16
nov
07

Manifesto do Cursinho Popular CEPV – UEL

Os interesses privados e o vestibular público.

A troca da equipe pedagógica da COPS na Uel, responsável pela elaboração das provas do vestibular, ocorrida, justamente, quando a prova da 1º fase já estava em fase de conclusão e a data do vestibular se aproximava, suscitou na época muitos questionamentos e criticas.

Muito estranhas foram as justificativas da atual gestão acerca do critério adotado para tal mudança, nas palavras do novo diretor da COPS: “Antes era a turma do PT, que mudaram para quem quiseram. Agora é o Wilmar, que esta mudando pra turma dele.” [1] Demonstrando, no mínimo, uma grande irresponsabilidade, já que a motivação da troca não se guiou pelo mérito / competência, mas pela arbitrariedade política típica de regimes autoritários, percebe-se, desta maneira o “planejamento e critério, além de respaldo jurídico…” [2] que comentou o Reitor.

Sabemos que o vestibular da Uel, um dos pioneiros na introdução de Sociologia, Filosofia e Artes em suas provas, vinha aprimorando- se e exigindo do vestibulando, cada vez mais, um conhecimento crítico, interdisciplinar e reflexivo acerca das diversas áreas do conhecimento. O famoso “decoreba” e os antigos “macetes” já não serviam para o estudante que almejava uma vaga em qualquer curso da Uel, aqueles que criticaram a mudança na equipe pedagógica o fizeram, justamente, por compreenderem e apoiarem a exigência de um conhecimento mais crítico e reflexivo nas provas do vestibular da Uel.

Sobraram dúvidas e faltou clareza nos critérios de mudança da COPS. Prevaleceu o receio que a prova mudasse já para o próximo vestibular, pois uma mudança tão importante só se justificaria se houvesse a necessidade de uma revisão pedagógica. Talvez o questionamento mais importante tenha sido: A quem interessava uma nova mudança no conteúdo das provas do vestibular da Uel?

Ao contrário do que afirmou publicamente a Reitoria, de que seria respeitada a resolução Cepe nº 66/2006, que fixa normas e vagas para o concurso vestibular 2007, verificou-se desastrosas mudanças pedagógicas na prova de conhecimentos gerais do ultimo vestibular.

Prevaleceu o amadorismo e a mentira. A citada resolução foi descumprida, fundamentalmente, no artigo 29, onde se lê: “Na 1º fase, dia 05 de novembro de 2006 será aplicada a prova de conhecimentos gerais, elaborada na perspectiva interdisciplinar , …” algo não verificado, em nenhuma questão da prova de 2007.

Além do descumprimento deste artigo da resolução, fomos surpreendidos por uma prova de baixíssima qualidade.A maioria das questões, claramente divididas pela especificidade de cada disciplina (portanto, o oposto de interdisciplinarida de) não exigia do aluno o mínimo de reflexão crítica acerca dos conhecimentos tratados na prova, algo que nos remete aos sombrios tempos do “decoreba” e dos “macetes”.

Não podemos esquecer que as provas dos últimos vestibulares, interdisciplinares e reflexivas, foram duramente criticadas, principalmente, por algumas escolas particulares (empresas) de Londrina. Empresas, para as quais a educação é mais um artigo de luxo a ser consumido pelas classes dominantes, prevalecendo a fórmula: Educação (mercadoria) + aluno (cliente) – professor (escravo) = 0 de conhecimento crítico, pois o cliente tem sempre razão.

A prova realizada no ultimo dia 05/11 mudou. Trouxe o mínimo de conhecimento crítico e reflexivo. favorecendo claramente àqueles colégios particulares que criticavam o formato anterior Portanto, viemos através deste manifesto, declarar o nosso repudio e indignação em relação à atual equipe pedagógica da Cops e a reitoria. È inadmissível que aceitemos calados: a incompetência de uma equipe pedagógica amadora, que não cumpriu o artigo 29 da resolução CEPE nº 66/2006, que elaborou uma prova de qualidade questionável, e a mentira de uma reitoria que garantiu publicamente que nada mudaria para o vestibular 2007, comprometendo o trabalho de um ano daqueles que, como o Cepv-Uel, elaboraram um projeto pedagógico visando à preparação do aluno para uma prova interdisciplinar e crítica.

O presente Manifesto foi aprovado em assembléia geral na reuinião pedagógica realizada no dia 11/ 11 pelo CURSO ESPECIAL PRÉ-VESTIBULAR DA UEL.

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