Arquivo de maio \31\UTC 2007

31
maio
07

Sobre a Audiência Pública

Gostaria de aproveitar o espaço para prestar alguns esclarecimentos acerca da Audiência Pública – proposta pela Reitoria da UEL – que deveria ter sido realizada ontem, dia 30 de Maio, às 19hs.

A decisão de dar a audiência por encerrada partiu da própria Reitoria. Quem propôs que se não fosse permitido ao Vice-Reitor continuar a fazer sua apresentação – que eu chamo mais de apologia ou até propaganda do que apresentação – a audiência seria encerrada foi a própria Reitoria, através da pessoa designada para servir de mestre de cerimônias.

A manifestação dos estudantes foi no sentido de não permitir ao Vice-Reitor falar mais do que 5 minutos. E isso se deve ao fato de que 5 minutos era o tempo determinado para as outras pessoas falarem. Isto quer dizer: A manifestação dos estudantes foi no sentido de exigir uma participação igual da reitoria.

Essa determinação foi tirada através de uma comissão formada para decidir acerca do formato da audiência aonde as propostas eram votadas. A comissão era formada por 12 pessoas aonde havia apenas 4 estudantes. Todos os estudantes foram contra a proposta de 30 minutos da reitoria. Inclusive já havia sido solicitado que o tempo anterior, que era de 15, fosse diminuído para 5 minutos, para que todos tivessem tempo igual.

Como os próprios estudantes perceberam que a reitoria não estava disposta a falar E permitir que o mesmo tempo que ela utilizasse fosse utilizado pelas outras pessoas – e isso não inclui apenas estudantes, mas outros representantes, como representantes de professores e representantes das comunidades externas – os estudantes começaram a clamar o prosseguimento do debate através do estabelecimento da mesa. Quer dizer: Os estudantes não podem ser acusados de não estarem interessados que a Audiência Pública fosse realizada. A verdade é que eles até aceitavam que a Audiência Pública fosse realizada, desde que fosse feita de forma justa e democrática.

O Movimento Estudantil tinha sim interesse em participar da Audiência Pública. E o que me autoriza a falar isso é o fato de ter participado de todas as Assembléias, dos Estudantes e Unificada. E digo isso justamente por que essas foram as deliberações e encaminhamentos tiradas dessas assembléias. Mas é como eu disse: desde que fosse feita de forma democrática.

Um grande número dos estudantes presentes havia passado por todo um processo de discussão acerca do Plano de Segurança. Apesar de algumas pessoas presentes possivelmente não, e isso é possível de acontecer em qualquer movimento, o movimento tinha sim pessoas capacitadas para discutir a respeito do referido Plano.

O Movimento Estudantil agiu dessa forma justamente para não permitir a legitimação do Plano de Segurança. Essa era a maior armadilha armada pela Reitoria na qual, através da manifestação, o Movimento se recusou a cair. Muitos dos líderes de comunidades que estariam presentes, por exemplo, além terem vindo apenas defender posições pessoais, ou seja, não legitimadas pela participação das pessoas que representam acerca da questão, haviam passado por um processo de “diálogo” com a Reitoria que, na verdade, se assemelhava muito mais a uma prática clientelista.

Por último gostaria de dizer que, apesar de as razões divergirem, os manifestantes do movimento estudantil tinham uma opinião comum que basicamente se resumia a ser contra tanto a construção do muro quanto à presença da polícia no campus.

Por uma UEL sem muros!

26
maio
07

Autoritarismo e inconstitucionalidade

Autoritarismo e inconstitucionalidade: os decretos do governador Serra, o projeto de “super Executivo” e as mobilizações dos estudantes paulistas

Andriei Gutierrez

(Aluno da Unicamp)

andriei.gutierrez@uol.com.br

O conjunto de decretos expedidos pelo governador José Serra no início do seu mandato não corresponde somente a políticas de intervenção governamental na autonomia universitária. Muito menos a políticas de fiscalização e submissão das atividades das universidades aos interesses e controles da sociedade como muito se alardeou. É preciso atentar para os fatos e analisar o impacto profundo que os decretos representam nas sociedades paulista e brasileira.

