Archive for the 'educação' Category

14
dez
14

William Godwin – Educação Pela Vontade

(in The Enquirer, 1797)

William GodwinA liberdade é a mais desejável de todas as vantagens sub-lunares. Seria, portanto, de bom grado que eu transmitiria conhecimentos sem infringir, ou tentando violentar o menos possível, a vontade e o julgamento da pessoa a ser instruída.

Repito: desejo despertar num determinado indivíduo a vontade de adquirir conhecimentos. A única forma capaz de despertar num ser sensível a vontade de realizar um ato voluntário é exibir-lhes os motivos que justificam este ato.

Há duas espécies de motivos: os intrínsecos e os extrínsecos. Os motivos intrínsecos são aqueles que surgem da própria natureza inerente ao objeto recomendado. Os extrínsecos são aqueles que, não tendo uma ligação constante ou inalterada com a coisa recomendada, estão associados a ela ou por acidente ou pelo desejo de um indivíduo.

Continue lendo ‘William Godwin – Educação Pela Vontade’

13
dez
14

Noam Chomsky – Os países ricos estão nos conduzindo ao desastre

Chomsky sobre a NSA, a destruição do planeta e outros

 

29 de Dezembro, 2013  |

Noam Chomsky

Em seu 85º ano, o intelectual político e linguista Noam Chomsky se mantém um polímata ferozmente ocupado e um ativista dedicado. De fato, sua agenda é tão exigente que nossa entrevista teve que ser marcada com um bom número de semanas de antecedência e o meu tempo ao telefone com o docente do MIT foi intercalado entre outra entrevista à imprensa e outro de seus muitos compromissos.

Felizmente, falar com Chomsky em dezembro deu a oportunidade de olhar o ano em retrospectiva — um ano de revelações e ofuscamentos relacionados à atividade do governo dos EUA.

Chomsky contou a Natasha Lennard suas opiniões sobre o caminhão de vazamentos da NSA, o futuro dos meios de comunicação, a neoliberalização do sistema educacional e os princípios de funcionamento dos governos. E, é claro, o caminhar do planeta em direção à sua própria extinção.

Continue lendo ‘Noam Chomsky – Os países ricos estão nos conduzindo ao desastre’

07
nov
13

Noam Chomsky – O tipo de Anarquismo em que acredito e o que há de errado com os Libertários

28 de Maio de 2013  |

Apresentamos a seguir a versão adaptada da entrevista que apareceu na revista Modern Success. [4]

Noam ChomskyComo tantas coisas já foram escritas e ditas pelo Prof. Chomsky, foi um desafio pensar em algo novo a perguntar a ele:  como o avô para o qual você não sabe o que dar de Natal porque ele já possui tudo.

Portanto eu escolhi ser um pouco egoísta e perguntar lhe algo que sempre quis perguntar.  Como um anarquista declarado, verdadeiro, vivo e respirando, eu queria saber como ele conseguia se alinhar a uma posição tão controversa e marginal.

Continue lendo ‘Noam Chomsky – O tipo de Anarquismo em que acredito e o que há de errado com os Libertários’

26
mar
13

Marilena Chauí – A Universidade Operacional

Fila de Universitários

Fila de Universitários

A Reforma do Estado brasileiro pretende modernizar e racionalizar as atividades estatais, redefinidas e distribuídas em setores, um dos quais é designado Setor dos Serviços Não-Exclusivos do Estado, isto é, aqueles que podem ser realizados por instituições não-estatais, na qualidade de prestadoras de serviços.

O Estado pode prover tais serviços, mas não os executa diretamente nem executa uma política reguladora dessa prestação. Nesses serviços estão incluídas a educação, a saúde, a cultura e as utilidades públicas, entendidas como “organizações sociais” prestadoras de serviços que celebram “contratos de gestão” com o Estado.

A Reforma tem um pressuposto ideológico básico: o mercado é portador de racionalidade sociopolítica e agente principal do bem-estar da República. Esse pressuposto leva a colocar direitos sociais (como a saúde, a educação e a cultura) no setor de serviços definidos pelo mercado.

Dessa maneira, a Reforma encolhe o espaço público democrático dos direitos e amplia o espaço privado não só ali onde isso seria previsível -nas atividades ligadas à produção econômica-, mas também onde não é admissível -no campo dos direitos sociais conquistados.

Continue lendo ‘Marilena Chauí – A Universidade Operacional’

23
abr
12

William Godwin – Os Males de um Ensino Nacional

William Godwin

(em Investigação sobre a Justiça Política, 1793)

William GodwinOs danos que podem resultar de um sistema nacional de ensino estão, em primeiro lugar, no fato de que todos os estabelecimentos públicos trazem em si a idéia de permanência. Talvez pretendam guardar e difundir todas as formas de conhecimento que possam trazer algum benefício à sociedade, mas esquecem que há muita coisa ainda por conhecer. Mesmo que tenham sido extremamente úteis à época de sua criação, é inevitável que se tornem cada vez mais desnecessários com o decorrer do tempo.

