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ago
07

“Debate” com Luiz Schuch – Secretário do ANDES-SN

Hoje participei do “debate” sobre Reforma Universitária, promovido pelo coletivo “Estudantes em Movimento” que ocorreu às 9h no anfiteatro maior do CCH. O mesmo contou com a presença do Secretário Nacional do ANDES (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior), o Sr Luiz Schuch e faz parte da “Jornada em Defesa da Educação Pública” que é uma Jornada que conta com a presença do P-SOL e do PSTU ao lado do PT e do PC do B (representados, respectivamente, pela FOE, CONLUTE e UJS). Vale lembrar também que o ANDES, após se desfiliar da CUT, se filiou ao CONLUTAS.

 

Escrevi “debate” entre aspas por que além do referido debatedor ser o único a falar na mesa, ele ainda ocupou mais de uma hora do período do encontro o que, em um debate, geralmente se trata de uma breve exposição. Isso sem contar que o horário, que era para ser às 9h foi adiado para as 10h por atraso do próprio palestrante. Pois bem.

 

Confesso que percebi uma certa confusão ideológica por parte do debatedor. Isso aconteceu por que, em um primeiro momento, a impressão que eu tive era a de que ele estava defendendo idéias nacional-desenvolvimentistas. A principal razão pelo que eu me lembro era o apelo que ele fazia à idéia de nação. Posteriormente, após as perguntas iniciais, ele começou a falar de classe trabalhadora e trabalho de base, aparentemente sem mediação com o discurso inicial.

 

Outra coisa que achei meio fora de contexto foi a longa exposição acerca do Haiti. Usar o Haiti como exemplo para comparar modelos educacionais, tudo bem, mas achei desnecessário todo o tempo que o mesmo demorou falando, por exemplo, sobre a economia e a política do Haiti.

 

De modo geral achei a palestra interessante. Apesar disso confesso que ficou aquém do que eu esperava. Primeiro eu achei interessante por que pude ter, mais uma vez, esclarecimento acerca da reforma universitária, do movimento em defesa da educação, dos diferentes modelos de reforma educacional ao redor do mundo e suas conseqüências, dentre outras coisas relacionadas à educação principalmente pública de modo geral, e ao ensino público superior em particular.

 

Agora ficou aquém do que eu esperava por que eu esperava uma análise tanto mais concreta quanto mais radical, assim como esperava um discurso mais mobilizador, que instigasse à reflexão e fornecesse subsídios tanto à análise dos diferentes modelos de reforma universitária quanto para a ação concreta em defesa do ensino público superior.

 

Um debate que é feito, por exemplo, e que foi deixado de lado na exposição do atual secretário, é o de quanto cada vez mais a produção científica da universidade tem se confundido com produção de tecnologia e não de produção de conhecimento ou de cultura. Em linhas gerais ele tratou, por exemplo, da privatização do ensino público assim como da reforma do estado, o que são temas importantes e de grande influência mas, de alguma forma, eu achei que ele ficou devendo de explicitar mais os detalhes, dos mecanismos assim como da forma que tem sido feita a reforma institucional.

 

Detalhes como bolsas, avaliações institucionais, os critérios dos institutos de fomento à pesquisa, o perfil da destinação desses institutos, o nível atual da produção científica na universidade, a destinação que é dada a essa produção que é feita, a propriedade intelectual dessa produção, os seus usos, dentre uma série de coisas.

 

Realmente, a questão da Reforma Universitária se tornou muito complexa. Antigamente a expressão se referia “apenas” à Lei de Inovação Tecnológica, o SINAES, o PROUNI, as Leis de Fundações e as Parcerias Público-Privadas. Hoje, além de tudo ainda há a Universidade Nova, o REUNI e o PROUNI-2. Mas além disso, eu sei que existe a proposta do ANDES assim como existe todo um acúmulo de discussões do Fórum Nacional em Defesa da Educação que, já tinha definido, pelo menos em linhas gerais, todo um plano de reforma do ensino como um todo.

 

Entretanto, de alguma forma, eu acredito que o secretário poderia ter sido mais minucioso na exposição dos princípios e dos elementos dos conteúdos das respectivas reformas, assim como das questões mais atuais a respeito da educação superior. Isso por si só teria tido um efeito muito grande a partir do momento em que esse mínimo de formação/informação, que poderia muito bem ter sido pautado historicamente, subsidiaria a formação militante.

 

Por último e apenas para não esquecer eu gostaria de observar que eu aprecio muito a forma como esse pessoal (Com o Luís Alan não foi diferente) apresenta o conteúdo das reformas que são propostas com elementos semelhantes propostos em outros países.

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