Analisados em seu conjunto, os decretos do atual Governo do Estado de São Paulo materializam uma política de construção autoritária de uma espécie de “super Executivo” constituído pelo Governador e por seus Secretários indicados. Autoritária sim, porque não foi discutida nem deliberada na instância representativa responsável pela feitura das leis, no caso a Assembléia Legislativa de São Paulo, e porque se utiliza dos recursos repressivos do Estado para implantá-las “na marra” para o conjunto da sociedade, como estamos vendo no tratamento dispensado aos estudantes paulistas que resistem a aceitá-las.

O projeto conservador de construção autoritária do “super Executivo” em São Paulo significa a experiência preparatória para um futuro Governo Federal do PSDB, uma espécie de especialização do “governo das medidas provisórias” de Fernando Henrique Cardoso. A idéia é vincular todos os recursos orçamentários e sua aplicação à “canetada” do “homem-forte” do Executivo, pessoa que dita as regras e se protege numa estrutura supostamente fiscalizatória constituída por seus secretários e um conjunto de órgãos de execução por estes compostos. Lembra em muito a idéia próxima do Leviatã de Thomas Hobbes: uma vez feito o pacto social e instituído o governante e a estrutura executiva a seu serviço, gozam de direitos absolutos por meio da aplicação de uma política “econômica-orçamentária-administrativa”, que vigora até a eleição seguinte. Vejamos como funciona o projeto em seu conjunto.

O decreto 51.630, de 9 de março de 2007, cria um sistema que concentra no âmbito do Executivo todo o controle e fiscalização anual orçamentário estatal, no caso específico o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios, SIAFEM/SP. Há uma grade de gastos anuais previstos pela Programação Orçamentária da Despesa do Estado que impõe um contingenciamento orçamentário às unidades administrativas, às autarquias e às empresas mistas e engessa todo remanejamento de verba às deliberações do próprio Executivo. No caso dos reajustes e políticas salariais, conforme o decreto 51.660, de 14 de março, o projeto de construção autoritária do “super Executivo” submete as necessidades relativas a salários e benefícios das diferentes unidades administrativas, autarquias e empresas mistas ao projeto econômico do Executivo, por meio da Comissão de Política Salarial, que em primeira instância depende da Programação Orçamentária e em última instância da “canetada” do governador. Segundo o referido decreto também elege-se um órgão do Executivo submetido à Comissão de Política Salarial, que é a Secretaria de Gestão Pública, como fórum de negociação e instância de análise das reivindicações e recursos relativos a salários, vantagens ou benefícios de qualquer natureza. Aliás, é interessante observar como a linha política do “super Executivo”, que é garantida por seu “homem-forte”, ampara-se numa ampla rede de proteção do mesmo através da constituição e fragmentação do Executivo em diferentes pastas ou Secretarias, objeto do decreto 51.460, de 1o. de janeiro de 2007. Delineia-se também, no conjunto de decretos, qual é a ambição do projeto global: a redução draconiana do aparelho estatal, por meio do decreto 51.471, de janeiro de 2007, que veda toda e qualquer admissão de pessoal, entendida agora como um “caso excepcional” a ser aprovado pelo próprio Governador do Estado. Fato que leva à precarização dos serviços prestados à sociedade assim como a uma degradação das condições de trabalho dos servidores públicos.

A outra faceta desse projeto autoritário é a sua inconstitucionalidade. Sua aplicação imediata, no Estado de São Paulo, esbarra com algumas disposições legais da Constituição Federal de 1988. É aqui que entram as Universidades Estaduais Paulistas e a luta política legítima dos seus estudantes.