  Continue lendo ‘William Godwin – Os Males de um Ensino Nacional’

23
abr
12

William Godwin – Educação Pela Vontade

William Godwin

(in The Enquirer, 1797)

William GodwinA liberdade é a mais desejável de todas as vantagens sub-lunares. Seria, portanto, de bom grado que eu transmitiria conhecimentos sem infringir, ou tentando violentar o menos possível, a vontade e o julgamento da pessoa a ser instruída.

Repito: desejo despertar num determinado indivíduo a vontade de adquirir conhecimentos. A única forma capaz de despertar num ser sensível a vontade de realizar um ato voluntário é exibir-lhes os motivos que justificam este ato.

Há duas espécies de motivos: os intrínsecos e os extrínsecos. Os motivos intrínsecos são aqueles que surgem da própria natureza inerente ao objeto recomendado. Os extrínsecos são aqueles que, não tendo uma ligação constante ou inalterada com a coisa recomendada, estão associados a ela ou por acidente ou pelo desejo de um indivíduo.

Continue lendo ‘William Godwin – Educação Pela Vontade’

19
nov
10

20 estudantes são ameaçados de expulsão da USP por Decreto da Ditadura Militar

            20 estudantes estão ameaçados de “eliminação” da USP por conta de seu ativismo político. Quatro deles por conta da ocupação da reitoria da USP em 2007, e 16 pela retomada de parte da moradia do CRUSP durante este ano. Todos eles respondem a processo administrativo por praticar ato atentatório à moral ou aos bons costumes”, “perturbar os trabalhos escolares e a administração da universidade”, “atentar contra o nome e a imagem da universidade”. E a pena para tais acusações é a eliminação (expulsão somada a mais 5 anos de afastamento obrigatório da instituição). Todos eles são acusados com base em um decreto da Ditadura Militar (52.906, de 1972), 

 

            Tal decreto foi instituído sob a égide do AI-5 e redigido pelo ex-reitor da USP, Gama e Silva. Ele vigora de forma “transitória” há algumas décadas e, inconstitucionalmente, ainda proíbe greves e manifestações políticas, prevendo sanções para quem “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares; afixar cartazes fora dos locais”. O Regimento da USP foi parcialmente reformado em 1988. Entretanto, mais de 25 anos após o fim da ditadura no Brasil, seus fundamentos arbitrários ainda são mantidos. Isso nos faz retornar à importante questão da estrutura de poder na USP. Até hoje, é o governador do Estado de São Paulo quem define o nosso reitor – neste caso, o mesmo governador que em 2009 permitiu que a polícia militar entrasse no campus para atacar sua comunidade universitária, fato que não havia mais ocorrido deste a redemocratização do país.

            Ao mesmo tempo, trabalhadores da USP e seu sindicato – SINTUSP – sofrem mais de 20 processos por realizarem greves e manifestações (direitos constitucionais) na luta pela isonomia salarial. Professores também estão sendo atingidos, como é o caso do professor do instituto de Ciências Biomédicas, punido por denunciar à imprensa irregularidades nos laboratórios de sua unidade.

            Em dezembro próximo completarão dois anos da demissão do dirigente sindical Claudionor Brandão. Abriu-se ali um precedente punitivo que ainda não conseguimos reverter. Estamos vivendo um momento político onde a direita se investe mais uma vez de sua eficiência tão rogada para combinar demissões por condutas tidas como inadequadas e por posicionamento político e ativista. Ambas para indicar aos alunos e ao trabalhador da USP (e aqui já incluso os professores) o modelo de universidade em disputa. Seu projeto de modernização acadêmica – calcado em premiações para as faculdades e institutos “mais eficazes”, incentivando “a competição entre os diferentes núcleos da USP”, coordenado quiçá por “um processo de seleção natural no próprio mercado” – é abertamente avesso ao ativismo sindical e estudantil (artigo concedido pelo reitor J. G. Rodas à Revista Veja, também em anexo).

            Convidamos a todos para que divulguem esta carta e assinem a moção de apoio que a acompanha.

             

 

 

Moção de Apoio aos estudantes, trabalhadores e professores

da USP ameaçados de punição por questões políticas

 

            Nós, abaixo assinados, em nome da tradição de liberdade política, científica, acadêmica e cultural que deve vigorar no interior de toda e qualquer universidade, viemos por meio desde documento pedir:

 

1.      que a Universidade de São Paulo suspenda imediatamente todos os processos de
perseguição e punição que está promovendo contra os membros da sua própria comunidade universitária,  sobretudo contra os estudantes ameaçados de expulsão;

 

2.      e que a Universidade de São Paulo, em respeito à cultura democrática que está sendo construída no Brasil e à tradição de liberdade que deve vigorar na cultura universitária,  revogue imediatamente o código disciplinar instituído pelo Decreto nº 52.906, de  27 de março de 1972.