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dez
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Paul Krugman – Sobre a negação da desigualdade

1º de Junho de 2014

Paul Krugman

Paul Krugman

Há um tempo atrás publiquei um artigo intitulado “Os Ricos, a Direita e os Fatos,” no qual descrevi esforços politicamente motivados a negar o óbvio — o agudo aumento da desigualdade nos EUA, principalmente no pico da escala de renda. Talvez não o surpreenda ouvir que encontrei uma série de erros estatísticos sendo praticados nos mais altos escalões.

Talvez também não o surpreenda saber que não mudou muita coisa. Os suspeitos de sempre não apenas continuam a negar o óbvio, mas continuam destilando os mesmos argumentos desacreditados: A desigualdade na verdade não está aumentando; O.K., ela está aumentando mas isso não importa porque temos muita mobilidade social; de qualquer forma, é uma coisa boa, e qualquer pessoa que sugira que isso é um problema só pode ser marxista.

O que talvez o surpreenda seja o ano em que publiquei este artigo: 1992.

O que me traz à última rixa intelectual, deflagrada por um artigo escrito por Chris Giles, editor do caderno de economia do jornal The Financial Times, atacando a credibilidade do best seller de Thomas Piketty o “Capital no Século XXI.” Giles declarou que a obra do Sr. Piketty comete “uma série de erros que comprometem seus resultados,” e que na verdade não há evidências do aumento da concentração de renda. E como praticamente todo mundo que já seguiu essas controvérias através dos anos, eu pensei, “Lá vamos nós novamente.”

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08
jun
14

Joseph Stiglitz – Os chamados acordos de livre comércio deveriam promover o interesse público, não o privado

joseph_stiglitz_140x140Apesar das rodadas de negociação da Organização Mundial do Comércio em Doha não terem dado resultado desde que foram lançadas há quase doze anos atrás, outra rodada de negociações já está sendo planejada. Dessa vez as negociações não serão realizadas de forma global e multilateral. Em vez disso dois enormes acordos regionais – um deles transpacífico, e o outro transatlântico – serão negociados. As próximas rodadas terão mais sucesso?

A Rodada de Doha foi bombardeada pela recusa dos EUA em eliminar seus subsídios agrícolas – uma condição sine qua non para qualquer rodada de negociação que se preze, dado que 70% das pessoas nos países em desenvolvimento dependem direta ou indiretamente da agricultura. A posição dos EUA foi realmente sufocante, dado que a OMC já havia decidido que os subsídios dos EUA à produção de algodão – dados a menos que 25,000 fazendeiros dos mais abastados – eram ilegais. A resposta de Washington foi a de subornar o Brasil, país que trouxe a queixa, a não dar prosseguimento à questão, deixando à mercê milhões de cotonicultores na Índia e na África Subsaariana, que sofrem de uma depressão nos preços em razão da generosidade americana a seus ricos fazendeiros.

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