p><strong>Na sexta lição</strong> eu ensino às crianças que elas estão sendo observadas. Eu mantenho cada aluno sob vigilância contínua assim como fazem os meus próprios colegas. Não existe espaço nem tempo para a privacidade das crianças. O intervalo entre as aulas dura apenas 300 segundos justamente para manter a confraternização promíscua nos menores níveis possíveis. Os estudantes são encorajados a bisbilhotar as vidas uns dos outros e inclusive a bisbilhotar a vida de seus pais. E é claro, eu também encorajo os próprios pais a denunciar a desobediência de seus próprios filhos.<em> </em></p>
<p>Eu prescrevo “dever de casa” de forma que a vigilância se estenda ao ambiente doméstico, onde os estudantes poderiam de outra forma usar seu próprio tempo para aprender algo que não foram autorizadas, talvez de seus pais ou mães, ou talvez como aprendiz de alguma pessoa mais sábia da vizinhança.</p>
<p>A lição por detrás da vigilância constante é a de que não se pode confiar em ninguém, que privacidade não é algo legítimo. A vigilância é uma necessidade antiga entre certos filósofos influentes, e foi uma prescrição fundamental proposta por Calvino no seu <em>Institutos</em>, por Platão em <em>A República</em>, por Hobbes, por Comte e por Francis Bacon. Todos esses homens sem filhos chegaram à mesma conclusão: As crianças devem ser vigiadas de perto caso você quiser manter uma sociedade sob controle.</p>
<p><strong>Realmente é</strong> o maior triunfo da educação escolar que mesmo entre os melhores professores e mesmo entre os melhores pais existe apenas um pequeno número de pessoas que são capazes de imaginar uma forma diferente de fazer as coisas. Mesmo há apenas algumas gerações as coisas eram diferentes nos Estados Unidos: a originalidade e a variedade eram moeda corrente, a nossa liberdade acerca da arregimentação nos tornou o milagre do mundo, as barreiras entre as classes sociais eram fáceis de transpor; a nossa cidadania era maravilhosamente confiante, criativa e capaz de fazer muitas coisas de maneira independente, como pensar por conta própria. Nós éramos uma coisa impressionante, por nós mesmos, como indivíduos.</p>
<p>São necessárias apenas 50 horas para transmitir instrução básica e habilidades matemáticas suficientes para tornar qualquer criança um autodidata. O apelo à prática da “instrução básica” é uma cortina de fumaça por trás da qual as escolas pré-esvaziam o tempo das crianças por doze anos e as ensinam as seis lições que eu acabei de lhes ensinar.</p>
<p>Nós tivemos uma sociedade crescentemente sob controle centralizado nos Estados Unidos desde pouco antes da Guerra Civil: A vida que levamos, as roupas que vestimos, o alimento que comemos e as verdes placas de beira de estrada que nós vemos quando dirigimos de costa a costa são produtos deste controle central. Assim como, eu acho, são a epidemia de drogas, suicídio, divórcio, violência, crueldade e a transformação das classes em castas nos Estados Unidos, produto da desumanização das nossas vidas, a diminuição dos valores individuais e familiares impostos pelo controle central.</p>
<p>Sem o exercício de um papel ativo em vida comunitária nenhuma pessoa pode se desenvolver enquanto ser humano. Aristóteles nos ensinou isso. Com certeza ele tinha razão, olhe ao seu redor e olhe no espelho: eis a demonstração.</p>
<p>A “escola” é um sistema de suporte avançado para uma visão de engenharia social que condena a maioria das pessoas a serem pontos de apoio de um sistema piramidal que afunila tudo em direção a um centro de controle conforme ascende. A “escola” é um artifício que serve para fazer essa ordem piramidal parecer inevitável (apesar de tal premissa se constituir em uma traição fundamental à Revolução Americana). Nos tempos coloniais até o período da Nova República para começar nós sequer tínhamos escolas. Ainda assim a promessa de democracia estava começando a ser realizada. Nós viramos nossas costas para essa promessa trazendo à vida esse antigo sonho do Egito: treinamento em subordinação compulsório para todos. Educação compulsória foi o segredo que Platão tão relutantemente transmitiu quando entregou os planos para um controle absoluto da vida humana pelo Estado.</p>
<p><strong>O debate atual</strong> a respeito de se deveríamos ter ou não um currículo nacional é falso; nós já temos um, inseridos dentro das seis lições que eu apresentei a vocês e mais algumas poucas das quais eu lhes poupei. Esse currículo produz paralisia moral e intelectual, e nenhum currículo de conteúdo será suficiente para reverter os seus efeitos ruins. O objeto da presente discussão é uma enorme perda de tempo.</p>
<p>Fiquem sabendo, entretanto, que nada disso é inevitável. Nada disso é impermeável a mudanças. Nós temos alternativas de verdade quando se trata de educar as nossas crianças, de forma que na verdade não existe um “caminho certo”. Na verdade não existe uma “competição internacional” que dirija as nossas vidas, por mais difícil que seja perceber uma coisa dessas em um mundo aonde a mídia bloqueia toda e qualquer intervenção no sentido contrário. Em uma análise materialista nós vivemos em uma nação auto suficiente. Se formos analisar as coisas sob uma ótica não materialista que encontrasse significado onde ele está normalmente estabelecido – em famílias, em amigos, na mudança das estações, na natureza, nas cerimônias e rituais simples, na curiosidade, na generosidade, na compaixão e na solidariedade, em uma independência e privacidade decentes – aí sim seríamos realmente auto-suficientes.</p>
<p><strong>Como</strong> esses lugares terríveis conhecidos como “escolas” vieram a acontecer? Da forma que conhecemos, elas são o resultado dos dois “Terrores Vermelhos” de 1848 e de 1919, quando interesses poderosos tiveram medo de uma revolução entre o proletariado industrial e, parcialmente, são resultado da repulsa que as famílias mais poderosas – junto com a Igreja Católica &#8212; tinham em relação às ondas de imigração célticas, eslavas e latinas após 1845. E, certamente, um terceiro e importante fator pode ser encontrado na repulsa que essas mesmas famílias sentiam em relação ao livre movimento de africanos pela sociedade após a Guerra Civil.</p>
<p>Olhe novamente para as seis lições da escola. Elas são basicamente um treinamento para classes subalternas, ou seja, para pessoas que para sempre serão privadas de encontrar a sua própria genialidade e inspiração. E o cerne do seu treinamento pode ser encontrado na sua lógica original: Controlar os pobres. Desde os anos 20 o crescimento da bem articulada burocracia escolar, e o crescimento menos visível de uma horda de indústrias que se aproveitam da escola da forma como ela é, ampliaram os objetivos iniciais da escola para abranger os filhos e filhas da classe média.</p>
