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Michael Shermer – A Destruição Mútua Assegurada Continuará Impedindo a Guerra Nuclear?

O impedimento proíbe a total abolição das armas nucleares?

1º de Junho de 2014 |Por Michael Shermer

Michael Shermer

Quando eu frequentava o ensino fundamental nos anos 1960, éramos periodicamente submetidos a exercícios de “agachar e cobrir” sob a fantasia risível de que nossas débeis carteiras nos protegeriam de uma explosão nuclear sobre Los Angeles. Quando eu era estudante na Universidade Pepperdine em 1974, o pai da bomba de hidrogênio, Edward Teller, falou em nosso campus sobre a eficácia da Destruição Mútua Assegurada (MAD) para impedir a guerra. Ele declarou que, em razão do acúmulo de armas, nenhum dos lados teria nada a ganhar por iniciar um ataque por causa da capacidade, que ambos possuíam, de mandar o outro de volta ao Paleolítico.

Até então a DMA tem funcionado. Mas, conforme Eric Schlosser revela em seu fascinante livro Command and Control, lançado em 2013, muitas vezes faltou pouco, fosse na crise dos mísseis cubanos, fosse na explosão do míssil Titan II na cidade de Damasco, Ark. E filmes populares tais como Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, lançado em 1964, demonstraram bem como a coisa toda podia acabar, conforme o General Jack D. Ripper fica desvairado ao simples pensamento de uma “conspiração comunista para enfraquecer e contaminar todos os nossos preciosos fluidos corporais” e ordena um ataque nuclear contra a União Soviética.

Uma estratégia de impedimento como a DMA não é uma solução sustentável a longo prazo por causa da corrida armamentista, acidentes e frenesis, e durante as últimas duas décadas esforços têm sido feitos para reduzir os arsenais mundiais, partindo de um pico 70,000 armas em 1986 para cerca de 17,300 hoje, apenas 4,200 das quais são ogivas nucleares ativas. Podemos chegar ao “zero nuclear”?

O maior promotor da guerra fria, Ronald Reagan, acreditava que sim. Ele considerava as armas nucleares “totalmente irracionais, totalmente desumanas, que não servem para nada, a não ser matar, capazes de destruir a vida e a civlização.” Também clamando por “um mundo livre de armas nucleres” estão promotores da guerra fria tais como os ex-secretários de estado Henry Kissinger e George Shultz, o ex-secretário de defesa William Perry e o ex-senador Sam Nunn da Georgia no, de todos os lugares, The Wall Street Journal. O movimento Global Zero traçou uma meta para alcançar este objetivo por volta de 2030. O general James E. Cartwright, ex vice-presidente da Chefia do Estado-Maior, disse que os EUA e a Rússia poderiam reduzir seus arsenais nucleares para 900 armas cada e ainda assim manter uma paz armada até que, mais tarde, chegassem a zero através de meios diplomáticos. Deve-se enfatizar que 185 dos 194 países do mundo (95 porcento) vão muito bem, obrigado, sem armas nucleares, e mais nações começaram e abandonaram programas de fabricação de armas nucleares do que nações começaram e completaram-nos. Isso é encorajador, mas será à prova de falhas?

Para descobrir, eu revisei uma aula chamada Perspectivas Sobre a Guerra e a Paz na Universidade de Claremont, lecionada pelo cientista político Jacek Kugler. Sua resposta é não, por três razões: Um, alguns estados que possuem armas nucleares, tais como a Coreia do Norte, são imprevisíveis. Dois, estados que desrespeitam tratados querem possuir armas nucleares. Três, estados empenhados em guerras convencionais podem escalar para o uso de armas nucleares. Quatro, se grupos terroristas passarem a controlar armas nucleares, eles irão usá-las. Cinco, o tabu contra o uso de armas nucleares ainda não evoluiu para um tabu contra a sua propriedade, assim o risco de acidentes e de líderes desvairados permanece. E seis, o gênio nuclear do como fazer uma bomba atômica já está fora da garrafa, o que significa que outras nações ou terroristas podem obtê-las e desestabilizar o equilíbrio.

Kugler acredita que podemos ter um “zero regional”—zonas livres de armas nucleares tais como a América Latina e a Austrália — desde que os maiores poderes nucleares (os EUA, a Rússia, a China e a União Europeia) concordem em prover uma resposta segura, a qual nenhum estado poderia exercer veto, a qualquer uso preemptivo de armas nucleares por estados delinquentes. Mesmo assim, entidades não estatais como grupos terroristas podem adquirir material físsil no mercado negro e, se o fizerem, nada poderá detê-los porque muitas pessoas buscam morrer como mártires.

Com a ameaça terrorista recorrente e a falta de confiança entre as nações nucleares (A Rússia vem à mente), o zero nuclear sequer pode ser cogitado. Mas se continuarmos a reduzir o tamanho da reserva global, reforçar a política de “não utilização em primeiro lugar”, motivar o tabu contra a posse de armas nucleares, vigiar todo material físsil, aumentar a interdependência econômica e espalhar a democracia, podemos avançar em nosso caminho em direção à segurança global.

Este artigo foi originalmente publicado sob o título “Nuclear Nada.”

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