Arquivo de julho \31\UTC 2013

31
jul
13

Alexander Berkman – Homens preguiçosos e trabalho sujo

“Mas o que fazer com o homem preguiçoso, com o homem que não quer trabalhar?”, pergunta um amigo.

squarepegEsta é, sem dúvida, uma pergunta interessante e você provavelmente ficará surpreso quando eu disser que na verdade não existe essa coisa a que chamamos preguiça. Um homem preguiçoso é quase sempre um tarugo quadrado num buraco redondo, ou seja, um homem certo no lugar errado. E acabaremos descobrindo que, sempre que um camarada está no lugar errado, ele será incompetente e lerdo. Pois a chamada preguiça, bem como grande parte da incompetência, é apenas um sinal de falta de aptidão, de inadaptação. Se alguém é obrigado a fazer exatamente aquilo que não lhe agrada, por inclinação ou temperamento, certamente será um incompetente; se for forçado a trabalhar em coisas que não despertam o seu interesse, terá preguiça de fazê-las.

Qualquer pessoa que já tenha administrado uma empresa com muitos empregados pode confirmar o que acabo de dizer. A vida numa prisão é uma prova especialmente convincente da verdade da minha afirmação – e afinal, para a maioria das pessoas, a vida moderna não passa de uma grande prisão. Qualquer carcereiro poderá dizer que os prisioneiros obrigados a desempenhar tarefas para as quais não têm nenhuma habilidade ou interesse são sempre preguiçosos e submetidos a constantes castigos. Mas tão logo esses prisioneiros rebeldes são designados para funções que satisfazem as suas inclinações, tornam-se “modelos”, no dizer dos carcereiros.

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29
jul
13

Oscar Wilde – Desobediência: A Virtude Original do Homem

Oscar Wilde

Oscar WildePode-se até admitir que os pobres tenham virtudes, mas elas devem ser lamentadas. Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos a caridade. Alguns o são, sem duvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes – e tem razão. Consideram que a caridade e uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa impertinente, por parte do doador, de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo.

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