<p>Alguém se surpreende com o fato de Sócrates ter se enfurecido com a acusação de que ele recebeu dinheiro para ensinar? Desde então os filósofos têm visto claramente o inevitável advento da profissionalização da função de professor, pré-esvaziando o sentido dessa função que, em todos os casos, pertence a todas as pessoas pelo menos no que tange a uma comunidade saudável; pertence, na verdade, mais claramente a cada um de nós, dado que ninguém se preocupa mais com os nossos destinos do que nós mesmos. A profissionalização da função implica em outro terrível erro: Ela torna as coisas que são inerentemente fáceis de aprender, como ler, escrever e aritmética, difíceis – através da insistência de que elas sejam ensinadas de acordo com procedimentos pedagógicos.</p>
<p><strong>Com lições</strong> como as quais eu vos ensino todos os dias, alguém se impressiona com o fato de havermos uma crise nacional como a que enfrentamos hoje? Pessoas jovens que são indiferentes ao futuro e ao mundo adulto, indiferente a quase todas as coisas com exceção da diversão de brinquedos e violência? Sejam elas ricas ou pobres, crianças em idade escolar não podem se concentrar em qualquer coisa por muito tempo. Elas têm um senso muito precário do tempo que passou e que virá, elas vêem a intimidade com desconfiança (como filhos de pais separados como elas realmente são); elas odeiam a solidão, são cruéis, materialistas, dependentes, passivas, violentas, tímidas em face do inesperado, e viciadas em distração.</p>
<p>Todas as tendências periféricas da infância são estimuladas a uma extensão grotesca através da educação escolar, cujo currículo oculto impede as crianças de um desenvolvimento efetivo de suas personalidades. Na verdade, sem a devida exploração da temeridade, egoísmo e inexperiência das crianças as nossas escolas não poderiam de forma alguma sobreviver, e eu sequer teria me diplomado como professor.</p>
<p>“Pensamento Crítico” é um termo muito frequentemente ouvido nos últimos dias como sinônimo de uma forma de treinamento que irá herdar os novos dias da educação em massa. Certamente irá, se isso chegar a acontecer. Nenhuma escola comum que verdadeiramente se arriscasse a ensinar o uso da dialética, da heurística, e outras ferramentas usadas pelos livre-pensadores poderia durar um ano sem se auto-destruir.</p>
<p>Professores de educação escolar são nocivos ao desenvolvimento infantil. Ninguém escapa ao Currículo das Seis Lições ileso, nem sequer os próprios instrutores. O método é profunda e radicalmente anti-educacional. Nenhum retoque será capaz de resolver isso. Em uma das maiores ironias da tragédia humana, a reflexão profunda que a educação escolar precisa iria custar tão menos do que nós estamos investindo agora que é improvável que alguém o faça. Primeiro e antes de tudo, o negócio no qual estou envolvido é uma agência de postos de trabalho e de contratação de serviços. Nós não podemos nos dar ao luxo de poupar dinheiro, mesmo que seja para ajudar crianças.</p>
<p><strong>Ao passo</strong> ao qual historicamente chegamos, e após 26 anos de profissão como professor, eu devo concluir que uma das únicas alternativas que restam no horizonte da maioria das famílias é educar seus próprios filhos em casa. Escolas pequenas e não institucionalizadas são outra. Alguma forma de sistema de livre-mercado é o melhor lugar para procurar respostas relativas à educação escolar. Mas a quase impossibilidade de ter acesso às fragmentadas famílias dos pobres, e para os muitos que vivem na margem de dentro da classe média, nos ajudam a predizer que o desastre das Escolas das Seis Lições irão existir por muito tempo.</p>
<p>Após passar o tempo de vida adulta ensinando em uma dessas escolas eu acredito que o método desse tipo de educação é o único e verdadeiro conteúdo que essas escolas ensinam. Não se deixe enganar acreditando que um bom currículo, bons equipamentos ou bons professores irão fazer a diferença na educação escolar de seus filhos. Todas as patologias que nós consideramos vêm em grandes doses por que as lições que as escolas dão impedem as crianças de estabelecerem compromissos importantes consigo mesmos e com suas famílias, de aprender lições de auto-motivação, perseverança, auto-confiança, coragem, dignidade e amor – e, é claro, lições sobre como agradar aos outros, as quais estão entre as lições mais importantes da vida doméstica.</p>
<p>Há 30 anos atrás estas coisas ainda podiam ser aprendidas no tempo que as crianças tinham depois do horário escolar. Mas a televisão, por sua vez, passou a consumir a maior parte desse tempo, e uma combinação entre televisão e os estresses peculiares às famílias de apenas um pai, ou nos quais ambos trabalham, praticamente engoliram a maior parte do tempo que antes era utilizado para se passar com a família. Freqüentar a escola se assemelha a começar a vida com uma sentença de doze anos de prisão na qual maus hábitos é o único currículo realmente aprendido. Eu ensino as pessoas sobre educação escolar e ganho prêmios fazendo isso. Eu deveria saber.</p>
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		<title>Boletim sobre as Eleições do DCE</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 03:26:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>
		<category><![CDATA[dce]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>

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		<description><![CDATA[Vitória da Chapa 3 Força Estudantil
Denúncias e pedidos de impugnação atentam contra a democracia estudantil
 