O artigo 207 da Constituição Federal determina que “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”; seu parágrafo primeiro assegura às mesmas o direito de admitir professores, técnicos e cientistas estrangeiros. Como se pode ver, o conjunto de decretos tira às universidades sua autonomia administrativa, de gestão financeira e de contratação, contrariando direitos garantidos pelo artigo 207 ao não só interferir sobre contratações mas também engessar a aplicação orçamentária. Mas não é só isso. O decreto 51.460, que dispõe sobre a organização básica administrativa do Estado, ao separar os ensinos básico, técnico e superior que antes constituíam a Secretaria de Educação, nas Secretarias de Educação, Desenvolvimento e Ensino Superior, respectivamente, interfere no que diz respeito ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Por sua vez, o decreto que organiza a Secretaria de Ensino Superior, n. 51.461, de 1o. de jan. de 2007, contraria o parágrafo primeiro do artigo 218 da Constituição Federal que assegura que “a pesquisa científica básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências”. O referido decreto vem explicitar de modo verbalizado uma prática inconstitucional que vem vigorando implicitamente na última década tanto nas políticas de financiamento de pesquisas do Governo Estadual como do Governo Federal, por meio da políticas da FAPESP e da CAPES. Conforme o artigo 2, inciso III do mesmo decreto, cria-se uma falsa dicotomia entre “pesquisa básica” e “pesquisa operacional”, priorizando o segundo tipo. No atual contexto de contingenciamento de verbas, isto significa a priorização das pesquisas com possíveis valores mercadológicos deixando de lado as pesquisas básicas voltadas à preocupação com o progresso das ciências.

É neste sentido que as mobilizações dos estudantes da USP, Unicamp e Unesp, que eclodiram nos últimos meses e que se intensificam nos dias atuais, são um bastião legítimo de defesa da nossa democracia, na medida em que lutam para resguardar o princípio de representação legislativa contra um projeto de construção autoritária de um Executivo antidemocrático via decretos, e também na medida em que defendem a autonomia universitária e a preocupação com o progresso das ciências que são necessários a um projeto de nação soberana, ambos reconhecidos e garantidos pela Constituição de 1988. Se esta última e seus princípios representam algo à sociedade brasileira, todos os setores mobilizados da sociedade deveriam apoiar as reivindicações dos estudantes paulistas e avançar a defesa da democracia brasileira através da revogação dos decretos.

24
maio
07

A Luta do Cursinho Popular da UEL

O Cursinho Popular da UEL é um Projeto de Extensão ligado diretamente à Reitoria e criado na administração Jackson Proença Testa (por incrível que pareça). Para quem não sabe, a administração Jackson foi uma administração que esteve envolvida em vários escândalos se constituindo em um período tenebroso da história da nossa Universidade. Para terem uma idéia, o Anfiteatro que caiu e matou duas (?) pessoas foi criado na Administração dele. Existem boatos que dizem que o Cursinho foi criado com fins basicamente eleitoreiros pois, com a sua criação, o ex-reitor pretendia ganhar publicidade o suficiente para se reeleger.

Entretanto, o Cursinho é voltado para pessoas carentes. Tanto é assim que, para uma pessoa ser aceita nele, ela precisa passar por uma “triagem sócio-econômica” que avalia se as pessoas que estão ingressando não poderiam mesmo ter aulas em um cursinho particular. E, por favor, quando eu digo “carentes” eu não quero dizer que elas são exceção por lhes faltar algo que todo mundo tem, não, quando eu digo “carentes” eu quero dizer no sentido de que elas são as pessoas que são vítimas da exclusão operada pela própria sociedade.

Todos nós temos o “privilégio” de participar de uma Universidade Pública. É um direito adquirido nosso, por mérito, que nos permite que possamos participar da educação em Nível Superior. Entretanto, alguns de nós, eu inclusive, devemos reconhecer que a competição não tem sido justa. Por causa disso, o “direito”, acaba se tornando uma espécie de “privilégio”. Eu fiz cursinho particular, eu estudei em colégio particular. Infelizmente, e a despeito do esforço dos professores que dão o seu sangue para manter a educação pública uma educação de qualidade, quem estuda em colégio público e quem estuda em colégio particular concorrem em uma desigualdade muito grande de condições.

