13
mar
08

Pergunta – Burocratização do Movimento

Segue abaixo uma cópia da pergunta que elaborei para ser lida no debate que houve ontem, dia 12 de Março de 2008, no Anfiteatro da Morfologia, no CCB, cujo tema era Movimento Estudantil e Reforma Universitária. O debate foi organizado pela gestão Cala a Boca Já Morreu que atualmente ocupa o DCE e contou com a participação de Luiz Alan Kunzle, professor de Ciência da Computação da UFPR, Reinaldo, estudante do curso de História da Fundação Santo André, e de Naiady Piva, estudante do curso de Jornalismo também da UFPR.

Burocratização do Movimento

Não é uma atitude um tanto enviesada por parte dos estudantes que participaram das ocupações das federais no ano passado, se achar no direito de falar que estão defendendo os verdadeiros interesses da sociedade, ao defender o que os próprios estudantes consideram uma verdadeira democratização da universidade, em contraponto ao projeto de reestruturação do governo federal, que também segundo os mesmos estudantes, ainda que pautados pelo ANDES, implicaria em sua massificação?

Pessoalmente eu não questiono o direito dos estudantes de impedir que decisões administrativas que possuem uma influência tão grande sobre suas vidas, sejam tomadas de maneira puramente autocrática, sem a sua participação, sem o menor respeito à sua autonomia, colocando-os na condição de meros objetos sócio-políticos. Assim como não questiono que essa transformação implicaria em uma mudança do caráter da universidade – se afastando ainda mais do caráter de instituição que deveria, em tese, se justificar perante toda a sociedade – e também na sua massificação.

Entretanto, quando eu vejo, ocupando espaços na mídia, discursos que declaram que as lutas protagonizadas pelo Movimento Estudantil são, na verdade, lutas de uma minoria privilegiada buscando garantir esses mesmos privilégios, eu me sinto obrigado a reconhecer que: Se conforme eu entendo, a crise da universidade advém da sua crise de legitimidade, ou seja, do pouco ou quase nenhum reconhecimento que a sociedade tem da sua importância – principalmente em se tratando das classes que não são privilegiadas, e do seu aspecto de Instituição Pública – sou obrigado a reconhecer que o Movimento Estudantil tem sido negligente, ou seja, deixado muito a desejar, na sua tarefa de conquistar essa legitimidade, ou seja, na sua articulação com as bases.

Reconhecido isso, entretanto, quando me questiono a respeito das suas causas, sou obrigado a reconhecer outra coisa: Que, na verdade, após o rompimento com a UNE, e com a aliança com o PSOL – aliança de cúpula, que visou justamente a ampliação da sua força política a partir de entidades – a CONLUTE passou a se afastar da sua articulação com a base, passou a promover um afastamento entre a direção, posição na qual ela mesma se colocou, e essa base. Isso a não ser que reconheçamos a luta pela ocupação de entidades de representação – como o próprio DCE da UEL – como articulação com a base.

Por causa disso não seria justo afirmarmos que a CONLUTE, ou a Frente de Luta – que por mais que seja constituída por uma frente ampla é alvo do dirigismo da aliança PSOL e PSTU – está promovendo um entrave, e não um avanço, e uma rotinização, e não uma superação, das lutas do Movimento Estudantil em nível nacional?

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