As eleições para o DCE aconteceram nos dias 06 e 07 de maio. Estavam na disputa três chapas: A 1 Da luta não me retiro representava a continuidade da diretoria anterior, conduzida pelo Psol e Pstu. A 2 Surreal Chapa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=80&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="rvps3"><strong><span class="rvts8">Vitória da Chapa 3 Força Estudantil</span></strong></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts9">Denúncias e pedidos de impugnação atentam contra a democracia estudantil</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10"> </span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">As eleições para o DCE aconteceram nos dias 06 e 07 de maio. Estavam na disputa três chapas: A 1 </span><span class="rvts11">Da luta não me retiro</span><span class="rvts10"> representava a continuidade da diretoria anterior, conduzida pelo Psol e Pstu. A 2 </span><span class="rvts11">Surreal Chapa nóis: veredas </span><span class="rvts10">não apresentou um programa. A 3 </span><span class="rvts11">Força Estudantil</span><span class="rvts10"> teve sua origem num grupo de estudos sobre as correntes no movimento estudantil, elaborou conjuntamente a tese 3 para o Congresso do DCE, organizou a calourada e o jornal para a recepção de calouros.</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">A posse da chapa 3 está ameaçada por denúncias infundadas. As acusações partem de integrantes da comissão eleitoral, mas esta comissão não é neutra, seus integrantes manifestaram apoio às outras chapas o que lança suspeição a estas denúncias. </span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts12"> </span></p>
<p class="rvps3"><strong><span class="rvts12">Quais são as acusações?</span></strong></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">Boca de urna no CECA</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">No dia das eleições uma integrante da chapa 3 passou em sala convidando os estudantes a votarem, há testemunhos dos estudantes e professores de que não foi realizada propaganda da chapa, mas sim a divulgação das eleições. </span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">Boca de Urna no CCS</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">Acusam um integrante da chapa de ter ligado para um estudante do CCS e este teria feito campanha.</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10"> </span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">A punição proposta pela comissão eleitoral é de impugnação das urnas, principalmente do CCS, isto significa a derrota da chapa 3 e vitória da chapa 2. As denúncias são levianas por não terem materialidade, condição para qualquer julgamento isento, as vacilações da comissão eleitoral em punições às outras chapas levantam desconfianças: A chapa Da luta não me retiro divulgou seu número antes de isto ser decidido, teve vantagens, mas sua punição foi apenas falar 19 minutos em vez de 20 minutos nos debates. A chapa 2 se inscreveu depois do horário estabelecido pela comissão eleitoral, mas esta comissão não questionou esta inscrição.</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">Quem decidirá sobre o desenlace das eleições serão os Centros Acadêmicos, reunidos no Conselho Deliberativo. É muito importante que esta seja uma decisão pautada nos fatos e que reafirme a democracia estudantil, cuja expressão foi a votação nas urnas.</span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10"> </span></p>
<p class="rvps3"><span class="rvts10">Defendemos a posse de nossa chapa, </span><span class="rvts11">Força Estudantil</span><span class="rvts10">, porque estamos dispostos a defender as instâncias coletivas do movimento estudantil, organizar a resistência aos ataques da reitoria: fim do voto paritário que deixará os estudantes com apenas 15% do poder de decisão nas eleições para reitor; implantação do plano de segurança (controle, PM no campus e muro); garantir que a informação chegue aos estudantes por meio de um jornal regular e campanhas de comunicação; organizar as finanças de forma transparente, publicar balanços regulares e garantir que os estudantes saibam e decidam sobre origem dos recursos e utilização.</span></p>
<p><span class="rvts13"> </span></p>
<p><span class="rvts10"> </span></p>
<table style="height:195px;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="540">
<tbody>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14"> </span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CHAPA1</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CHAPA2</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CHAPA3</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">NULOS</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">BRANCOS</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts15"> </span></span></td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CCE</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">83</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">12</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">9</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">1</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">105</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CCS</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">8</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">3</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">33</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">15</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">59</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CTU</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">5</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">6</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">93</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">2</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">106</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">6</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">8</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">14</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">23</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">51</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CCB</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">30</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">34</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">9</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">8</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">1</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">82</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CLCH</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">44</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">120</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">26</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">15</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">205</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CCA</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">27</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">3</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">9</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">7</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">46</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CECA</span></span></td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">30</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">14</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">79</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">1</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">2</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">126</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