Entretanto, para que as pessoas que saíssem do Colegial pudessem participar da vida acadêmica, criaram-se os cursinhos. Só que isso era, basicamente, restrito a instituições privadas. Isto quer dizer que para as pessoas que tivessem terminado o colegial, se não tivessem condições, teriam que optar ou por estudar por conta própria – o que é inviável para muitas pessoas – ou desistir da vida acadêmica.

Para suprir essa deficiência surgiu o “Cursinho POPULAR” da UEL. E eu digo isso, basicamente, por reconhecer que esse Cursinho preenche um espaço bastante sensível da questão universitária: A questão relativa à grande diferença entre o perfil sócio-econômico de quem consegue ingressar em uma Universidade Pública e o do resto da nossa sociedade. Diferença que podemos notar mais acentuadamente à medida em que fôssemos tratar dos cursos de “maior prestígio” (o que, em outras palavras significa os “mais concorridos”). Sabemos que existe uma correlação de forças desigual na sociedade e, na medida em que não são criadas condições para corrigir essas desigualdades, ela acaba se tornando cada vez mais agravante. Uma iniciativa como essa, como um Cursinho Popular, ajuda justamente nisso: diminuir a desigualdade de condições.

Afinal de contas que mérito há em se ganhar uma corrida se corremos de Ferrari e o nosso adversário de Fusca?

Entretanto, o Cursinho Popular da UEL é voltado fundamentalmente para o vestibular dessa Universidade. Por causa disso, o seu Projeto Pedagógico é basicamente voltado para ela, também.

Gostaria que entendessem que toda essa exposição é necessária para se explicar os problemas relativos às reivindicações que o “Cursinho Popular da UEL” (CEPV – UEL) vem fazendo.

E, por que isso?

Em excelente artigo que trata sobre as mudanças no Vestibular da UEL, o Professor Elve Miguel Cenci, do Dep. de Filosofia da UEL analisa as mudanças ocorridas neste vestibular durante os últimos anos. Resumidamente, ele explica que o caráter que este adquiriu, um caráter de cunho interdisciplinar, foi fruto de um amadurecimento da proposta de a Universidade elaborar sua própria prova assim como do cumprimento pioneiro do que, até o momento era apenas uma prescrição, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação incluir a disciplina de Filosofia e Sociologia. Sem contar que em alguns Colégios Públicos essa disciplina havia sido implantada.

Segundo esse professor afirma, esse amadurecimento foi resultado de um processo sistemático de substituição, primeiro da Fundação Carlos Chagas – que anteriormente era a instituição que elaborava o Vestibular da UEL – e depois da Universidade Federal do Paraná – à qual a Universidade Estadual de Londrina solicitou apoio pedagógico na elaboração da prova para a formação de uma equipe própria. Foi um projeto cumulativo de crescente autonomização responsável pela mudança qualitativa do vestibular da UEL.

Quando do começo da proposta, vale lembrar e o próprio Professor Elve cita em seu artigo, houve resistência por parte dos cursinhos e colégios particulares. A principal razão alegada, segundo o mesmo Professor, era a de que havia “falta de tradição” para isso pois “essa disciplina ainda não havia sido implantada nas escolas”. Mas como eu disse anteriormente, era uma sugestão da própria Lei de Diretrizes e Bases que, como o próprio nome afirma, traça “diretrizes” para a regularização do Ensino. Há o entendimento de que essa resistência se deva ao fato de que, a partir do momento em que o Vestibular da UEL se diferenciasse, os Cursinhos Particulares não poderiam usar uma mesma metodologia de ensino para uma série de vestibulares diferentes.

