Archive for the 'política' Category

08
nov
15

Cathy Levine – A Tirania da Tirania

Uma crítica ao artigo A Tirania das Organizações Sem Estrutura, por Cathy Levine.

Um artigo intitulado ‘A Tirania das Organizações Sem Estrutura’ o qual teve ampla repercussão dentro do movimento feminista, (na Revista MS, Segunda Onda e etc) critica a tendência em direção a grupos ‘horizontais’, e ‘sem estrutura’, como se fossem a principal – se não a única – forma organizacional do movimento, como um beco sem saída. Ao mesmo tempo em que foi escrito e recebido em boa-fé, como uma ajuda ao movimento, o artigo é destrutivo em sua distorção e difamação a uma estratégia válida e consciente para a construção de um movimento revolucionário. Já passou da hora de reconhecermos para quais direções essas tendências estão apontando, como uma alternativa política concreta à organização hierárquica, ao invés de matá-las antes de nascer.

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11
maio
15

Crimethinc – Por que não fazemos propostas

ingsocDe Occupy a Ferguson, sempre que surgem movimentos populares, os comentaristas os acusam de não possuírem demandas concretas. Por que os descontentes não resumem os seus objetivos em pautas coerentes? Por que não elegem representantes que possam negociar com as autoridades de forma a fomentar uma agenda concreta através dos canais institucionais adequados? Por que estes movimentos não se expressam em uma linguagem comum, usando códigos consagrados?

Frequentemente isso não passa de retórica dissimulada daqueles que gostariam que os movimentos se limitassem a demandas bem comportadas. Quando perseguimos objetivos que eles preferem não reconhecer, nos acusam de sermos irracionais ou incoerentes. Compare a Marcha Popular pelo Clima do último ano, que juntou 400.000 pessoas em defesa de uma mensagem simples ao mesmo tempo em que fazia tão pouco para protestar que tornou desnecessário às autoridades realizar uma prisão sequer. Quando foi a última vez que 400.000 pessoas se reuniram em Nova York sem que a polícia prendesse alguém? Aquilo foi mais uma válvula de escape do que um protesto propriamente dito, mais uma forma de pacificação ativa — uma forma de diminuir os atritos entre os protestantes e a ordem à qual eles se opunham – com as revoltas ocorridas em Baltimore em Abril de 2015. Muitos louvaram a Marcha Pelo Clima enquanto tachavam as revoltas de Baltimore como irracionais, inconscientes e ineficazes; ainda assim a Marcha Pelo Clima teve pouco impacto concreto, enquanto as revoltas de Baltimore obrigaram o Procurador Geral a formalizar acusações contra policiais, algo praticamente sem precedentes. Você pode apostar que se 400.000 pessoas respondessem às mudanças climáticas da forma como milhares responderam ao assassinato de Freddie Gray, os políticos mudariam suas prioridades.

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17
dez
14

Paul Krugman – Sobre a negação da desigualdade

1º de Junho de 2014

Paul Krugman

Paul Krugman

Há um tempo atrás publiquei um artigo intitulado “Os Ricos, a Direita e os Fatos,” no qual descrevi esforços politicamente motivados a negar o óbvio — o agudo aumento da desigualdade nos EUA, principalmente no pico da escala de renda. Talvez não o surpreenda ouvir que encontrei uma série de erros estatísticos sendo praticados nos mais altos escalões.

Talvez também não o surpreenda saber que não mudou muita coisa. Os suspeitos de sempre não apenas continuam a negar o óbvio, mas continuam destilando os mesmos argumentos desacreditados: A desigualdade na verdade não está aumentando; O.K., ela está aumentando mas isso não importa porque temos muita mobilidade social; de qualquer forma, é uma coisa boa, e qualquer pessoa que sugira que isso é um problema só pode ser marxista.

O que talvez o surpreenda seja o ano em que publiquei este artigo: 1992.

O que me traz à última rixa intelectual, deflagrada por um artigo escrito por Chris Giles, editor do caderno de economia do jornal The Financial Times, atacando a credibilidade do best seller de Thomas Piketty o “Capital no Século XXI.” Giles declarou que a obra do Sr. Piketty comete “uma série de erros que comprometem seus resultados,” e que na verdade não há evidências do aumento da concentração de renda. E como praticamente todo mundo que já seguiu essas controvérias através dos anos, eu pensei, “Lá vamos nós novamente.”