<td style="background-color:#ffffff;" width="64"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">CEF</span></span></td>
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</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">98</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">6</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">5</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">116</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">42</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">13</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">40</span></span></p>
</td>
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</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">0</span></span></p>
</td>
<td style="background-color:#ffffff;" width="64">
<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">108</span></span></p>
</td>
</tr>
<tr valign="top">
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">282</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">311</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">318</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">90</span></span></p>
</td>
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<p class="rvps2"><span style="color:#000000;"><span class="rvts14">3</span></span></p>
</td>
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</tr>
</tbody>
</table>
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	</item>
		<item>
		<title>Os Partidos e o Movimento Estudantil da UEL</title>
		<link>http://vsimoes.wordpress.com/2009/05/06/os-partidos-e-o-movimento-estudantil-da-uel/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 03:08:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[movimentos]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>
		<category><![CDATA[partidos]]></category>

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		<description><![CDATA[Gostaria de tratar sobre um tema importante que surgiu durante esse processo eleitoral. Ele diz respeito à afirmação que algumas pessoas fazem de que a chapa da qual fazemos parte é uma chapa do POR. As pessoas que fazem essa afirmação agem dessa forma para associar a imagem desse partido à nossa. Isso por que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=74&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Gostaria de tratar sobre um tema importante que surgiu durante esse processo eleitoral. Ele diz respeito à afirmação que algumas pessoas fazem de que a chapa da qual fazemos parte é uma chapa do POR. As pessoas que fazem essa afirmação agem dessa forma para associar a imagem desse partido à nossa. Isso por que fazem uma avaliação negativa do que esse partido representa de modo geral. Sobre este assunto gostaria de dizer apenas que não compactuo dessa avaliação assim como não estou minimamente disposto a discutir sobre ela. Objetivamente falando nenhum dos membros da nossa chapa é filiado a qualquer partido político, ou seja, a nossa chapa é formada exclusivamente por estudantes independentes.</p>
<p>Por independentes entenda-se não estudantes que não tomam parte, ou estudantes que não tomam partido: Apenas estudantes que não são filiados a partidos políticos, lancem esses partidos candidatos ou não.</p>
<p>Agora, além dessa questão existe outra questão objetiva que diz respeito à desconfiança que as pessoas em geral têm em relação à atuação de partidos políticos nos movimentos, principalmente quando se tratam de eleições. Isso reflete em parte, a trajetória do partido que até há alguns anos atrás era visto como legítimo representante das classes trabalhadoras, o PT. Agora, verdade seja dita, essa desconfiança se deve principalmente a uma prática comum não a todos os partidos, mas principalmente às legendas eleitorais, ou seja, aos partidos que lançam candidatos.</p>
<p>Agora por que isso acontece?</p>
<p>Isso se deve à contradição que existe entre acreditar que os problemas que atingem a sociedade podem ser resolvidos através da via parlamentar ou se eles devem ser resolvidos através da luta política. Ou até a acreditar que, de alguma forma, é possível obrigar o Estado a trabalhar a serviço das classes trabalhadoras. De alguma forma, no discurso, todos os partidos que representam legendas eleitorais defendem uma idéia parecida com essa. A conseqüência disso é o fato de tentarem aliar alguma forma de mobilização e de atividade política com a capitalização de votos. Agora o que vemos na prática é que os fins acabam se revelando outros, ou seja, quanto mais um partido começa a se preocupar com a capitalização de votos, cada vez mais ele passa a restringir a sua atuação política a isso.</p>
<p>Em termos de uma entidade como o DCE o que acontece é que, por mais que esses partidos defendam a importância de usar esse instrumento como meio para o fomento da luta política o que se vê na prática é que eles acabam relegando essa luta para segundo plano colocando em primeiro a promoção eleitoral dos seus próprios partidos. Ou como diz o ditado, aonde falta vontade política sobram desculpas. Inclusive em alguns casos esse fenômeno se apresenta de maneira bastante sutil que é através da completa falta de autonomia de alguns militantes em relação a seus partidos.</p>
<p>Quando eu comecei a militar no Movimento Estudantil em meados de 2006 nós discutíamos os projetos de Reforma Universitária que depois formariam o PL 7200. Naquele tempo nós discutíamos os diferentes projetos, suas emendas assim como os diferentes elementos que o compunham sendo que alguns desses elementos eram implementados através de decretos e medidas provisórias. Com o tempo, os projetos de Reforma Universitária do governo federal foram ganhando novas roupagens, assim como foram surgindo novos projetos. Sendo que um desses novos projetos foi o “Programa de Reestruturação das Universidades Federais”, também conhecido como REUNI.</p>