Isso nos remete à mudança do vestibular da UEL. Gostaria de frisar que tudo isso pode ser encontrado no mesmo artigo ao qual estou me referindo, que leva o nome A Experiência da Filosofia na Universidade Estadual de Londrina e que está disponível no seguinte endereço: http://www.espacoacademico.com.br/034/34ccenci.htm

A mudança que houve é centrada na característica da interdisciplinariedade. As questões, portanto, além de serem uma mera justaposição de conteúdos, se inter-relacionavam entre si. A Filosofia, no caso, era utilizada como uma espécie de “fio condutor” que costurava as diferentes disciplinas em um mesmo “tecido temático” de tonalidades representado pelas disciplinas. O resultado disso foi uma prova que valorizava mais o raciocínio crítico-reflexivo e prejudicava, não intencional mas inevitavelmente, o ensino centrado no eixo “treinamento-memorização”. Temos que considerar que, enquanto o formato anterior, defendido pelos cursinhos, privilegiava o aspecto quantitativo em detrimento do qualitativo, o formato novo – que vigorou entre 2003 e 2006 – valorizava o aspecto qualitativo.

Entretanto, uma coisa muito séria aconteceu.

As eleições para Reitor ocorreram, saiu Lígia Puppato e entrou Wilmar Marçal. Como em qualquer situação política, quando um dirigente tem cargos comissionados à sua disposição ele dispensa todo o pessoal que, de alguma forma, estava ligado à reitoria anterior (principalmente quando a mesma não faz parte da sua base de apoio) e coloca pessoas que o apoiaram na sua campanha como uma forma de agradecimento. Por mais antidemocrático que isso possa ser, não é crime, e o nosso atual Reitor não abriu mão dessa oportunidade. E foi exatamente o que ele fez em relação á COPS. Para quem não sabe COPS significa Coordenadoria de Processos Seletivos e é uma Comissão responsável pela elaboração de testes seletivos, incluindo o vestibular.

Entretanto, se apenas isso tivesse acontecido não teria muitos problemas. Afinal de contas, o “grosso” do capital humano estava concentrado na equipe que elaborava as provas do vestibular. Entretanto, inclusive esse pessoal não foi poupado. E pior, próximo à realização do Vestibular, ou seja, deixando um prazo mínimo para a elaboração da prova (aparentemente, em agosto) o Reitor Wilmar Marçal dispensou toda a equipe anterior, e colocou uma nova. O impacto disso, percebam, é de que houve a perda de todo o capital humano, representado por uma equipe que passou por uma transição gradual do formato do concurso vestibular assim como de todo um trabalho de elaboração que vinha sendo feito durante o ano, que seria materializado no Vestibular UEL 2007.

E qual foi a consequência disso? (Dessa mudança na equipe pedagógica da COPS)

Isto podemos avaliar a partir da própria prova. O primeiro exemplo, é o das questões de Geografia. O próprio Departamento de Geografia fez uma avaliação da prova, em que afirma ter sido muito mal formulada e entrou com pedido de esclarecimento, junto à COPS, tanto de algumas questões, que solicitou anulação, quanto da prova em si, que afirma ter substituído o caráter interdisciplinar por multidisciplinar, aonde os conteúdos, ao invés de se relacionarem, apenas se justapõem entre si. Houve confusão de termos “taxa de crescimento” e “taxa geométrica de crescimento” (questão27), confusão de termos “Mares de Morros” (questão 28) assim como erro nos dados (do Brasil, na questão 29) entre outros. O segundo exemplo, é o da prova de Química, aonde, devido ao fato do Colégio Universitário ter entrado com pedido de revisão, duas questões de Química foram anuladas.

A única questão, aparentemente interdisciplinar foi a questão 37, que falava sobre sanguessugas. Mistura alhos com bugalhos, ou seja, a prova foi um verdadeiro fiasco.