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17
dez
14

Nicolas Walter – Ação Anarquista

Nicolas Walter

(in Sobre o anarquismo, 1969)

Nicolas WalterA diferença entre teorizar sobre o anarquismo e colocá-lo em prática implica em uma mudança de estrutura. O típico grupo de discussão ou propaganda, aberto à participação de estranhos e à vigilância das autoridades e que tem como base o fato de que cada um pode fazer o que quiser e não fazer o que não quiser tornar-se-á mais exclusivo e formal. Este é um momento de grande perigo, já que uma atitude demasiado rígida levará ao autoritarismo e ao sectarismo, e a indulgência resultará em confusão e irresponsabilidade. É um momento de perigo ainda maior também porque, no momento em que o anarquismo passa a ser um assunto sério, os anarquistas passam a representar uma ameaça real e a verdadeira perseguição começa.

A forma de ação anarquista mais comum é fazer com que a agitação provocada por uma determinada questão se transforme em participação ativa numa campanha. Esta tanto poderá ser reformista, tentando mudar alguma coisa sem alterar todo o sistema; ou revolucionária, pregando uma transformação do próprio sistema; poderá ser legal, ilegal ou ambas; violenta, pacífica ou apenas não-violenta. Poderá ter possibilidades de sucesso ou ser, desde o início, uma causa perdida. Os anarquistas tanto poderão ter grande influência, e até mesmo dominar a campanha, quanto ser apenas um dos grupos participantes.

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14
dez
14

Emma Goldman – O Fracasso da Revolução Russa

Emma Goldman


(In My Further Disillusionment with Russia, 1924)

Emma GoldmanFicam agora bem claros os motivos que fizeram com que a Revolução Russa, tal como foi conduzida pelo Partido Comunista, fosse um fracasso. O poder político do partido, organizado e centralizado no Estado, procurou manter-se utilizando todos os meios de que dispunha. As autoridades centrais tentaram fazer com que o povo agisse de acordo com modelos que correspondiam aos propósitos do Partido, cujo único objetivo era fortalecer o Estado e monopolizar todas as atividades econômicas, políticas e sociais e até mesmo as manifestações culturais. A revolução tinha objetivos totalmente diferentes pelas suas próprias características, era a negação do princípio da Autoridade e da centralização. Ela lutava para alargar ainda mais os meios de expressão do proletariado e multiplicar as fases do esforço individual e coletivo. Os objetivos e as tendências da Revolução eram diametralmente opostos àqueles do Partido Governante.

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14
dez
14

William Godwin – Educação Pela Vontade

(in The Enquirer, 1797)

William GodwinA liberdade é a mais desejável de todas as vantagens sub-lunares. Seria, portanto, de bom grado que eu transmitiria conhecimentos sem infringir, ou tentando violentar o menos possível, a vontade e o julgamento da pessoa a ser instruída.

Repito: desejo despertar num determinado indivíduo a vontade de adquirir conhecimentos. A única forma capaz de despertar num ser sensível a vontade de realizar um ato voluntário é exibir-lhes os motivos que justificam este ato.

Há duas espécies de motivos: os intrínsecos e os extrínsecos. Os motivos intrínsecos são aqueles que surgem da própria natureza inerente ao objeto recomendado. Os extrínsecos são aqueles que, não tendo uma ligação constante ou inalterada com a coisa recomendada, estão associados a ela ou por acidente ou pelo desejo de um indivíduo.

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13
dez
14

Michael Shermer – A Destruição Mútua Assegurada Continuará Impedindo a Guerra Nuclear?

O impedimento proíbe a total abolição das armas nucleares?

1º de Junho de 2014 |Por Michael Shermer

Michael Shermer

Quando eu frequentava o ensino fundamental nos anos 1960, éramos periodicamente submetidos a exercícios de “agachar e cobrir” sob a fantasia risível de que nossas débeis carteiras nos protegeriam de uma explosão nuclear sobre Los Angeles. Quando eu era estudante na Universidade Pepperdine em 1974, o pai da bomba de hidrogênio, Edward Teller, falou em nosso campus sobre a eficácia da Destruição Mútua Assegurada (MAD) para impedir a guerra. Ele declarou que, em razão do acúmulo de armas, nenhum dos lados teria nada a ganhar por iniciar um ataque por causa da capacidade, que ambos possuíam, de mandar o outro de volta ao Paleolítico.

Até então a DMA tem funcionado. Mas, conforme Eric Schlosser revela em seu fascinante livro Command and Control, lançado em 2013, muitas vezes faltou pouco, fosse na crise dos mísseis cubanos, fosse na explosão do míssil Titan II na cidade de Damasco, Ark. E filmes populares tais como Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick, lançado em 1964, demonstraram bem como a coisa toda podia acabar, conforme o General Jack D. Ripper fica desvairado ao simples pensamento de uma “conspiração comunista para enfraquecer e contaminar todos os nossos preciosos fluidos corporais” e ordena um ataque nuclear contra a União Soviética.

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