<p>Pois bem, como o próprio nome diz o REUNI é um projeto de reestruturação das Universidades FEDERAIS. Entretanto, por muito tempo, era a única coisa a respeito da qual as forças políticas que hoje estão representadas na chapa “Da Luta Não Me Retiro” sabiam falar. E isso era simplesmente ruim por que dizia muito pouco ou quase nenhum respeito às universidades estaduais como a nossa. Agora por que isso acontecia, ou seja, por que essas forças políticas estavam simplesmente deixando de lado a Reforma Universitária e, conseqüentemente, a análise dos elementos que permitiriam entender a solução para os problemas da UEL?</p>
<p>A minha opinião, e eu falo como pessoa que acompanhou de perto não só o Movimento Estudantil da UEL como a trajetória desse grupo é de que isso se deve a duas razões (que talvez possam se resumir a uma). A primeira dessas razões era por que esse era o centro das atenções do ANDES, que é uma enorme associação docente, de um enorme peso político, mas que entretanto é filiada ao CONLUTAS. A segunda dessas razões se deve ao fato de que essa era “a bola da vez”, ou seja, o principal projeto do Governo Federal que estava em pauta. Em outras palavras, esse projeto representava o calcanhar de Aquiles que os setores partidarizados do ME encontraram para se promover ELEITORALMENTE às custas do Governo Federal.</p>
<p>Assim como o ano de 2008 foi marcado pelas ocupações realizadas nas universidades federais, a começar pela Ocupação da UNB, o ano de 2007 havia sido marcado pela greve das estaduais paulistas, a saber a USP, a UNESP e a UNICAMP. E à semelhança dessas últimas, a universidade aonde nós estudamos é uma universidade ESTADUAL. Além disso, a luta dessas universidades havia se dado em torno de um tema muito importante ao movimento estudantil, que é o tema da Autonomia Universitária. Ou seja, a título de exemplo valeria muito mais discutir o processo ocorrido nas últimas justamente por que o caso delas – das estaduais paulistas – dizia muito mais respeito à nossa universidade do que o processo ocorrido nas primeiras.</p>
<p>Outra circunstância que serve bem para explicar essa situação são as campanhas de boicote ao ENADE. A primeira campanha de que eu participei foi há três anos atrás. Naquela época eu lembro de correr atrás de artigos que tratassem sobre o tema e de ter passado a madrugada inteira elaborando um script apenas para passar nas salas no outro dia de manhã para convidar as pessoas a participar da campanha. Tendo ouvido o questionamento de várias pessoas durante essas passagens em sala, eu tive a idéia de que até para sentir um mínimo de segurança a respeito da importância da campanha seria muito importante que essas discussões fossem feitas de maneira ampla, e pelo menos com dias de antecedência. Dava para perceber que era esperar demais, mesmo das pessoas mais conscientes que entretanto nunca tinham discutido a questão, querer que essas pessoas aderissem à campanha nessas circunstâncias.</p>
<p>Agora, qual é a importância do ENADE?</p>
<p>O ENADE é um elemento central do novo projeto de Reforma Universitária proposto pelo Governo Federal. Através dele, nota-se que dentro das antigas e já conhecidas políticas de liberalização dos serviços públicos o Estado buscava assumir o também já conhecido papel de “Agência Reguladora”, apenas fiscalizando a educação. Serviço esse que sabidamente seria prestado tanto pela iniciativa pública quanto pela privada.</p>
<p>Agora percebam, apesar da insistência não só minha, como de muitos militantes, vemos a mesma coisa todos os anos. No fim, a campanha de boicote ao ENADE não é construída como o resultado de uma discussão sobre o papel da Avaliação Institucional e sim é reduzida à passagem em salas e à distribuição de adesivos. Repito: TODOS os anos.</p>
<p>Em última análise quando falamos de forças políticas, ou seja, de pessoas que se propõem a representar uma categoria, onde quer que seja, esperamos que essa representação seja feita sob o princípio da autonomia e da independência políticas. Agora, já perceberam por que, apesar de dizer que defendem a democracia dentro da universidade, os membros da chapa 1 não defendem o Voto Universal? A minha opinião a esse respeito se deve ao fato de que a crítica deles ao projeto de Reforma Universitária não ultrapassa os marcos da Associação de Docentes ligada aos partidos que eles representam. Ou seja, dentro da universidade eles não têm autonomia diante da categoria que é a maior interessada na privatização das universidades: A burocracia universitária.</p>
<p>Por último outro grande receio que as categorias têm em relação à partidarização dos movimentos se deve à burocratização e ao aparelhamento. Por essa razão as pessoas evitam votar em chapas formadas exclusivamente por estudantes filiados a partidos principalmente quando se trata de um só partido. Entretanto o que as pessoas não percebem é que isso não é necessário. Em alguns casos, as chapas por mais que sejam formadas por estudantes independentes, esses não possuem uma linha política nem formação próprias de forma que acabam sendo dirigidos pelos estudantes filiados a partidos.</p>
<p>Agora em última análise o que a burocratização representa? A burocratização é um fenômeno que reflete a orientação política dos grupos que ocupam as funções de representação. Reflete a completa falta de interesse desses grupos em consultar as categorias que eles representam em relação à forma como se deve dar essa representação e por quais interesses essa entidade deve lutar. E isso por que eles têm medo de que os interesses do coletivo dos estudantes não necessariamente correspondam às estratégias dos seus respectivos partidos.</p>
<p>Finalizando essa é apenas uma contribuição que eu queria dar para o movimento, através da crítica das suas forças políticas e, pontuando que desde o princípio defendemos o Movimento Estudantil construído pela BASE, a começar pelo Congresso Estatuinte, passando pela Assembléia Geral, Conselho Deliberativo e por último os DCEs. Neste sentido o método que propomos para a superação desse problema é simplesmente o método da Democracia Estudantil.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Programa da Chapa Força Estudantil</title>
		<link>http://vsimoes.wordpress.com/2009/05/03/programa-da-chapa-forca-estudantil/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 May 2009 20:14:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[http://chapadce2009.blogspot.com
O movimento estudantil da UEL vive um momento decisivo em que precisa dar resposta aos ataques da reitoria, à acelerada privatização da universidade e organizar-se em torno de um programa que o unifique com as lutas mais gerais dos trabalhadores.