Entretanto, devemos reconhecer que a forma dos vestibulares determinam não só a forma, como também o conteúdo cobrado pelos cursinhos, orienta seu plano pedagógico e etc. E isso não era diferente com o Cursinho Popular da UEL principalmente por que, como eu disse, ele era voltado, fundamentalmente, para o Vestibular da UEL. É importante frisar que, certa feita, quando eles suspeitavam que o Vestibular iria mudar, o que ocorreu justa mas não imediatamente após a mudança da equipe pedagógica da COPS, eles estavam pensando em fazer uma manifestação. Por causa disso, segundo informações do próprio pessoal do Cursinho, o Vice-Reitor Sr Cézar Caggiano foi pessoalmente garantir, diante dos alunos, que o Vestibular não ia mudar. Como não foi o que aconteceu, podemos dizer que ele mentiu, não é mesmo?

Imaginem o quanto isso prejudica os estudantes do Cursinho Popular.

Além disso, vale lembrar e isso está presente no Manifesto do Cursinho Popular da UEL, agindo dessa forma a COPS está violando a Resolução 66/2006 do CEPE (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) que, no seu artigo 29 estabelece: Na 1º Fase, dia 05 de Novembro de 2006 será aplicada a prova de Conhecimentos Gerais, elaborada na perspectiva interdisciplinar

Dessa forma esclarecemos todas as questões envolvidas com o protesto do Cursinho Popular da UEL. Maiores detalhes podem ser sim relevantes mas, de qualquer maneira, acredito que a questão já está devidamente exposta para que todos possam entender o porquê das reivindicações do Cursinho da UEL. Segue abaixo a pauta de reivindicações do Cursinho:

  • Retorno de uma prova de vestibular crítica, reflexiva e interdisciplinar;
  • Substituição da atual equipe pedagógica da COPS;
  • Esclarecimento Público, por parte dos responsáveis, sobre o descumprimento da resolução CEPE 66/2006, artigo 29.

Vinícius Morais Simões

Estudante do curso de Ciências Econômicas – UEL

17
maio
07

Jornalismo Mentiroso

Na edição do Jornal de Londrina do dia 24/04/07 foi apresentada matéria de primeira capa referente às manifestações que ocorreram no Restaurante Universitário. É justamente nesse tipo de situação que nós podemos perceber a quem a ideologia por detrás da mídia corporativa serve. A minha intenção nesse post é revelar justamente isso.

A matéria pode ser encontrada no seguinte endereço: http://canais.rpc.com.br/jl/geral/conteudo.phtml?id=655559 e é escrita por Glória Galembeck. Não sei por que cargas d´água no site aparece Stella Meneghel.

As duas primeiras coisas que eu gostaria de evidenciar são as seguintes:

A primeira se refere ao afirmado apoio da reitoria, e da administração do SEBEC (Serviço de Bem Estar à Comunidade) – órgão ao qual o Restaurante Universitário está ligado – à suposta paralisação dos servidores. Qualquer pessoa com o mínimo senso crítico, na minha opinião, perceberia que essa só pode se tratar de uma jogada da própria administração da Universidade com a clara intenção de denegrir a imagem do Movimento Estudantil.

A segunda se refere à própria paralisação em si, e à matéria veiculada. Primeiro que, para que os servidores do Restaurante Universitário tivessem tomado uma decisão dessas eles teriam que estar minimamente mobilizados, ou seja, que eles tivessem se organizado e tivessem discutido entre si. Eles precisariam de espaço e de tempo que, normalmente, eles não têm. Além do que eles deveriam acreditar que teriam um mínimo de autonomia, que a administração da Universidade não dá para eles, para praticarem esse tipo de ação. E para a matéria ser veiculada seria necessário que, além disso, eles tivessem o interesse e a autonomia de recorrer aos órgãos de imprensa para cuidar da repercussão do encaminhamento tirado.

De forma alguma estou questionando a capacidade dos servidores do RU. Apenas gostaria de deixar claro que duvido muito de que seja isso que tenha acontecido. Por que, como eu disse, a exploração que eles sofrem não lhes dá tempo, espaço e nem autonomia para tal. Eu acredito piamente de que essa matéria foi simplesmente fabricada pela administração da Universidade.

