Archive for the 'revoluções' Category

14
dez
14

Emma Goldman – O Fracasso da Revolução Russa

Emma Goldman


(In My Further Disillusionment with Russia, 1924)

Emma GoldmanFicam agora bem claros os motivos que fizeram com que a Revolução Russa, tal como foi conduzida pelo Partido Comunista, fosse um fracasso. O poder político do partido, organizado e centralizado no Estado, procurou manter-se utilizando todos os meios de que dispunha. As autoridades centrais tentaram fazer com que o povo agisse de acordo com modelos que correspondiam aos propósitos do Partido, cujo único objetivo era fortalecer o Estado e monopolizar todas as atividades econômicas, políticas e sociais e até mesmo as manifestações culturais. A revolução tinha objetivos totalmente diferentes pelas suas próprias características, era a negação do princípio da Autoridade e da centralização. Ela lutava para alargar ainda mais os meios de expressão do proletariado e multiplicar as fases do esforço individual e coletivo. Os objetivos e as tendências da Revolução eram diametralmente opostos àqueles do Partido Governante.

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13
dez
14

Noam Chomsky – A União Soviética Contra o Socialismo

Our Generation, Primavera/Verão, 1986

Noam Chomsky

Quando as duas maiores máquinas de propaganda do mundo concordam sobre uma doutrina, um esforço intelectual para escapar de seus grilhões se faz necessário. Uma dessas doutrinas é que o modelo de sociedade criado por Lênin e Trotsky e mais tarde transformado por Stálin e seus sucessores possui relação com o socialismo em algum sentido significativo ou histórico. De fato, há uma relação, que é a relação de contradição.

É bastante claro por que as duas maiores máquinas de propagandas insistem nesta fantasia. Desde sua origem, o Estado Soviético tem tentado subjugar as forças da sua própria população, e das pessoas oprimidas de todos os lugares do mundo, a serviço dos homens que se aproveitaram da agitação popular russa em 1917 para capturar o poder do Estado. Uma das maiores armas ideológicas empregadas para este fim foi a reivindicação de que os dirigentes do Estado estão guiando a sociedade e o mundo em direção ao ideal socialista; uma impossibilidade, como qualquer socialista — certamente qualquer marxista sério — deveria ter logo entendido (muitos o fizeram), e uma mentira de dimensões avassaladoras como a história revelou desde os primeiros dias do Regime Bolchevique. Os capatazes tentaram conquistar legitimidade e apoio ao explorar a aura dos ideais socialistas e o respeito que lhe é devido, para dissimular sua própria prática cotidiana à medida em que destruíam qualquer vestígio de socialismo.

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