Nós, (estudantes que formulamos a tese III para o Congresso do DCE-UEL, que nos dedicamos à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=67&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a class="aligncenter" title="Blog da Força Estudantil" href="http://chapadce2009.blogspot.com" target="_blank">http://chapadce2009.blogspot.com</a></p>
<p>O movimento estudantil da UEL vive um momento decisivo em que precisa dar resposta aos ataques da reitoria, à acelerada privatização da universidade e organizar-se em torno de um programa que o unifique com as lutas mais gerais dos trabalhadores.</p>
<p>Nós, (estudantes que formulamos a tese III para o Congresso do DCE-UEL, que nos dedicamos à organização da calourada 2009 e do jornal da recepção) compusemos a chapa FORÇA ESTUDANTIL por meio de plenárias, valorizando a organização em torno de idéias e princípios claros.</p>
<p>Nossas propostas para a diretoria do DCE:</p>
<p><strong>Autonomia e Democracia na Universidade!</strong></p>
<p>- Levantar a bandeira de uma universidade autônoma, pública, gratuita e laica. Que se auto governe, sem a interferência do Estado e de nenhum outro poder acima dela; que tenha plena liberdade e democracia;<br />
- Eleição direta dos dirigentes da Universidade sem interferência do governador.<br />
Voto universal considerando que todo membro da comunidade universitária é um cidadão igual aos outros com os mesmos direitos e deveres e que existe diversidade de posicionamentos tanto entre estudantes como entre docentes e funcionários.<br />
- Organizar manifestações contra ações que ferem a autonomia e a democracia da Universidade como o atual plano de segurança que a reitoria quer implementar. Exigir que a discussão sobre o plano (muro e polícia no campus) seja submetida à Assembléia Geral Universitária, assim como todos os assuntos pertinentes aos membros da Universidade, não aceitar que uma minoria fale por todos;<br />
- Garantir o preenchimento da representação estudantil nos conselhos superiores, propondo uma atuação que denuncie as ações da burocracia universitária; e lutar pela paridade nestes conselhos.</p>
<ul>
<li>Organizar imediatamente a resistência junto com os funcionários e professores à proposta de mudar a regra eleitoral para eleição do Reitor, instituindo o voto da LDB que dá aos docentes o peso de 70% e apenas 15% para estudantes e funcionários.</li>
</ul>
<p><strong>Contra a privatização, abaixo todas as taxas!</strong></p>
<p>· Exigir o fim das fundações como a FAUEL, HUtec e ITEDES que sobrevivem da cobrança de taxas (taxas para ter acesso ao certificado, atestado; multas por atraso de livros; cobrança de cursos como línguas, esportes, especialização lato sensu, etc.). A burocracia utiliza o argumento de um orçamento mais autônomo, enquanto na realidade utiliza a universidade como negócio, meio de lucro e “caixa dois” das reitorias. Além disso, isenta o Estado da responsabilidade de financiar integralmente o orçamento da educação.<br />
· Rechaçar as políticas privatistas de educação do Governo Lula, como o REUNI; PROUNI e ENADE, assim como a Educação A Distância, vista pela burocracia como um mero negócio para vender diplomas;</p>
<p><strong>Por uma frente anti-burocrática para trazer a UNE para o caminho da luta. Em defesa da Unidade!</strong></p>
<p>· Defender a unidade do movimento estudantil e construir um grupo de oposição dentro da UNE, através da ampla unidade dos estudantes da UEL, Paraná e do Brasil, para pôr fim à burocracia que permanece há anos e reconquistar a entidade, visto a importância de uma frente única representante dos reais interesses estudantis; A divisão enfraquece a luta: que o Congresso Nacional de Estudantes organize essa intervenção anti-burocrática e unitária;</p>
<p><strong>Em defesa da democracia estudantil!</strong></p>
<p>Executar uma política que impulsione as lutas, que seja anti-burocrática, que respeite e fortaleça as instâncias coletivas, que reconheça a necessidade de fazer a informação circular e que aposte na formação política permanente;</p>
<p>· Compreender a informação como base para a politização e organização. Propagar as bandeiras de luta e ampliar a base estudantil por meio de um jornal elaborado coletivamente, de boletins, campanhas de cartazes, stencil, lamb e demais formas de comunicação.<br />
· Resgatar a democracia estudantil: a diretoria deve convocar regularmente e se subordinar às decisões do Conselho Deliberativo, Assembléia e Congresso.<br />
· Lutar conjuntamente com professores e funcionários da UEL, assim como com os estudantes das outras universidades do Paraná e Brasil;<br />
· Buscar o fortalecimento dos vínculos com lutas dos trabalhadores em Londrina (transporte, contra repressão, articulação com bairros);<br />
· As finanças do DCE devem ser controladas pela base, com transparência e prestação de contas. Os estudantes devem saber de onde vem o dinheiro e decidir como este deve ser utilizado.</p>
<p><strong>Pelo acesso e permanência como parte do direito à educação!</strong></p>
<p>Superar a perspectiva assistencialista que exige igualdade de acesso e permanência em todos os níveis de ensino como parte do direito à educação. São partes deste direito a gratuidade do transporte (luta pelo passe livre), da alimentação (pela construção de um novo RU e fim da taxa) e da moradia.</p>
<p>Não há como defender o acesso irrestrito ao ensino superior público (fim do vestibular) sem atacar a mercantilização da educação, por isso defendemos a estatização do sistema privado de ensino.</p>
<p><strong>Rearticular o Movimento Estudantil</strong></p>
<p>Reorganizar o DCE e reagrupar os estudantes dispostos a lutar é uma tarefa urgente. Para saber a que práticas daremos continuidade e com quais práticas queremos romper é importante fazermos um balanço das últimas gestões.</p>
<p>De 2005 a 2006 a direção do DCE (PT e PCdoB) se afastou completamente dos estudantes. Este afastamento refletia o apoio dessa direção às políticas privatizantes do governo Lula e também ao governador Roberto Requião e, no plano municipal, ao Prefeito Nedson do PT. Esse grupo saiu enxotado sob acusações de roubo do dinheiro dos estudantes.</p>
<p>Apesar disso, foram realizadas lutas por fora da entidade: como a do passe livre e as da moradia. Os estudantes ficaram por mais de um ano sem eleições, as lutas contra o plano de segurança da reitoria e a definição dos rumos do movimento eram definidas em assembléias periódicas. Neste clima de mobilização foi eleita a chapa Cala a Boca já morreu, que expressava a política do PSol e PSTU. Apesar das expectativas de mudança, a gestão também se mostrou burocratizada e deixou pendentes várias demandas do movimento estudantil:</p>
<ul>