Depois existem os méritos da própria matéria em si.

Basicamente a matéria diz que, se os estudantes voltarem a invadir o Restaurante Universitário, os funcionários iriam parar. E isso por que, com as invasões os funcionários se sentiam coagidos. Primeiro que o Restaurante Universitário se trata de um espaço público. Por causa disso é uma atitude ilegítima do jornal dizer que o estávamos invadindo. Segundo que em nenhum momento nenhum manifestante ameaçou qualquer funcionário. A única ameaça que eu vi que teve foi feita por um estudante pagante que estava na fila, o que não justifica a matéria.

Existem ainda outras questões ainda relativas à manifestação em si. As manifestações ocorreram Quinta e Sexta-Feira e se seguiram à reunião do Conselho de Administração da UEL que aprovou a redução de vagas da Moradia Estudantil, o aumento das taxas administrativas, e a expulsão dos vendedores ambulantes. Portanto, as manifestações começaram Quinta-Feira justamente por se tratar do dia imediatamente posterior à votação.

Muitas das pessoas que residem na Moradia Estudantil, eu acredito que sejam a maioria, simplesmente não poderiam estudar na Universidade se não fossem essas parcas políticas de Assistência, materializadas tanto na Moradia quanto no crédito mais barato. Percebam que, se não fosse esse socorro prestado pela Universidade a essas pessoas, elas simplesmente não estariam fazendo a Universidade, o que deveria ser um direito de todos. Tudo bem que, a educação, por se tratar por um direito, não deveria ser desvinculado de políticas de acesso e permanência entretanto, na absoluta falta dessas, espera-se que, pelo menos, o estado assista às pessoas que mais precisam. É justamente para isso que existem as triagens sócio-econômicas, como as que o SEBEC pratica na hora de selecionar os estudantes para a Moradia Estudantil.

Se uma universidade não pratica essas políticas ela está simples e claramente promovendo uma exclusão social. E é exatamente isso que a UEL vêm fazendo através da diminuição das suas políticas de assistência.

Pois bem, isso tudo foi para explicar a razão das pessoas, na manifestação, terem comido de graça. O que só aconteceu na Quinta-Feira, por que na Sexta-Feira, os funcionários, por ordem do Diretor do SEBEC, retiraram a comida da mesa assim que os manifestantes começaram a pegar as bandejas.

A manifestação na Quinta-Feira teve a seguinte dinâmica: as pessoas entraram pulando pelas roletas de saída, se aglomeraram em volta das mesas e algumas pessoas começaram a discursar. Acabado o discurso, a manifestação, gritando palavras de ordem, se dirigiu ao outro refeitório aonde repetiu o mesmo procedimento. Depois disso os manifestantes entraram na fila da bandeja e começaram a pegar comida.

Eu já disse que é simplesmente uma mentira dizer que os funcionários se sentiram coagidos com a manifestação por que nenhum manifestante, em momento algum, ameaçou os funcionários. Entretanto, gostariam que entendessem o porquê de um estudante pagante, que estava na fila, ter feito isso.

A razão simples é por que a fila estava parada, e a fila estava parada por que os funcionários se recusavam a servir. Entretanto isso se deve ao como a manifestação se desenvolveu naquele dia.

Na Sexta-Feira, saímos bem mais tarde do que na Quinta. Então tinha bem menos gente no refeitório. Como as catracas estavam sendo vigiadas por seguranças, entramos pela porta da frente, abrindo a portinhola de entrada de funcionários.

Fizemos a manifestação no refeitório da esquerda como de costume. Depois disso, alguns manifestantes, eu inclusive, tentamos pegar almoço. Como os funcionários rapidamente tiraram a comida da mesa, nós simplesmente abandonamos nossa bandeja mais à frente. Enquanto isso um grupo de manifestantes tentava atravessar de um refeitório a outro.