<li>Quanto ao plano de segurança, não deu continuidade às mobilizações de 2007, deixando a reitoria livre para começar a construir o muro em 2008.</li>
<li>Na defesa do espaço do DCE do Centro, por irresponsabilidade, perdeu a oportunidade de receber o apoio de diretores estudantis das décadas de 70 e 80, além de não politizar este enfrentamento.</li>
<li>Quanto à representação discente nos conselhos superiores da universidade, a assembléia elegeu seus representantes, mas a diretoria nunca os encaminhou, deixando estas cadeiras vazias ou ocupadas precariamente.</li>
<li>Para reformular o estatuto da entidade, os estudantes escolheram pela realização de um Congresso. A diretoria era contra, o adiou e na véspera do congresso ainda não havia nem sala reservada para sua realização. Tudo isto contribuiu para que este importante espaço de deliberação dos estudantes não acontecesse.</li>
<li>Em vez de encaminhar as eleições antes do fim de sua gestão, a antiga diretoria mais uma vez deixou a entidade ficar sem direção, situação que se arrasta desde novembro de 2008.</li>
<li>Em um ano de gestão só foi realizado um jornal do DCE e sem informação não há politização, organização e muito menos mobilização.</li>
</ul>
<p>A maior parte das lutas que ocorreram no período se deram por fora da diretoria, que no máximo participava destas a reboque. A única atividade em que a diretoria se engajou foi uma viagem para Curitiba, em um ato que expressava a aliança eleitoral entre PSol e PSTU. Tal cenário não deve nos levar ao imobilismo, mas, pelo contrário, deve nos fazer querer retomar nossa entidade, para que ela atenda aos interesses dos estudantes. Já começamos a fazer isto desde o fim de 2008, inicialmente como oposição, nas assembléias, mas também mostrando pela prática que é possível fazer diferente.</p>
<p>Nós, que elaboramos a tese III para o Congresso, junto com outros estudantes e centros acadêmicos que se somaram, organizamos uma semana de recepção em que todas as correntes do movimento puderam se expressar com total liberdade, assim como colocar suas posições no jornal da calourada. Ou seja, com organização, disposição e responsabilidade é possível termos uma entidade que represente os estudantes da UEL. Que aposte na comunicação, politização e mostre dentro e fora da universidade a força que os estudantes têm quando estão organizados.</p>
<p>Presidente: Vinícius Simões &#8211; Economia &#8211; CESA<br />
Vice: Rafael Chileno &#8211; Ciências Sociais &#8211; CCH<br />
1o. secretário: Alison Frieling &#8211; Especialização em Direito &#8211; CCH<br />
2o. secretário: Everton Yukita &#8211; Serviço Social &#8211; CESA<br />
1o. tesoureiro: André Tolentino &#8211; Engenharia Civil &#8211; CTU<br />
2o. tesoureiro: Jean &#8211; Direito &#8211; CESA<br />
Oradora: Rebeca Gombi &#8211; Pedagogia – CECA</p>
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		<title>Muro vai cercar a UEL</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 22:54:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[repressão]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>
		<category><![CDATA[universidade]]></category>
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		<description><![CDATA[Matéria veiculada no jornal Tribuna da Massa, dia 12 de Janeiro de 2009.

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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Matéria veiculada no jornal Tribuna da Massa, dia 12 de Janeiro de 2009.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://vsimoes.wordpress.com/2009/02/19/muro-vai-cercar-a-uel/"><img src="http://img.youtube.com/vi/yuCmWTtK1JY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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		<title>A Batalha contra um Rootkit</title>
		<link>http://vsimoes.wordpress.com/2008/12/27/a-batalha-contra-um-rootkit/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2008 12:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>vsimoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[informática]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>
		<category><![CDATA[vírus]]></category>

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		<description><![CDATA[
Esses dias uma cliente me falou que estava com um vírus. Me disse que aquela era a terceira vez que tinha usado o computador, desde que ele voltou da assistência técnica, mas mesmo assim o sistema estava infectado. Segundo a própria cliente me disse na primeira vez o técnico estava com pressa e deixou o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=vsimoes.wordpress.com&blog=1115862&post=50&subd=vsimoes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Esses dias uma cliente me falou que estava com um vírus. Me disse que aquela era a terceira vez que tinha usado o computador, desde que ele voltou da assistência técnica, mas mesmo assim o sistema estava infectado. Segundo a própria cliente me disse na primeira vez o técnico estava com pressa e deixou o computador baixando o AVAST. Na segunda vez nem foi ela, e sim a irmã que tentou usar o seu computador, mas sem sucesso. Disse ela que a irmã tentou abrir o Orkut, o MSN, qualquer página da Internet e nada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Quando cheguei na casa dessa cliente, o computador estava fazendo a varredura de boot do AVAST e essa varredura não só tinha encontrado um Trojan (encontrou dois ou três tipos diferentes, mas só me lembro de um chamado Kavos) como estava pedindo confirmação sobre o que deveria ser feito com o arquivo infectado. Eu escolhi a opção <strong>eliminar todos</strong> e dei ENTER. O resultado foi que o antivírus dessa cliente eliminou 52 arquivos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Depois de terminada a varredura, eu resolvi passar mais uma vez o antivírus. Dessa feita o antivírus não só encontrou um vírus no sistema, como descobriu que esse vírus estava associado a um arquivo de extensão DLL que, para quem não sabe, é uma extensão comum às <strong>bibliotecas<a name="_ftnref1" href="#_ftn1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><strong><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">[1]</span></strong></span><!--[endif]--></span></span></a></strong>. O nome do arquivo era VBSFDE0.DLL e, como ele estava carregado na memória, o vírus também estava carregado na memória. Por isso que, toda vez que o AVAST percebia isso, ele também pedia para que uma <strong>varredura de boot<a name="_ftnref2" href="#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><strong><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">[2]</span></strong></span><!--[endif]--></span></span></a></strong> fosse feita.