Percebam, a manifestação, se fosse seguir como no dia anterior, simplesmente iria discursar em um refeitório, passar para o outro, discursar no outro, e como não ia poder almoçar, ia embora. Entretanto, naquele dia não foi possível passar livremente de um refeitório a outro por que na hora que fomos fazer isso, tinha um cordão de seguranças impedindo a passagem. Quer dizer, a responsabilidade da manifestação ter se estendido além do previsto é da própria administração do SEBEC.

Para quem não sabe, no RU da UEL você tem dois refeitórios, um à esquerda e um à direita. Para escolher um ou outro refeitório, você pode pegar a fila do respectivo refeitório que, de qualquer maneira, são paralelas até chegar às bandejas. Quando você chega às bandejas você segue da esquerda para a direita no refeitório da direita ou da direita para a esquerda no refeitório da esquerda, ao longo de um corredor, aonde você pega os pratinhos com comida.

Pois bem, como estávamos no refeitório da esquerda, atravessando para o da direita, em uma determinada altura do campeonato o cordão de isolamento se desfez e o grupo começou a atravessar para o outro lado. Isso até encontrar com o diretor do SEBEC no fim do corredor do RU. Por causa disso a manifestação ficou aglomerada no corredor (ocupando todo o espaço em frente ao local as pessoas se servem).

Nessa discussão, o tal diretor do SEBEC, o Sr Oswaldo Yokota, afirmou que se os manifestantes se deslocassem para o refeitório da direita, ele liberaria o da esquerda. Por comum acordo nós aceitamos a proposta simplesmente por que não tínhamos interesse algum em prejudicar as pessoas que estavam na fila. Entretanto, enquanto os manifestantes se deslocavam, um dos manifestantes ainda estava discutindo com o Sr Yokota chamou todo o pessoal para ir lá fora discutir. Bem, como isso não foi proposto ao e discutido pelo coletivo dos manifestantes, apenas algumas pessoas foram. Enquanto isso os manifestantes não estavam mais ocupando o corredor.

Eu estava lá dentro. E enquanto estava lá dentro, veio uma moça lá do fundo dizendo que tinha um estudante tentando invadir a cozinha. Eu fui pessoalmente lá ver se isso era verdade, para não permitir que uma mentira dessas fosse inventada e imputada a nós. Pois bem, foi nessa ocasião que eu vi que era um rapaz, pagante, que estava na fila, que estava “coagindo” os funcionários. E isso justamente por que os funcionários se recusavam a servir a comida.

Percebam, portanto, que além de a manifestação se estender além do esperado devido justamente à medida adotada pela administração do SEBEC, o dissabor criado com os outros estudantes deveu-se ao desleal não cumprimento de sua própria proposta praticada pelo Sr Oswaldo Yokota.

Portanto, acho que está claro o quanto essa matéria e esse jornal são mentirosos e indignos de qualquer credibilidade.

17
maio
07

Apresentação

Meu nome é Vinícius Morais Simões, e eu moro em Londrina. Atualmente estou desempregado e sou aluno do curso de Ciências Econômicas na Universidade Estadual de Londrina – UEL. Além disso milito no Movimento Estudantil fazendo parte de um grupo conhecido como Coletivo Estudantes em Movimento.

Para quem não sabe um Coletivo é um agrupamento de pessoas que possuem ideologias diferentes mas um objetivo comum. Quando o coletivo foi formado eu ainda era filiado ao P-Sol, hoje sou independente.

Eu sou um aficcionado por informática desde os meus 13 anos de idade, e conheço a Internet desde os 17. Quer dizer, já tenho quase 10 anos de experiência no uso da rede. Apesar de a minha especialidade ser hardware, também conheço um pouco de redes assim como possuo certa experiência no uso de Linux e sei um pouco de programação. Sei programar precariamente em Pascal, Basic e C e tenho alguns anos de experiência em Linux apesar de, atualmente, ter parado de usá-lo.

Criei esse blog com o simples intuito de servir de repositório para as minhas reflexões. Espero que elas sejam de alguma utilidade.

Abraços