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Eu reiniciava o computador, o AVAST realizava a sua varredura de boot, a varredura terminava, o sistema iniciava, eu executava outra varredura do AVAST e pimba! lá estava o vírus de novo. Aí começava o círculo vicioso: o arquivo infectado era uma DLL, essa DLL estava carregada na memória, e então o AVAST recomendava outra varredura de boot. Por causa disso eu desconfiei que o vírus estava sendo carregado durante o processo de inicialização. De forma que eu pensei que poderia resolver o problema editando as entradas do registro que são responsáveis por isso.Depois de fazer outra varredura e mandar eliminar a DLL infectada eu cliquei em <em>Iniciar/Executar</em> digitei <em>regedit<a name="_ftnref3" href="#_ftn3"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><strong><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">[3]</span></strong></span><!--[endif]--></span></span></a></em> e cliquei em OK. E nada do REGEDIT aparecer.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Pela mesma razão que o AVAST às vezes recomenda que a varredura seja feita durante o processo de boot, eu resolvi entrar no <strong>Modo de Segurança</strong> do Windows. Isso por que eu desconfiava que era o próprio vírus que estava me impedindo de ter acesso ao Editor de Registro. Portanto, se eu pudesse ter acesso ao básico do sistema, impedindo assim que boa parte do número de programas e bibliotecas do sistema fossem carregados, talvez eu poderia ter acesso ao sistema sem necessariamente contar com o vírus. De forma que eu poderia abrir o Editor de Registro livremente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Não deu outra: Foi só eu carregar o <strong>Modo de Segurança</strong> que eu passei a ter acesso ao registro. Aí surgiu outro problema: Eu não me lembrava da entrada do registro responsável pela inicialização de programas. Para descobrir isso eu resolvi usar outro artifício: entrei no MSCONFIG e dentro dele abri a aba <em>Inicializar</em>. Como eu sabia que dentro dessa aba apareceriam programas que são carregados durante a inicialização, eu resolvi usar o nome de um desses programas para procurar a entrada do registro. Feito isso, encontrada a chave do registro, eu removi justamente as duas entradas que pareciam suspeitas. Eram duas chaves que executavam programas de extensão .exe localizados em <em>C:\Windows\System32</em>. Se não me engano uma se chamava <strong>kammos.exe</strong> e a outra <strong>vammos.exe.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Removidas as chaves, eu resolvi reiniciar o sistema. Reiniciado o sistema a primeira coisa que eu fiz foi tentar abrir o Editor de Registros. Abri com sucesso. A segunda coisa que eu fiz foi iniciar uma varredura do AVAST. Depois de uns 30 minutos, a varredura não encontrou nenhum vírus. Chamei a cliente para ver e fiz outra varredura para me garantir. A outra varredura foi realizada com sucesso.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">Agora vou revelar a vocês alguns detalhes que eu omiti de propósito, e que também só fui entender melhor depois, fazendo uma análise fria do caso. Depois da primeira varredura de boot o AVAST me revelou que eu estava lidando com um <strong>rootkit</strong>. Eu achei isso um tanto estranho por que, apesar de não me lembrar em detalhes, eu lembrava que rootkits eram ferramentas que hackers usavam para comprometer sistemas recém invadidos. Uma invasão significa basicamente um acesso não autorizado de super usuário agora, para garantir um acesso futuro, que suas trilhas não pudessem ser recuperadas (já que todo acesso é registrado no sistema) e que programas maliciosos fossem executados sem que os administradores desse sistema percebessem, os hackers utilizavam rootkits.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt;">No caso do vírus de Windows, e essa informação eu só fui descobrir graças ao trabalho do Linha Defensiva<a name="_ftnref4" href="#_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:12pt;font-family:&quot;">[4]</span></span><!--[endif]--></span></span></a>, o rootkit era utilizado para impedir que os arquivos do trojan fossem exibidos pelo Windows Explorer, de impedir que os processos do trojan fossem exibidos pelo Gerenciador de Tarefas e para impedir que o Editor de Registros fosse executado. E isso foi exatamente o que aconteceu. Eu realmente procurei os dois arquivos do registro na pasta indicada e não encontrei, mesmo no Modo de Segurança. O que eu fiz, entretanto, serviu para interromper o processo do rootkit.</p>
<div><!--[if !supportFootnotes]--></p>
<hr size="1" /><!--[endif]--></p>
<div id="ftn1">
<p class="MsoFootnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_ftn1" href="#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;">[1]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> Arquivos que possuem conjuntos de funções e que são feitos para serem utilizados por outros programas. As bibliotecas surgiram para tornar o processo de programação (e não necessariamente os programas) mais eficientes. Com o uso de bibliotecas um programador pode incorporar funções aos seus programas, sem necessariamente instruir ao sistema como realizar essas funções.</p>
</div>
<div id="ftn2">
<p class="MsoFootnoteText" style="text-align:justify;"><a name="_ftn2" href="#_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;">[2]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> O processo de inicialização do computador é conhecido como <strong>bootstrap</strong> o que traduzindo significaria <strong>pontapé inicial</strong>. Alguns antivírus propõem que a varredura seja feita durante o processo de boot por que assim evitam que determinados programas, que poderiam servir para camuflar os vírus, fossem executados.</p>
</div>
<div id="ftn3">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn3" href="#_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;">[3]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> REGEDIT é o editor do registro do Windows. O registro é um arquivo fundamental do sistema operacional Windows por que é nele onde ficam escritos, por exemplo, com quais programas documentos de determinada extensão devem ser abertos, e quais programas devem ser carregados durante a inicialização do Windows, entre outros.</p>
</div>
<div id="ftn4">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn4" href="#_ftnref4"><span class="MsoFootnoteReference"><span><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size:10pt;font-family:&quot;">[4]</span></span><!--[endif]--></span></span></a> Acessado em <a href="http://www.linhadefensiva.org/2005/03/rootkit/">http://www.linhadefensiva.org/2005/03/rootkit/</a> no dia 27 de Dezembro de 2008</p>
</div>
</div>
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